Lisboa, em 1988, viveu o mesmo drama que Paris viveu ontem. Na altura, o mundo assistiu em direto à destruição do Chiado. Ontem, em Paris, também assistimos, em direto, ao incêndio que destruiu um templo com nove séculos de história.A 25 de agosto de 1988, em Lisboa, as chamas devoraram vários edifícios do Chiado e deixaram em ruínas aquela zona histórica de Lisboa em menos de cinco horas. Às duas vítimas mortais e dezenas de feridos juntou-se o desespero de quem perdeu o emprego ou o investimento de uma vida. Ontem, os parisienses também sentiram a mesma angustia dos portugueses ao verem as chamas devorarem parte importante do seu património histórico.

Aquele dia, à semelhança do que está a suceder em Paris, ficou para a história da capital e de Portugal. Não se falava de outra coisa naquele final de verão de 1988. O incêndio devorou grande parte dos edifícios (um total de 18) na ruas Garrett, do Carmo, e Nova do Almada, deixando cinco famílias e outras 20 pessoas sem casa. Era já na altura uma zona pouco habitada, dedicada sobretudo ao comércio e serviços, mas que representava uma parte importante do nosso património.

Volvidos cerca de 31 anos sobre a tragédia portuguesa, o mundo foi, outra vez sobressaltado, quando as chamas deflagraram no telhado da catedral de Notre-Dame por volta das 17h50, hora de Lisboa. O fogo alastrou-se depois para a torre mais alta da catedral, o pináculo, que acabou por ruir às 18h53, Pouco depois, às 19h07, todo o telhado de Notre-Dame colapsou, segundo uma fita do tempo feita pela Reuters.

Os bombeiros de Paris declararam extinto o incêndio na catedral de Notre Dame em Paris, França, depois de quase 400 «soldados da paz» terem combatido as chamas durante mais de nove horas.

«Depois de mais de nove horas de combate feroz, quase 400 bombeiros de Paris superaram o fogo aterrador», anunciaram os bombeiros parisienses nas redes sociais, assinalando que dois policias e um bombeiro «ficaram levemente feridos».

«A estrutura da catedral está salva e as principais obras de arte foram salvaguardadas, graças à ação combinada dos diferentes serviços do Estado que trabalharam a nosso lado», segundo os bombeiros da «cidade luz».

Lisboa está preparada

Hoje, passados cerca de 31 anos, os bombeiros portugueses - segundo algumas fontes contatadas por Olhares de Lisboa - estão «mais preparados, quer em conhecimento técnico e respetivo manuseamento de equipamento necessário ao cumprimento da missão, quer em equipamentos de proteção individual, quer inclusive na sua preparação física, tão determinante para a eficácia da sua intervenção no teatro de operações».

Todavia, como salientam, «incêndios como o do Chiado, o do edifício da Câmara Municipal de Lisboa (em 1996) e, agora, o na Notre-Dame, com grandes cargas térmicas, são sempre complicados». Contudo, realçam, em Lisboa  existem um conjunto de medidas, que vão desde os meios técnicos de primeira intervenção, a um conjunto vasto de normas e regras preventivas, que estão a ser aplicadas nos monumento nacionais que minimizam os riscos de incêndio.

Após o Chiado, recordam elementos ligados à Proteção Civil, o «combate aos incêndios e a proteção de pessoas e bens evoluíram de forma contínua e sistemática em prol de uma cultura de serviço público que se pretende de Qualidade». A organização e o posicionamento dos meios no teatro de operações, os postos de comando, os próprios meios de intervenção de combate a incêndios estruturais, a formação dos operacionais de socorro, as condições de segurança destes operacionais em situação de ocorrência, a legislação de segurança em matéria de edificado, a consciência coletiva de medidas de autoproteção, são alguns dos exemplos que marcam a viragem do século em matéria de evolução do serviço de socorro na cidade de Lisboa.

Para os bombeiros lisboetas, as «condições de construção dos edifícios, impostas pela regulamentação de segurança contra incêndios, são hoje uma mais-valia para o combate a incêndios estruturais», na medida em que são determinantes na proibição de utilização de materiais de construção com elevado potencial inflamável.

Mas, como recordam, a realidade arquitectónica da cidade de Lisboa não se esgota na construção de novos imóveis. A sua história e cultura centram-se nos bairros antigos onde a construção continua a apresentar características de risco. No entanto, acreditam que a gestão dos espaços, através da «definição e implementação de Medidas de Autoproteção, são a maior aposta de segurança contra incêndios, porque envolvem as pessoas, construindo-se assim uma consciência dos riscos e uma natural cultura de segurança».

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