O vereador do Ambiente da Câmara de Lisboa, José Sá Fernandes, é um homem feliz. A promessa de inaugurar um espaço verde por mês, no âmbito da Capital Verde Europeia, está a ser cumprida. Ontem, foi inaugurado o Parque Ribeirinho Oriente.O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e o vereador dos pelouros do Ambiente, Clima e Energia e Estrutura Verde, José Sá Fernandes, inauguraram o novo Parque Ribeirinho Oriente, em Braço de Prata. Na margem do Tejo, o novo parque «nasce» perto dos armazéns da Doca do Poço do Bispo e estende-se para norte ao longo de 600 metros de frente de rio, ocupando perto de 4 hectares.

Segundo Sá Fernandes, que promete continuar a inaugurar um espaço verde por mês, este novo parque representa um espaço crucial para o desfrute do rio e ponto de chegada a partir do corredor verde oriental a partir do Vale Fundão e Quinta das Flores, estreitando a proximidade entre o centro da cidade e o Parque das Nações, contribuindo para a revitalização de toda esta área oriental da cidade.

E, segundo o vereador Sá Fernandes, «o verde» é precisamente uma das áreas em que «praticamente está tudo feito» e, até ao final do ano, mais de 90% dos munícipes terão a menos de 300 metros de casa um espaço verde com pelo menos dois mil metros quadrados, o que numa cidade consolidada, antiga, é muito bom».

«Vamos ter 350 hectares em área verde, estamos a falar de metade de Monsanto», precisou, estimando que, em 2022, «25% da cidade seja verde».

Já para o presidente do município, Fernando Medina, salientou a «devolução que é feita à cidade, aos cidadãos, aos lisboetas de um espaço absolutamente extraordinário», num ano em que Lisboa é Capital Verde da Europa, lembrando que a primeira fase deste projeto está, desde hoje, sábado, acessível ao público.

Do ponto de vista do presidente da Câmara, «este era um espaço que estava atravessado por uma zona de circulação automóvel, também por zonas abandonadas, sem utilização nenhuma, e hoje é um parque verde, um parque ribeirinho extraordinário, com mais de quatro hectares e com 600 metros de frente de rio».

Esta é a primeira fase do empreendimento. Na segunda, serão mais quatro hectares a partir do Loteamento da Matinha até ao Parque das Nações, prevendo-se que o prolongamento esteja concluído dentro de dois anos.

Dois milhões investidos

«O investimento deste parque é um investimento de cerca de dois milhões e 200 mil euros no total, uma obra feita pela Câmara, através das compensações suportadas pelo empreendimento que é vizinho deste parque. A próxima fase seguirá um processo também nos mesmos moldes ao nível das compensações urbanísticas, serão elas que suportarão o financiamento da obra e a sua continuação », revelou Fernando Medina.

«Esperamos que, num prazo de ano e meio, dois anos, possamos ter a fase seguinte concretizada, isto é, quatro hectares a juntar a estes quatro», acrescentou, sublinhando que também foram construídos equipamentos de apoio, como casas de banho, um espaço para bicicletas, duas cafetarias e uma biblioteca ou espaço de troca de livros, em antigos contentores marítimos adaptados.

«Este é um espaço para todos. Desde aqueles que querem andar de bicicleta, para os que querem simplesmente passear, usufruir desta vista e também para aqueles que queiram vir aqui pescar, porque a pesca recreativa é aqui permitida e pode aqui ser realizada», fez questão de revelar o presidente da Câmara de Lisboa, porque «as áreas verdes, os jardins, os parques são talvez das marcas mais importantes desta visão que pretende humanizar a cidade para a fruição de todos».

Esta visão implica um conjunto muito grande de transformações, nomeadamente «retirar automóveis, devolvendo o espaço público às pessoas, mas também devolvendo uma coisa essencial que é a qualidade do ar», afirmou, referindo-se à anunciada restrição de circulação de carros na Baixa da cidade, «uma zona com indicadores de poluição na Avenida da Liberdade e na Almirante Reis que muitas vezes ultrapassam os limites legais que seriam admissíveis».

«Todas estas medidas, que vão em linha com o que se está a fazer noutras cidades da Europa e do mundo, enfrentam naturalmente críticas, enfrentam pensamentos diferentes. Nós estamos muito disponíveis para trabalhar com todos para adaptar as soluções, nomeadamente relativamente à Baixa, dentro do quadro geral de redução dos automóveis, redução do trânsito de atravessamento e criação de condições para a fruição da Baixa», acrescentou.

De zona industrial a espaço verde

O espaço agora intervencionado foi em tempos uma faixa industrial. Desocupada nos últimos anos, era particularmente usada por «um grupo muito ativo de pescadores», o percurso principal deste novo parque acontece ao longo do rio e é acompanhado, de um dos lados, por um «extenso corpo verde» – em causa estão relvados generosos e plantações arbustivas e arbóreas que «formam bolsas de estadia», isto é, protegem as pessoas que queiram desfrutar daquele espaço. As zonas verdes implicaram a recriação do ecossistema que já antes existira naquela zona, sendo possível observar pinheiros mansos, sobreiros, freixos ou amieiros, um trabalho que foi feito em parceira com um geobotânico que fez o estudo e a seleção das espécies através da recolha de amostras no local.

Em termos de equipamento infantil existe uma estrutura à base de troncos de madeira e cordas para trepar – esta é uma peça lúdica e também abstrata, já que os materiais usados remetem para a memória do local, dos rios e dos barcos. Tal é ainda evidente no aço utilizado nos candeeiros e no mobiliário urbano, remetendo para o passado industrial da zona agora intervencionada. Foram também desenhados e fabricados localmente bancos de madeira simples e com costas, espreguiçadeiras instaladas à beira-rio e bancos modulados curvos em betão armado, tal como se lê no comunicado de imprensa.