A primeira fase das obras de recuperação e restauro do Palácio Valflores em Loures já estão concluídas. Considerado em 2015 um dos 14 monumentos mais ameaçados na Europa, o palácio já pode ser visitável.A Câmara Municipal de Loures vai investir um total de cinco milhões de euros na reabilitação do Palácio Valflores, em Santa Iria da Azóia, afirmou o presidente da autarquia Bernardino Soares, durante uma visita à esse património quinhentista de Santa Iria de Azóia

A primeira fase da obra de consolidação estrutural, restauro e proteção de elementos arquitetónicos do imóvel. da Quinta e Palácio Valflores, com um valor estimado de cerca de 348 mil euros, e que beneficia de um financiamento de 50% do PORLisboa 2020, já está concluída.

A esta primeira fase seguir-se-ão mais duas fases, as quais se destinam à recuperação da cobertura, fecho de vãos de portas e janelas, bem como ao restauro e proteção dos elementos arquitetónicos. No final da reabilitação, o valor do investimento ascenderá os 1,2 milhões de euros.

O presidente da Câmara de Loures, Bernardino Soares, salientou que a reabilitação do Palácio Valflores «foi sempre uma questão prioritária para este Executivo Municipal», defendendo que «este projeto já não vai parar». O autarca referiu que a primeira fase foi «um trabalho de relojoeiro, dada a complexidade da intervenção».

Quando o projeto estiver concluído, o objetivo é implementar uma ligação cultural, patrimonial e ambiental desde a várzea de Loures, passando pelo Parque Urbano de Santa Iria de Azóia, Palácio Valflores e terminando no passeio ribeirinho que está a ser desenvolvido junto ao rio Tejo. Para o presidente da Câmara, a Quinta e o Palácio Valflores poderão transformar-se num polo com uma mais-valia nas áreas da investigação, formação, ciências e cultura.

Para a Câmara Municipal de Loures o objetivo da fase inicial é tornar o palácio visitável, não havendo ainda uma previsão temporal para que esta fase esteja concluída.

Por seu turno, Raquel Silva, técnica da Câmara Municipal de Loures, e Pedro Pacheco, arquiteto responsável pela obra, revelaram a Casa Nobre e Quinta de Valflores, em Santa Iria de Azóia, constituem um «conjunto patrimonial quinhentista de valor ímpar. Trata-se de uma casa de campo senhorial, uma residência civil, construída no século XVI, de configuração renascentista».

Este é um dos poucos exemplares deste tipo de edificações, não só no distrito de Lisboa, mas também no resto do país. Existem já poucas casas senhoriais deste género e época, e, mais ainda, que tenham chegado até aos nossos dias com poucas alterações em relação à construção inicial.

O seu valor foi corroborado pela classificação como Imóvel de Interesse Público em 1982, diploma que estabeleceu igualmente uma zona especial de proteção.

Mandado construir no séc. XVI por Jorge de Barros, feitor de D. João III na Flandres, e considerado um exemplo da arquitetura residencial renascentista em Portugal, o Palácio Valflores, foi classificado, em 2015, como um dos 14 monumentos mais ameaçados na Europa, segundo uma lista divulgada pela Europa Nostra, principal organização europeia do património.

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