Não se pretende, neste conto de quatro contos de outros tantos quadros e, principalmente, nesta quadra que é dada a tantos outros contos, dissertar sobre as origens da marca do Comércio no Natal ou da marca do Natal no Comércio.

Não se pretende, tão pouco, traçar cenários, prospetivando aquilo que poderá vir a ser o futuro de uma tal relação, entre o Comércio e o Natal.

A pretensão deste conto, longe de ser pretensioso, mais longe, ainda, de visar poder culminar numa qualquer moral, não de história, nem de conto, visa tão só contextualizar várias encenações nas quais distintas representações ocorridas nas últimas décadas, sendo que, se para alguns dos contadores, poderemos estar na esfera da História e da Cultura, para outros apenas perante histórias, porventura culturas.

Em linguagem de Comércio, e apenas para não enveredar por campos da Sociologia, é de assumir o risco da simples, mas efetiva, destrinça entre compras e consumo, e, deste modo, quase tudo ficará … escrito, porventura contado, em termos da quadra e seus quadros!

Era uma vez um comprador que comprava no Comércio, durante o Natal.
Era uma vez um consumidor que consumia nos comércios, durante o Natal.

Este breve introito contextualizará os quadros de uma quadra, ora vivida, que assim se justificará, em quadro(s) de todos conhecido(s), mas que suscita(m) distinta interpretação, pois como bem se sabe, quem conta um conto …!

Ainda que renovável a cada ano, vamos, paulatinamente, assistindo ao quadro, sem atribuirmos o devido valor aos valores da quadra e, ao que parece, valorizando, excessivamente, o valor dos quadros.

A suposta evolução, que para simplificar, retrato em quatro simples quadros alusivos à quadra, assenta nas figuras, quiçá protagonistas, dos sucessivos quadros a que temos vindo a assistir e a integrar, mais como figurantes do que propriamente como atores cujo papel é bem mais relevante do que aquilo que muitos poderão, erroneamente, julgar.

Uma primeira abordagem possível assenta em dois eixos de análise – “tempo(s)” e “vontade(s)”, com recurso a uma escala – “velho” ou “novo” , em que os eixos traduzem necessariamente, evolução, sendo que a própria escala não escapa a essa transformação que tanto tempo(s) como vontade(s), inevitavelmente, arrastam sempre consigo.

Neste contexto, aos quatro quadros, aos quais associo uma certa narrativa incerta que visa ilustrar o respetivo cenário/encenação, atribuí-lhes  designações, facilmente, apreendidas por todos (e baseadas em tópicos que fundamentam essa narrativa-base):

  • QUADRO 1: Cenário/Encenação – “O Menino Jesus e a Prenda no Sapatinho”: “Velhos Tempos, Velhas Vontades”; a Tradição; a Religião e a Fé; o Crer; a Lembrança e a Recordação.
  • QUADRO 2: Cenário/Encenação – “O Pai Natal, a Carta e o Saco dos Presentes”: “Tempos Velhos, Vontades Novas”; a Modernidade; o Simbolismo; o Querer; as Compras.
  •         QUADRO 3: Cenário/Encenação – “Popotas, Leopoldinas e outros … Apelos ao Consumo”: “Novos Tempos, Vontades Velhas”; o Modernismo; o Marketing; a Massificação; o Consumo.
  • QUADRO 4: Cenário/Encenação – “Feliz NET´AL em Multi-Experiências Consumistas”: “Tempos Novos, Novas Vontades”; as Novas Tecnologias; a Informação; a Ostentação; o Consumismo.

(…)

E assim poderemos dar por terminado este conto sem que dele se retire a tal moral que poucos arriscarão em contar a outros, passando a palavra, sem apalavrar, se é o Natal que é comercial ou se é o Comércio que é Natalício!

João Manuel Barreta

(Ex-Diretor Municipal das Atividades Económicas da CMLisboa)

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