O novo terminal de cruzeiros de Santa Apolónia e o edifício sede da EDP na Av. 24 de Julho foram os vencedores ex-aequeo da edição 2017 dos prémios Valmor e Municipal de Arquitetura.O prémio Valmor de 2017 distinguiu, ex-aequeo, as obras dos arquitetos Carrilho da Graça e Aires Mateus, premiando, desta forma, o facto de, tanto o terminal de cruzeiros como o edifício sede da EDP, serem duas obras que marcaram a redefinição da paisagem ribeirinha da capital.

Enquanto, o novo terminal de cruzeiros, da autoria de Carrilho da Graça e promovido pela Administração do Porto de Lisboa, se assume como uma porta de entrada para o turismo de cruzeiros. O edifício EDP, desenhado pelo arquiteto Aires Mateus e promovido pela EDP, introduziu na frente de rio uma arquitetura mais moderna e contemporânea, jogando com construções e espaços vazios.

Alem destes projetos, foram ainda reconhecidas mais quatro obras que receberam uma menção honrosa: recuperação do Palacete de Santa Catarina, da autoria da arquiteta Tereza Nunes da Ponte; transformação de um edifício de base medieval numa Guest House (Casa de Alfama), do arquiteto Matos Gameiro; recuperação do Largo de Santos e vias adjacentes, uma obra integrada no programa «Uma Praça em Cada Bairro», projetados pelos arquitetos Luis Torgal e João Almeida e pelo arquiteto paisagista Beiramar Diniz; e o Lisbon Stone Block, do arquiteto Sousa Oliveira.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, acompanhado pela vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, entregou os galardões que  consagram «a excelência e a alta qualidade da arquitetura e dos arquitetos portugueses, que desenvolveram e continuam a desenvolver projetos de altíssima qualidade».

Para o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, as obras agora premiadas representam um conjunto de projectos «emblemáticos e marcantes que, acima de tudo, honram o futuro da cidade de Lisboa», além de serem «uma amostra de uma cidade em transformação e todos com uma marca comum: a recuperação do património identitário e autêntico e a sua projecção no futuro da cidade».

«São projetos indiscutivelmente marcantes na cidade de Lisboa», disse Fernando Medina, que deixou uma palavra de agradecimento aos arquitetos e aos investidores, «porque acreditaram». «E isso valoriza a cidade, mas também os projetos», sublinha.

Na sua alocução, o autarca salientou o novo Terminal de Cruzeiros de Lisboa, por se tratar de «um projeto construído em frente a um bairro histórico e não se ter registado uma única voz crítica».

O presidente da autarquia deixou ainda uma «palavra de compromisso» que o município não abrandará a política de investimento que tem prosseguido no espaço público. «Uma política de devolver o espaço às pessoas», sublinhou, para referir depois algumas das obras já projetadas, como a requalificação da zona ribeirinha até Santa Apolónia, a Praça de Espanha, a zona de Entrecampos, entre outras.

116 anos de prémio Valmor

Instituído em 1903, o Prémio Valmor é um dos mais importantes galardões de arquitetura atribuídos em Portugal. Surgiu na sequência das indicações deixadas em testamento pelo segundo e último visconde de Valmor, Fausto Queiroz Guedes, diplomata, político, membro do Partido Progressista, par do reino, governador civil de Lisboa e grande apreciador de belas artes, como explica a Câmara Municipal de Lisboa.

No seu testamento, o visconde de Valmor, que morreu em França em 1878, doou uma quantia de dinheiro à cidade de Lisboa para que fosse criado um fundo que deveria ser usado para atribuir um prémio ao autor e proprietário da casa ou prédio edificado mais bonito. As regras foram mais tarde alteradas de modo a incluir todos os tipos de edifícios – novos, remodelados, reabilitados ou projetos de intervenção no espaço público, de natureza pública ou privada -, fundido o antigo Valmor com Prémio Municipal de Arquitetura, que tinha sido criado em 1943. O galardão é atribuído anualmente, mas houve «um atraso entre 2013 e 2016», que está agora a ser recuperado.

O Prémio Valmor relativo ao ano de 2016 foi atribuído à alteração do Cine-Teatro Capitólio, no Parque Mayer, da autoria do arquiteto Alberto Souza Oliveira. As menções honrosas foram para a alteração do Centro Comercial Caleidoscópio, no Campo Grande (arquiteto Pedro Lagrifa Carvalhais de Oliveira) e para a construção do MAAT — Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, na Avenida Brasília, em Belém (arquiteta Amanda Jane Levete)

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