Novo Comandante dos Bombeiros de Linda-a-Pastora defende: FORMAÇÃO É BASE DA BOA PRESTAÇÃO DE SOCORRO

«Construir» os bombeiros do século XXI, baseado na convergência entre desempenhos voluntários com uma verdadeira competência profissional, adquirida nos diversos cursos e ações de formação, é um dos objetivos do novo comandante dos Bombeiros de Linda-a-Pastora.

Uma das maiores dificuldades que os bombeiros enfrentam atualmente é a falta de voluntários. O «pessoal gosta de ser voluntário», mas, «os compromissos sociais e familiares não lhes permite, em muitos casos, abraçar a vida de bombeiro voluntário». Esta afirmação é proferida pelo atual comandante da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Linda-a-Pastora, José Miranda, que recentemente substituiu o comandante Jorge Vicente, que ingressou no Quadro de Honra ao fim de 44 anos de atividade, dos quais 23 como Comandante, um homem que o marcou profundamente e que é uma das suas referências de vida.

José Miranda, que aos 14 anos de idade ingressou nos bombeiros de Linda-a-Pastora e, aos 41, tomou posse como comandante da corporação, numa cerimónia presidida por Inigo Pereira, presidente da União de Freguesias de Carnaxide e Queijas, que, na altura, enalteceu o trabalho desenvolvido por Jorge Vicente, ao longo de várias décadas, ao serviço da Associação Humanitária dos Bombeiros de Linda-a-Pastora. Sobre José Miranda, o presidente da União de Freguesias, destacou as capacidades de liderança do novo comandante.

Em entrevista a Olhares de Carnaxide e Queijas, José Miranda, falou do «legado enorme» que herdou, sublinhando que tenciona «cumprir e bem a missão, para que nada falte a quem pede o nosso apoio», pedindo a todo o efetivo que se mantenha «firme nos seus projetos e compromisso» e que, dentro das suas possibilidades, «consigam manter o espírito de equipa».

Na entrevista que nos foi concedida, o novo comandante «envia», também, uma palavra de agradecimento a todas as famílias dos soldados da paz, frisando que são o grande suporte dos voluntários, e que, muitas vezes, «se esquece esta parte», mas «as famílias fazem um grande sacrifício para que os bombeiros estejam disponíveis e possam prestar socorro quando é necessário, principalmente quando se fala em regime de voluntariado que cumprem uma escala de serviços semanalmente e abdicam de vários fins-de-semana e noites para estarem ao serviço de todos».

«Deixamos tudo, deixamos a nossa família em prol desta causa, que são os bombeiros», salienta José Miranda, frisando, ainda, o excelente relacionamento entre o comando e a direção, assim como o apoio importante dado pela Câmara Municipal de Oeiras às corporações de bombeiros do concelho, nomeadamente na aquisição de viaturas, Equipamentos de Proteção Individual (EPI), fardamentos e material.





Cooperação entre as corporações do concelho

No concelho de Oeiras intervêm sete corpos de bombeiros com missões distintas que variam em função das características e das exigências das áreas de intervenção, mostrando sempre uma atitude resiliente

Ainda que a emergência pré-hospitalar e o transporte de doentes constituam o «grosso» da sua atividade diária, esta corporação tem ainda grande atividade , infelizmente, na área dos acidentes rodoviários que, diariamente, sucedem na A5 e na CREL

À frente do comando do corpo ativo há poucas semanas, José Miranda abraça de corpo e alma esta «missão de salvaguardar pessoas e bens», estando nesta vida por «vocação» e pelo «gosto» de servir quem dele precisa.

Licenciado em Geografia e a trabalhar no comando Distrital de Socorro de Lisboa, o comandante dos bombeiros de Linda-a-Pastora lembra que um dos princípios da corporação é ter sempre presente o espírito de entreajuda e partilha na resolução de situações, tendo em vista a proteção de pessoas, bens e ambiente. Ou seja, independentemente da zona onde estão inseridos, os 52 bombeiros de Linda-a-Pastora, dos quais 23 são assalariados, estão sempre disponíveis para colaborarem com as restantes corporações do concelho, e não só. Todos os anos, integram o dispositivo de combate a incêndios rurais, , onde participam em vários teatros de operações de norte a sul do país,, com dois veículos.

«Sempre que temos recursos humanos e veículos disponíveis, dentro do enquadramento que é este dispositivo, colaboramos com as outras corporações que necessitem do nosso apoio», afirma José Miranda, para quem a Proteção Civil somos todos nós!

E, é por isso que recomenda a reflexão sobre o que é que, diariamente, fazemos para melhorar a nossa segurança e a nossa forma de estar, porque a «salvaguarda de pessoas e bens passa por cada um de nós, pela nossa capacidade de perceber quais são as nossas responsabilidades em sociedade».

Nesse sentido, pretende reforçar a cooperação com as empresas, com o objetivo de melhorar as condições de segurança dessas instituições, lembrando que muitas delas já tem no seu organograma elementos de segurança e proteção civil.

Formação está na base de socorro de qualidade

Com um quartel operacional e com um parque de viaturas a ser renovado, José Miranda anuncia, para breve, a aquisição de uma viatura mista, que permite o combate a incêndios urbanos e industriais e a prestação de socorro em acidentes rodoviários.

Apta a prestar socorro em todas as vertentes, a corporação garante que, em termos operacionais, pode responder a qualquer tipo de incidente que ocorra no território que lhe está adstrito. «Temos 6 equipas de piquete, constituídas por 7/8 elementos, que garantem o socorro permanente, 24 horas sobre 24 horas», revela.

Mas, para assegurar a qualidade da prestação de socorro, a «formação é essencial para a qualidade do desempenho dos operacionais do corpo ativo», destacando que, para além da formação interna ministrada pelos formadores do corpo de bombeiros, existe a formação externa da Escola Nacional de Bombeiros, com cursos de formação de quadros de comando, de ingresso e acesso na carreira de oficial bombeiro, de acesso na carreira de bombeiro voluntário e cursos de formação e aperfeiçoamento técnico.

Nos últimos tempos, recorda José Miranda, «tivemos um vasto leque de acções de formação, que são para continuar, porque a formação é um dos pilares para o sucesso», lembrando que ações «de formação própria para cada elemento da hierarquia».

Assumindo a formação como uma das prioridades da corporação, o comandante mostra-se «orgulhoso» por todo o seu corpo activo ter tido formação especifica, relembrando que se «está a falar de voluntários, a frequentarem cursos de muitas horas nas folgas dos seus empregos, sendo de louvar a disponibilidade e o grande sacrifício destes homens e mulheres».

É esse espírito de sacrifício, de disciplina e de amor à causa que leva José Miranda a defender: «A maior licenciatura que existe em Portugal é a dos bombeiros que tem de perceber de tudo para conseguir prestar um socorro qualificado e de qualidade à população».

«Temos de ter conhecimentos de suporte básico de vida, na prestação de cuidados de saúde, transportar doentes, realizar desencarceramento em acidentes rodoviários e, por outro lado, dominar todas as técnicas de combate a fogos, sejam eles urbanos, industriais ou rurais. Ou seja, temos que ter conhecimentos profundos sobre os diferentes incidentes com que nos deparamos na nossa vida de bombeiros», afiança José Miranda, reforçando assim a sua afirmação de que os «bombeiros tem a maior licenciatura do país».

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