Se Alvalade é um bairro a ter em conta sempre que falamos do melhor da cidade, também o mercado é uma paragem obrigatória quando compras é o que quer fazer. Alguns dos melhores frescos de Lisboa estão no Mercado de Alvalade.

Alvalade é sempre o bairro obrigatório, quando se fala nos sítios mais distintos da cidade. O Mercado de Alvalade Norte confirma essa regra, porque se distingue pela oferta e diversidade dos frescos.

Num típico dia de semana, são poucos os clientes que aproveitam para abastecer as suas dispensas no mercado. A maioria são idosos que procuram o essencial para as refeições do dia.

Fundado em 1877, é um dos mercados históricos da cidade. Renovado em 2017, ganhou uma nova vida com espaços de restauração e lazer, à semelhança. O dia mais forte em movimento é o sábado, quando as pessoas têm disponibilidade para fazerem compras. E, segundo alguns comerciantes, muitos estes clientes são jovens, que preferem o mercado às grandes superfícies.

Os comerciantes apostam forte na frescura dos produtos, com um stock renovado diariamente. E isso, aparentemente, está a ser um argumento de peso para captar novos clientes.

Mas não é só de produtos frescos que se faz a história deste espaço. O mercado é rodeado por pequenas lojas que vendem de tudo um pouco. Muitas delas pertencem a imigrantes que ali encontraram uma oportunidade para ganhar a vida. Roupa, malas, carrinhos de compras, floristas, talhos e até roupa de cama, há de tudo um pouco.

O Mercado de Alvalade Norte completou 55 anos em julho. Foi reinaugurado pela Câmara Municipal de Lisboa a 22 de julho. As obras de requalificação, um investimento de 300 mil euros, incluíram, entre outras, a instalação de um parque infantil, a remodelação total das instalaçõeses sanitárias e a construção de uma zona de lazer e de consumo alimentar.

Faltam clientes

O mercado de Alvalade é a segunda casa de Alcindo Santos, onde passou os últimos 32 anos da sua vida. No bairro, já conta com mais de 50 anos e conhece as vivências e mudanças que aqui ocorreram. “As últimas obras que realizaram melhoraram as condições, mas podiam ter ido mais longe. Podiam ter instalado uma zona de frio”, refere este comerciante.

“Isto está cada vez pior. Nota-se desde que fizeram as obras. Fizeram um parque infantil para os miúdos e uma zona de lazer, com esplanada. Melhorou um pouco aos fins-de-semana. Aparecem mais jovens, que gostam de vir ao mercado”.

No entanto, para atrair mais clientes, defende que “os clientes deveriam ter direito a uma hora de estacionamento gratuita para fazerem as suas compras. Isso já trazia mais gente”.

Manuela Rosa, proprietária de uma banca de fruta e legumes, está em sintonia com os outros colegas do mercado, sublinhando: “agora, as coisas estão piores, exceto o sábado quando há mais movimento. Durante a semana há pouco movimento”.

Ao sábado, “tanto aprecem clientes habituais como os de passagem”. Esta falta de movimento – refere – “já se verifica há uns anos”. Os motivos são vários.

Dona de um espaço de charcutaria e queijos, Elisa Marmelo é uma excepção: “Não me posso queixar. Mesmo assim, vendo sensivelmente o mesmo que nos outros anos. Os dias mais fortes são terça, sexta e sábado”.

Há seis anos a vender produtos diretamente do produtor, esta comerciante consegue praticar preços mais competitivos que os colegas. Mas Elisa Marmelo não se limita a vender os produtos expostos aos clientes e deu mais um passo em frente: “Temos uma atividade agregada a esta. Fazemos alguns eventos dentro dos nossos artigos”.

Os clientes gostam deste espaço, especialmente desde que foram feitas as obras de remodelação, com a criação de um espaço de lazer, com esplanada e consulta de jornais e revistas gratuita, onde as pessoas podem sentar-se a tomar o seu café ou pequeno-almoço.

Esta mudança agrada muito a António Esteves, 57 anos, que há vários anos é cliente assíduo do mercado. “Este espaço de lazer é ótimo para descansar um pouco e é agradável. Posso beber aqui o meu café e ler o jornal. E quando preciso faço as minhas compras”. Este cliente pensa que estas melhorias foram uma mais-valia para o mercado.

Apesar de as opiniões se dividirem, todos gostam do ambiente do mercado e não trocavam este espaço por nenhum outro.

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