Afinal as praias da Costa da Caparica vão continuar a poder ser utilizadas pelos veraneantes mesmo com os trabalhos de «injeção» de 1 milhão de metros cúbicos de areia a decorrerem nas praias.

A reposição de areia em dez praias da Costa de Caparica, em Almada, numa operação que vai decorrer até Outubro, iniciou-se hoje na praia da Saúde, mas apenas cortou uma parte do areal, tendo pouco impacto nos utentes e concessionários que se mostraram compreensivos com esta obra tão «necessária», revelou a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês Medeiros, salientando que esta solução, apesar de não ser definitiva, vai «travar o avanço do mar», contribuindo para uma melhor proteção de pessoas e bens.

Após ter anunciado que estão a ser estudadas soluções de longo prazo, sem alterar a «dinâmica do mar» para solucionar este problema de erosão da Costa da Caparica, Inês Medeiros fez questão de realçar, durante a cerimónia de consignação da obra, que a «erosão desta zona balnear está à vista de todos».

A «redução do areal é evidente e os impactos reais das mudanças climatéricas também são evidentes», alertou a autarca, recordando que «o mar pode calcar a zona das dunas, pondo em risco a vida de pessoas».

Apelando à memória das pessoas, Inês Medeiros lembrou que, «há dois invernos, o mar entrou pela costa adentro». A experiência veio demonstrar, de uma forma negativa, «a necessidade de repor areias de uma forma mais eficaz».

«Esta intervenção é uma obra de proteção costeira e tem como objetivo a proteção de pessoas e bens através da melhoria da proteção da costa contra o desgaste e destruição provocados pela ação dos agentes hidráulicos de erosão», explicou Inês Medeiros.

A presidente da Câmara de Almada defendeu, ainda, que esta operação «vai ter um impacto muito positivo na qualidade de vida de todos: moradores, visitantes e concessionários».

Praias abertas

Apesar das repercussões que, obviamente, esta empreitada vai ter na vida dos veraneantes que usam esta praia para «descansar» de um árduo ano de trabalho, Inês Medeiros promete que «a empreitada vai incomodar o menos possível os banhistas».

Aliás, por meras questões de segurança, «as praias serão pontualmente confinadas na dimensão do espaço necessário para realizar os trabalhos. Não estando previsto o encerramento total de qualquer uma das praias que vão ser alvo destas intervenções» como aquela que é aqui vista”, garantiu, por seu lado, a secretária de Estado do Ordenamento do Território e Conservação da Natureza, Célia Ramos.

As praias serão “intervencionadas rotativamente” e que cada uma «só encerrará por um período curto, permitindo a utilização das praias restantes», salientou.

Segundo a governante, a obra terá «um impacto muito significativo na proteção de todo o sistema urbano de proteção de pessoas e bens», além do «alargamento das áreas de praia para fruição por parte das populações».

Altura ideal

O vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado, declarou, por sua vez, que os trabalhos estão a ser efetuados durante a época balnear porque «é a altura do ano em que o mar oferece condições».

«A nossa janela de tempo para trabalhar no litoral é sempre curta porque temos sempre duas dificuldades: o mar agitado que limita a nossa intervenção e a questão da época balnear», esclareceu.

Segundo o responsável, a zona litoral de Almada «está no ‘top’ cinco das áreas da orla costeira de Portugal continental que está mais exposta ao risco de erosão costeira», adiantando que «entre 1950 e 2007 o mar avançou mais de 150 metros» nesta zona.

Obras até outubro

Até 26 de agosto, estarão em intervenção as praias da Saúde e Nova, seguindo-se para norte, terminando na praia de São João, a 12 de outubro, sendo possível consultar todas as datas na página da APA.

São mais de um milhão de metros cúbicos de areia que serão distribuídos por dez zonas balneares, aproveitando as areias retiradas do Canal da Barra Sul, na entrada do estuário do Tejo.

A empreitada, com um prazo de execução de 60 dias, é realizada em parceria com a Administração do Porto de Lisboa e tem um investimento total na ordem dos 5,8 milhões de euros, sendo financiada por fundos comunitários do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR).

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