O futuro do Mosteiro de São Dinis e São Bernardo, em Odivelas, está nas mãos da população que, até 31 de março, pode participar na Consulta Pública sobre o «destino a dar» a este monumento nacional.Desde ontem, 9 de março, está a decorrer a Consulta Pública sobre o futuro do Mosteiro de São Dinis e São Bernardo, mais conhecido como Mosteiro de Odivelas. Até ao momento já apareceram várias propostas para o local, nomeadamente na área da educação e da cultura.

Sábado, durante o Dia Aberto do Mosteiro, cerca de 40 odivelenses apresentaram propostas para este monumento nacional, construído em 1310. Por exemplo, Maria dos Anjos Cohen, Celeste Rosas e Filipa Coelhosa, entre outros, querem uma instituição de ensino superior. José Pedroso, por outro lado, quer um espaço para instalar um museu de automóveis clássicos. Já Celestino António Costa e João Marques querem uma Universidade Sénior. Ana Rita Pina Vasco, por seu turno, propôs uma escola de arte para jovens inadaptados, crianças e adolescentes. No mesmo sentido vai a proposta de Maria Eulália que quer que o mosteiro albergue o Consultório de Música D. Dinis, uma creche pública e um lar de idosos.

Todavia, como realçou Maria Cecilia não faz sentido pensar em atividades para o mosteiro se não existir um plano integrado de urbanismo de toda a zona envolvente.  Em resposta, o presidente da edilidade, Hugo Martins, afirmou: «só faz sentido pensar neste espaço de uma forma integrada, havendo a necessidade de se criarem zonas de lazer, de comércio, de estacionamento, etc.».

No entanto, como ressalvou Hugo Martins já estão pensados alguns projetos para o Mosteiro e para os terrenos adjacentes, nomeadamente a criação de um Centro Interpretativo, de um “grande” Parque Urbano e a instalação de serviços municipais, atualmente dispersos pelo concelho.

A Consulta Pública, a decorrer até às 24 horas do dia 31 de Março, é «uma oportunidade para a população e as entidades interessadas apresentarem propostas e contributos, visando a construção coletiva de um processo dinâmico e de cidadania, cuja participação pode igualmente ocorrer através do portal da Câmara Municipal», afirmou o presidente da Câmara Municipal de Odivelas, Hugo Martins, durante o Dia Aberto do Mosteiro de Odivelas.

O autarca explicou que a gestão do Mosteiro vai permitir à autarquia «salvaguardar este monumento e colocá-lo à disposição da população».

Nas instalações do Mosteiro de São Dinis funcionou, até ao fim do ano letivo de 2014/2015, o Instituto de Odivelas, propriedade do Ministério da Defesa, tendo depois sido transferido para Lisboa.

Esta transferência resulta de um acordo de cedência assinado entre o município de Odivelas, do distrito de Lisboa, e o Ministério da Defesa, proprietária deste monumento.

O acordo de cedência tem um prazo de 50 anos e implica um investimento previsto, por parte da Câmara de Odivelas, de cerca de 16 milhões de euros em obras de requalificação, bem como o pagamento de uma renda mensal de 23 mil euros, anualmente atualizável.

Um Concelho jovem com séculos de história

Odivelas é um município jovem, com apenas 20 anos de existência, mas com um passado que atravessa muitos séculos e importantes momentos do percurso de Portugal enquanto país.

D. Dinis, um dos reis maiores da nossa História, está sepultado no Mosteiro de Odivelas, um monumento nacional de reconhecido prestígio, significado histórico e cultural, cuja construção remonta ao séc. XIII.

No Mosteiro de Odivelas funcionou, durante mais de um século, o Instituto de Odivelas, uma instituição de ensino de referência nacional que encerrou portas no final do ano letivo 2014/2015, tendo ficado ao abandono.

Face ao atual estado de degradação e tendo em atenção a sua importância para o Concelho de Odivelas, em termos de identidade e raízes, a Câmara Municipal iniciou um processo de negociação que possibilitasse salvaguardar, reabilitar e valorizar este verdadeiro símbolo do território, como também assegurasse o importante e urgente restauro do Túmulo de D. Dinis.

Concluído com sucesso esse processo, a Câmara presidida por Hugo Martins quer «trazer uma nova vida ao Mosteiro de S. Dinis e S. Bernardo» e garantir a sua legítima fruição por parte da população e visitantes.

 

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