PAÍS VOLTA A FECHAR E ESPERAM-SE 14 MIL CASOS/DIA

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O Primeiro Ministro admitiu, hoje, que o novo confinamento terá um «perfil semelhante ao adotado no início da pandemia, no período de março e abril». O Presidente da República, por seu turno, considera necessário voltar a fechar o país, esperando-se 150 óbitos diários no final de janeiro.

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou hoje que há um grande consenso para que as medidas de confinamento geral a decretar tenham um horizonte de um mês, dado Portugal estar a registar uma dinâmica de «fortíssimo crescimento de casos de covid-19». Esta posição foi assumida por António Costa no final de mais uma reunião destinada a analisar a evolução da situação epidemiológica em Portugal, no Infarmed, em Lisboa, na qual o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, participou por videoconferência.

Mas, desde já, sabe-se que a avaliação no ensino superior não vai ser interrompida e que as novas medidas adotadas terão o horizonte temporal de um mês. Estas são algumas das informações que o primeiro-ministro já deu a conhecer ao país. As medidas para o novo estado de emergência, que contará com um novo confinamento geral, serão anunciadas amanhã, quarta-feira, depois da reunião do Conselho de Ministros, mas António Costa já levantou a ponta do véu.

Aliás, o primeiro-ministro declarou que na reunião com os epidemiologistas permitiu que concluir que «houve um grande consenso sobre a trajetória de crescimento de novos casos de infeção do novo coronavírus e que as medidas devem ter um horizonte de um mês».

«Estamos perante uma dinâmica de fortíssimo crescimento de novos casos que é necessário travar», salientou António Costa.

Do ponto de vista de vários especialistas, o período de alívio das medidas de restrição pode ter custado um preço muito elevado. A permissão de circulação entre concelhos e o alargamento do horário do recolher obrigatório durante a época do Natal foram fatores decisivos.





Perante os cerca de dez mil casos de infeção diários, registados na última semana, o Governo não teve outro caminho e o país vai voltar a fechar, tal como aconteceu no início da pandemia.

Este regresso a um confinamento geral implica o encerramento de alguns setores de atividade, tais como os restaurantes e comércio não-alimentar. O Ministro da Economia já garantiu que as empresas terão apoios.

As deslocações serão restringidas ao essencial, mas vai ser permitido sair para exercer o direito de voto no dia das Presidenciais. No Ensino, há mais de sessenta surtos ativos nas escolas neste momento, mas as portas vão continuar abertas.

Segundo o primeiro-ministro, a manutenção das aulas presenciais para os níveis de ensino de alunos a partir dos 12 anos será ponderada pelo Presidente da República, Governo, parlamento e outros agentes do setor da educação.

O tema que causa maior divergência entre os especialistas tem que ver com o funcionamento das escolas. De acordo com os especialistas, «até aos 12 anos nada justifica o encerramento das escolas», defende António Costa, mas, a partir dessa idade, «as divergências entre os especialistas foram muito grandes».

Ainda assim, o primeiro-ministro refere que continuam os diálogos e que ​​​​​​«não é a escola que é um foco de infeção, mas sim mais um fator de movimentação das pessoas que pode resultar em mais infeções».

14 mil casos/dia

Mas, mesmo com confinamento, Portugal terá 14 mil casos e até 150 mortes por dia, revela o epidemiologista Manuel Carmo Gomes na reunião de especialistas no Infarmed, salientando que «será preciso aguardar oito semanas para que número de casos desça para valores registados antes do Natal.

O epidemiologista da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa prevê que nas próximas duas semanas o país chegue a 14 mil casos diários de infecção. «Temos pela frente as semanas mais difíceis da pandemia», alertou o especialista, avisando que, mesmo com o confinamento geral e o encerramento das escolas «dificilmente evitaremos os 14 mil casos daqui a duas semanas», data em que o número de mortos por covid-19 rondará os 150 por dia.

«Até que se chegue ao pico – equivalente às 14 mil infeções diárias – teremos de aguardar duas semanas, sendo depois necessárias outras três para que o número de casos desça até aos sete mil diários. Depois, para que o número de infecções diárias se estabilize entre as sete mil e as 3500, será necessário aguardar outras três semanas», de acordo com a previsão do especialista.

Médicos pedem confinamento geral

Perante este cenário, Carla Araújo, do Gabinete de Crise covid-19 da Ordem dos Médicos e também médica internista no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, em entrevista à SIC Notícias, aponta como caminho para travar o aumento do número de casos o «confinamento geral». No entanto também diz ser preciso «ajuda de todo o sistema, ou seja, não só o SNS, mas também dos hospitais privados e do setor social».

«Todos têm de ser chamados, nunca em Portugal tivemos a pandemia tão descontrolada como está agora», afirma a médica, sublinhando que os hospitais «precisam que todos os meios sejam disponibilizados, porque neste momento já se corre atrás do prejuízo» e o próximo passo poderá ser «escolher doentes, escolher quem tratar». Por isso, «é urgente tomar medidas e acionar todos os meios possíveis», defende.

Requisição civil

Por seu turno, a ministra da Saúde admite avançar com uma requisição civil, perante o aumento de internamentos nos hospitais, adiantando que existem 19 convenções celebradas no Norte do país com outros setores (privado e social) para garantir 150 camas para doentes covid e outras tantas para doentes não covid, reconhecendo, contudo, que em Lisboa a capacidade é menor, com cerca de 100 camas e muito espalhadas por várias instituições, o que «dificulta a gestão dos processos dos doentes».

Desde março, Portugal já registou 7.925 mortes e 489.293 casos de infeção pelo vírus SARS-CoV-2, estando esta segunda-feira ativos 109.312 casos, mais 2.534 em relação a domingo.

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