Em defesa do ambiente os promotores portugueses de festivais uniram-se para ajudarem a combater às alterações climáticas. Hoje, no Salão Nobre da Câmara de Lisboa apresentaram o manifesto «DeclareAção», porque «é preciso agir».Pela primeira vez em Portugal, os promotores de festivais e outros espetáculos musicais uniram-se para criarem o «DeclareAção», a primeira declaração em que para «assinar» é preciso agir. Na cerimónia além do presidente da Câmara de Lisboa, estiveram presentes os presidentes das autarquias de Loulé, Faro, Sines, Vilar de Mouros e Caminha.

Este movimento inédito, que conseguiu juntar no Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa a maioria dos empresários de festivais e outros eventos musicais, surge no ano da Capital Verde Europeia 2020 e visa desafiar a comunidade nacional a adotar comportamentos em prol de uma sociedade mais justa e equilibrada, utilizando as plataformas digitais e o seu potencial mobilizador como principal canal de convocação.

Como fez questão de referir o anfitrião deste evento, Fernando Medina, a Câmara Municipal de Lisboa junta-se, desta forma, «a diversas entidades e organizações promotoras de espetáculos, festivais e eventos num movimento único que desafia os portugueses a agir». «DeclareAção» – conforme salientam os seus promotores – «é um compromisso comum e a primeira declaração de atitudes para consciencializar e mudar comportamentos.»

Fernando Medina, que considerou que este movimento «é um sinal muito forte que é dado a partir da cidade de Lisboa», salientou «a urgência do tempo que estamos a viver», porque, mesmo, «as pequenas mudanças individuais de comportamento fazem mesmo a diferença».

Segundo o autarca, este movimento «tem um grande impacto social, político e económico», sendo um «canal de comunicação e ampliação da mensagem» e contribuindo para a criação «de um grande movimento de ação ambiental».

Após falar das responsabilidades morais e das batalhas políticas e ideológicas em torno desta causa, Fernando Medina garantiu que Lisboa «vai fazer mais do que aquilo que se comprometeu» no combate às emissões poluentes. «Não nos podemos encostar porque alguns não cumprem a sua parte», afirmou.

Em defesa do ambiente

O vereador do pelouro do Ambiente da Câmara de Lisboa, José Sá Fernandes, realçou o facto de «esta ser a primeira vez que todos os promotores de festivais se uniram em prol de um fim e de um bem comum: a defesa do meio ambiente e o combate às alterações climáticas».

Do ponto de vista de José Sá Fernandes, «este grande movimento pode ter repercussões que extravasam as fronteiras portuguesas», sendo «exportado» para a Europa e para o resto do mundo.

Já para a empresária Roberta Medina, uma das «ativistas» deste projeto, «esta ação», leia-se movimento, «é de todos», porque, «todos nós, temos de assumir as nossas responsabilidades». Lembrando os três pilares da sustentabilidade: social, económico e ambiental, Roberta Medina defendeu o «uso da música para influenciar o estilo de vida e propor novos comportamentos e atitudes ambientais».

No mesmo sentido foi a intervenção de Álvaro Covões que revelou que, de norte a sul de Portugal, realizaram-se 287 festivais, em 2019, que tiveram mais de dois milhões de espetadores. Por isso, os promotores – como é o seu caso – devem «convencer os festivaleiros» a assumirem atitudes mais amigas do ambiente, nomeadamente na utilização dos transportes públicos nas suas deslocações de e para o festival e no uso de boas práticas de reciclagem.

Por seu turno, João Carvalho defendeu que a maioria dos promotores de festivais, como é o seu caso em Paredes de Coura, tem preocupações ambientais e sociais. «São iniciativas que todos os festivais já fazem. Estamos todos a falar para um público jovem e empenhado na defesa do ambiente», sublinhou.

