GALEÃO DE SAL RECUPERADO REGRESSA A CASCAIS

Após um longo processo de recuperação, o antigo galeão “Estou para Ver” voltou ao mar. na sexta feira. Aquele que em tempos foi um barco de pesca servirá agora para passeios temáticos e expedições científicas, tendo regressado à marina de Cascais completamente recuperado para uma nova vida ao serviço da biologia e arqueologia marinhas.

O galeão “Estou Para Ver”, com uma longa história de 102 anos, está prestes a cruzar de novo as águas cascalenses, ao serviço de atividades culturais e recreativas e, como salienta Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, «vai ficar ao serviço de toda a comunidade de Cascai».

Durante a cerimónia de apresentação do renovado “Estou para Ver”, que regressou ao Cais de Eventos na Marina de Cascais, no dia 17 de dezembro de 2021, para uma nova vida ao serviço da biologia e da arqueologia marinhas, Carlos Carreiras garantiu que o «antigo galeão de sal está de regresso renovado e vai ser utlizado pelas áreas do desporto, juventude, mas também voltará a ser a sala de aula privilegiada do ensino técnico profissional da Escola secundária de Carcavelos», salientando que a «gestão da embarcação do município fica entregue à Fundação Dom Luís I, para que os cientistas e historiadores que calcorreiam a costa de Cascais continuem, a proteger a biologia e arqueologia marinhas».

A requalificação deste galeão centenário foi feita no estaleiro “Jaime Costa” em Sarilhos Pequenos, na Moita, através do modelo de construção naval tradicional e uma estrutura que envolveu o desmantelamento da cabine, convés e costado, mas também a substituição da cabine e cavernas, rota de proa, sobrequilha e quilha. A embarcação tem agora novos equipamentos de navegação, comunicação e segurança, bem como um motor que permite transportar até 40 passageiros e tripulação.

O processo de recuperação durou cerca de 12 meses e todas as etapas, desde o corte das árvores, à conservação e manutenção da madeira, passando pelo reboque para o estaleiro e a construção e colocação de peças, foram feitas tendo em conta a essência e o passado do galeão do sal.

De pesca do cerco ao transporte de sal





O galeão foi inicialmente averbado para construção a 26 de dezembro de 1919, em Setúbal, e destinava-se à pesca do cerco – que consiste na utilização de uma grande rede -, ficando na altura registado como galeão à vela e remos e com o nome “Natal” a partir de 29 de abril de 1920. Mas foi em 1923 que Silvério António Tavares o converteu a galeão de sal pela Cooperativa de Pesca Liberto e Libertário Lda., passando a ter o seu nome atual: “Estou Para Ver.”

O galeão foi depois adquirido em 1981 por Philippe Mangeot que o levou para a Bretanha, onde recebeu o seu primeiro motor e cabine de proteção, seguindo para o Mediterrâneo e Mar Vermelho. Já em 1994 regressou às suas origens, em Portugal, onde foi comprado por Raul Carregoso, que o registou na Delegação Marítima do Barreiro, tendo sido posteriormente adquirido em 2003 pela Câmara Municipal de Cascais. Durante dez anos, ao serviço do município e da comunidade local, serviu de escola da arte de marear, desempenhou funções turísticas e visitas de estudo das escolas do concelho. No entanto, em 2013 todas as atividades foram suspensas por falta de condições de navegabilidade.

O “Estou Para Ver” – com 8,52 metros de comprimento, 4,90 metros de boca e 1,33 metros de pontal – é uma das poucas embarcações tradicionais portuguesas que se encontram a navegar nos dias de hoje. A partir dos anos de 1970, grande parte destes galeões foram abandonados, encalhados nas margens ou transformados em barcos de recreio, uma vez que se perderam as suas utilidades comerciais. Contudo, esse não foi o caso do “Estou para ver”.

Num futuro próximo, ficará ligado ao Museu do Mar Rei D. Carlos, sob a gestão da Fundação D. Luís I, que o disponibilizará para passeios temáticos, conferências e expedições científicas a bordo, direcionadas para instituições de ensino, coletividades e turistas.

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