A ministra da Cultura, Graça Fonseca, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, inauguraram a Feira do Livro de Lisboa e, ambos, desdramatizaram a crise no setor dos livros.Ainda não tinha sido oficialmente inaugurada e já eram milhares os «amantes dos livros» que passeavam pelas duas alas do parque Eduardo VII e, literalmente, «estacionavam» em alguns stands a ver as novidades livreiras.

Fernando Medina, que confessou aos «Olhares de Lisboa» que, em relação aos livros, «não tem um orçamento definido», adquiriu quatro volumes, entre eles «As Cinco Grandes Revoluções da História de Portugal» e, como bom amante de livros, «cheirou» outros sobre a Guerra Civil Espanhola e alguns títulos editados pela Fundação Gulbenkian. Já a ministra da Cultura, Graça Fonseca, que também não tem um orçamento fixo para gastar na Feira do Livro, aproveitou para ver as novidades para, numa próxima oportunidade, com mais tempo, voltar à Feira do Livro e adquirir a obra que gostaria de ler ou reler.

A primeira visita dos governantes ao recinto decorreu com mais calma porque, antecipou Medina a brincar, «o Presidente Marcelo está fora e só vem à Feira na sexta-feira. Portanto, hoje teremos mais calma e não seremos empurrados pela torrente de selfies habitual.»

A crise do setor foi o tema principal dos discursos de Graça Fonseca e de Fernando Medina, após o presidente da APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros), João Alvim, afirmar: «Depois da quebra da procura do livro estamos estabilizados no setor, mas não se recuperou a anterior situação. A médio e longo prazo a situação também é preocupante devido à iliteracia.”

Segundo o presidente da APL, «é preciso aumentar o investimento no desenvolvimento da capacidade de ler desde cedo.»

Por seu turno, a ministra da Cultura considerou a Feira do Livro como um «momento-chave da cidade e da leitura», salientando que foi na Feira que «construiu memórias a partir dos livros e dos autores quando vinha com os pais à Feira».

Do ponto de vista da governante, a Feira do Livro é um dos poucos eventos que sempre se manteve ao longo de mais de oito décadas na cidade e definiu a «leitura como forma participativa de cidadania», lembrando que «para o Governo as políticas do livro são importantes».

Já Fernando Medina, que sublinhou a grande afluência de novos editores e autores na 89ª edição, anunciou que 90ª, que vai acontecer em 2020 quando Lisboa for a Capital Verde da Europa.

O autarca referi ainda que a crise do livro está em contraciclo: «Quando se vai à Feira vê-se que é tudo ao contrário tantas são as pessoas,» acrescentando «a  morte do livro já foi anunciada demasiadas vezes para ser levada a sério.» E insiste: «Esta Feira mostra vitalidade do setor e na relação dos leitores com o livro.»

A Feira do Livro de Lisboa decorre até dia 16 de junho e terá mais de 1300 momentos animação promovidos pelas editoras.

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