Jovens apresentam 30 medidas

Coube a Ana Maria Valente, do festival Marés Vivas, apresentar a ação de 30 jovens, com idades compreendidas entre os 16 e os 30 anos, que vão criar «17 medidas e atitudes» amigas do ambiente que podem ser aplicadas no dia-a-dia. Ana Valente realçou ainda o papel das redes sociais em «fazer passar a mensagem» ambientalista.

Na perspetiva de Luís Montez, existe a necessidade de motivar e sensibilizar «os jovens, os artistas e os patrocinadores». Este empresário relembrou que, em fevereiro, vão ser realizados vários workshops para se encontrarem os jovens que vão criar «as 17 medidas», a serem lançados em março.

O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, realçou: «os festivais atingem muitos milhões de cidadãos e, por isso, podemos contar com eles para se criar um movimento em prol da defesa do meio ambiente».

Vítor Aleixo, que reforçou a ideia dos artistas já se estarem a mobilizar em torno das causas ambientais, defendeu: «chega de declarações de princípios e vamos passar à ação».

Nuno Mascarenhas, presidente da Câmara Municipal de Sines, salientou que, «os festivais tem conseguido passar a imagem da necessidade de olharmos para o mundo com olhos diferentes». E, por isso, considerou ser «preciso fazer algo para mudar as atitudes de todos», concluindo que «é necessário mudar o país e o mundo».

Da empresária Karla Campos, de Cascais, veio o apelo ao fim «da utilização do plástico nos eventos», recordando que é necessário «também combater os desperdícios alimentares» que, normalmente, sucedem nestes grandes encontros. «Temos de ter também consciência social», referiu.

De Tiago Castelo Branco, da RFM SOMNIL da Figueira da Foz, surgiu a confissão: «o nosso público, ao longo das oito edições do festival, tem contribuído e também nos tem auxiliado na mudança de atitudes e comportamentos no recinto», recordando que, este ano, o festival da Figueira vai abordar a temática dos oceanos.

O vereador da Câmara Municipal de Faro, Paulo Santos, fez questão de defender «a sua dama» e lembrou que os festivais na capital algarvia «tem como principal mote: a defesa da Ria Formosa», assumindo-se como defensores intransigentes do meio ambiente.

«Fala-me a cantar»

Miguel Alves, presidente da Câmara de Caminha, «falou a cantar» do Festival de Vilar de Mouros, recordando que, há 50 anos, em plena ditadura marcelista, este evento foi revolucionário, provocando uma rutura de mentalidades e na forma de encarar o mundo. E, hoje, à semelhança do que sucedeu há cinco décadas, «temos de ser revolucionários na defesa do planeta. Basta de debates, é tempo de agir».

O apelo à necessidade de «passar das palavras à ação» também «partiu» de Vítor Paulo Pereira, presidente de Câmara de Paredes de Coura, salientando que os «festivais conseguem mudar, tanto social como economicamente, uma terra». E, por isso, também tem o poder de mudar as nossas atitudes e comportamentos ambientais.

Já a Associação Portuguesa dos Festivais de Música, pela voz de Ricardo Brandão, defendeu que a «indústria de espetáculos pode ser o motor de desenvolvimento e propulsora de mudanças de mentalidade e de comportamentos». Para este responsável, este movimento «lançou a semente que irá germinar e dar rebentos amigos do ambiente».

Para além do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, participaram ainda, entre outros, o vereador com o pelouro do Ambiente, José Sá Fernandes, e representantes de entidades promotoras como Better World (Rock in Rio), Câmara Municipal de Loulé (Festival Med), Câmara Municipal de Sines (PMM Sines), Everything is New (NOS-Alive), Live Experiences (EDP Cool Jazz e ID Not Limits), MOT (RFM SOMNII) Musica no Coração (Galp Beach Party SuperBock Super Rock, SuperBock em Stock, Meo Sudoeste, Sumol SummerFest), PEV (MEO Mares Vivas), Pic Nic (NOS Primavera Sound) Ritmos (Vodafone Paredes de Coura) Sons em Transito e Câmara Municipal de Faro (Festival F), Surprise & Expectation (EDP Vilar de Mouros), APEFE e APORFEST.

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