REGIÃO DE LISBOA NÃO VAI TER CERCAS SANITÁRIAS

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A ministra da Saúde, que no próximo domingo reúne com autarcas da região de Lisboa e Vale do Tejo, garantiu que não existe na AML situações epidemiológicas que justifiquem a adoção de medidas como a de cercas sanitárias.

 A ministra da Saúde, Marta Temido, que ontem efetuou reuniões com os presidentes das câmaras de Lisboa, Loures, Odivelas e Sintra por causa do aumento de novas situações de contágio de Covid-19 nesses concelhos da área Metropolitana de Lisboa.

A ministra da Saúde, nas reuniões com os autarcas, adiantou que, «neste momento, não temos situações epidemiológicas que possam justificar uma situação de cercas sanitárias», realçando que está a ser feito um grande esforço para se identificarem todos os casos.

A maior parte dos casos detectados – segundo afirma a Directora Geral de Saúde, Graça Freitas – está a ser «seguida em domicílio e a partir daí estamos a perceber os contactos de risco, a colocar em vigilância para quebrar a cadeia».

Em relação aos novos casos que se verificam na região de Lisboa e Vale do Tejo, a ministra sublinha que «desde meados de maio que o número de novos casos nesta zona se mantém alto e nos últimos oito dias representou em média mais de 85% dos novos casos registados no país.»

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa e também presidente da Área Metropolitana de Lisboa, Fernando Medina, considera que «o último reduto da infeção precisa sobretudo de intervenção no terreno. De pouco vale decretar mais medidas».

O presidente da autarquia lisboeta, que se reuniu ontem ao fim do dia com a ministra da Saúde, salienta que as medidas que estão a ser tomadas para a Área Metropolitana de Lisboa são «adequadas e proporcionais».

Mas, como explica a ministra Marta Temido, os números não se distribuem simetricamente. Loures, Odivelas, Amadora, Lisboa e Sintra são as principais preocupações.

Assim, e para controlar o contágio, estão a ser tomadas medidas específicas, de saúde pública, tendo em conta as características dos novos casos de covid-19 nestas zonas. A «estratégia de contenção» envolverá, «ao longo dos próximos dias» o reforço dos seguintes aspetos:

«O rastreio do novo coronavírus focado nas actividades em que se tem verificado maior incidência da doença, designadamente áreas ligadas à construção civil cadeias de abastecimento, transporte e distribuição, com grande rotatividade de uma parte dos trabalhadores e recurso a trabalho temporário;

A testagem de todas as pessoas relativamente às quais as autoridades de saúde tenham determinado vigilância activa por serem contactos dos referidos profissionais;

A determinação do confinamento obrigatório destas pessoas e a garantia do mesmo, com apoio dos serviços de segurança;

A identificação de locais alternativos para o confinamento domiciliário” quando se comprove que as condições de habitabilidade não reúnem os critérios de exequibilidade para o isolamento;

Acompanhamento clínico dos casos confirmados de covid-19 diariamente por profissionais de saúde, designadamente por visitas domiciliárias para melhor percepção do contexto e acompanhamento dos doentes».

A ministra da Saúde acredita que esta estratégia permitirá «reduzir o número de contágios e minimizar o risco de transmissão comunitária nesta região».

Loures fala de factores de contágio

Os presidentes da Câmara de Loures, Bernardino Soares, e da Câmara de Odivelas, Hugo Martins, estiveram reunidos com a ministra da Saúde, o Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, a Diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, e o Presidente do Conselho Diretivo da ARSLVT, Luís Pisco.

Bernardino Soares explica que, «o município, para além de estar a corresponder a todas as solicitações das autoridades de saúde, tem vindo a desenvolver, por iniciativa própria, iniciativas de proteção e sensibilização da população, como por exemplo a distribuição de máscaras comunitárias em larga escala, ou a presença de equipas de técnicos do Município em ações de sensibilização e distribuição de equipamentos de proteção, de forma dirigida, em determinadas zonas do concelho».

Mas como refere o autarca, a Câmara Municipal «considera essencial que as autoridades de saúde aprofundem o mais possível o conhecimento da realidade, tendo consciência de que este aumento de casos se explicará por uma multiplicidade de fatores, em que certamente se incluem as condições sociais e de habitabilidade de alguns extratos da população, a precariedade no emprego e a utilização de transportes públicos», lembrando que a edilidade «está a apoiar o trabalho das autoridades de saúde pública com pessoal técnico e administrativo.

Bernardino Soares revelou ainda que a Câmara «mantém operacionais as estruturas de apoio montadas a pedido das autoridades de saúde para acorrer às necessidades da pandemia», mostrando preocupado com as «recentes notícias que dão conta de dificuldades ao nível das vagas para internamento nos hospitais da região de Lisboa, incluindo o Hospital Beatriz Ângelo, suscitam-nos a maior preocupação».

O presidente da Câmara de Loures assegura que vai continuar a manter-se «uma atenção vigilante e atuante relativamente à situação sanitária», sublinhando que não existem, neste momento, razões para alimentar o alarmismo e o pânico. É essencial continuar a cumprir e difundir as orientações das autoridades de saúde para este período.

Odivelas sem focos específicos

Na reunião em que também esteve presente o presidente da Câmara Municipal de Odivelas, Hugo Martins, foi referido que a situação no concelho de Odivelas não apresenta motivo de particular alarme e que não se verifica nenhum foco específico de infeção a assinalar, continuando a sua monitorização a ser efetuada em permanência.

Todavia, segundo Hugo Martins, no âmbito da prevenção e contenção dos riscos de contágio associados à COVID-19, serão coordenadas operações de massificação de rastreio de trabalhadores em empresas e locais de trabalho com fatores de risco associados, na região da Grande Lisboa, bem como em zonas com um número maior de casos identificados. Será, também, dado um particular acompanhamento à situação dos transportes públicos.

O presidente da Câmara de Odivelas deixou uma mensagem de confiança, no que concerne à avaliação efetuada relativamente ao concelho de Odivelas, reiterando para a necessidade de comportamentos preventivos e responsáveis, por parte de toda a população, que visem diminuir o risco de propagação do vírus.

De manhã, Marta Temido esteve reunida com o presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta, que sublinhou a necessidade de se «atuar com ainda maior proximidade «no concelho de Sintra, para conter o vírus. No entanto, tem havido, segundo o autarca, «um défice de comunicação» por parte do Governo e das autoridades de saúde.

«Estivemos três dias consecutivos com zero casos confirmados. Antes, já duas ou três vezes aconteceu o mesmo. Depois, de repente, no quarto ou no quinto dia, aparecem 70 ou 80 casos. As pessoas pensam que esta região está numa situação de calamidade, o que não é verdade, e isso cria prejuízos de vária natureza», afirmou o presidente da Câmara de Sintra.

Basílio Horta lembrou que o concelho de Sintra é o segundo concelho mais populoso do país, apenas atrás de Lisboa, apelando «à consciência das pessoas» para que não haja retrocessos.

«A pandemia não acabou e a pior coisa que podia acontecer ao nosso país era ter de voltar para trás. Ao lado da crise sanitária, temos uma crise económica e social», destacou ainda Basílio Horta

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