Os Casamentos de Santo António são uma iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa com um forte cariz social para os jovens mais carenciados que, desta forma, conseguem cumprir as «suas juras de amor».No próximo dia 12 de junho, a Sé de Lisboa decora-se a rigor e recebe os Casamentos de Santo António, que vão ligar pelos «sagrados laços do matrimónio» 16 casais de noivos. Assim, na véspera das festas do santo casamenteiro lisboeta, para uns Santo António de Lisboa e para outros Santo António de Pádua, a capital portuguesa vai viver um dos seus eventos «mais amorosos» e que permite a 16 casais realizarem, todos os anos, um casamento de sonho sem custos, com ofertas e num dia único e especial.

Este ano, os Casamentos de Santo António celebram a sua 22.ª edição desde que voltaram a ser realizados, depois de um interregno após o 25 de Abril de 1974, evento no qual já deram o nó 704 pessoas.

Hoje, por volta das 12 horas, no Museu de Santo António, perto da Sé de Lisboa, foram conhecidos os casais selecionados para os Casamentos de Santo António que vão abrilhantar a cerimónia deste ano. Os Casais de Ouro, de 1969, também lá estiveram, cheios de vitalidade e energia, demonstrando que o amor pode ser para a vida inteira e que dá saúde e longevidade.

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Coube a Serenela Andrade, cara bem conhecida da RTP, desvendar quais os casais para este ano: “eles são bonitos e estão um bocadinho nervosos”.  De seguida, à vez, foram chegando os 16 casais que este ano vão dar o nó na véspera de Santo António abençoados pelo santo, no dia 12 de junho como é da tradição.

Seguiu-se a tradicional fotografia de família e os casais deram assim o tiro de partida para um dia inesquecível que para sempre ficará nas suas memórias. Vivam os noivos de Santo António!

Cerimónia única

A vereadora Catarina Vaz Pinto, da Câmara Municipal de Lisboa, após felicitar os noivos, fez questão de realçar que esta é uma «cerimónia única no mundo, que está enraizada na população e que cresceu imenso em termos de audiência».

Maria do Carmo Rosa, responsável da EGEAC por este evento, referiu também que «o orçamento do município de Lisboa para esta iniciativa é de zero euros, dado que tudo é organizado com recurso a parcerias», salientando que, «embora sejam parte das Festas de Lisboa, os casamentos são um dia que a organização quer que seja de romantismo».Aliás, a mesma opinião é partilhada por Paulo Umbelino, diretor-geral da Caetano Power do grupo Salvador Caetano, que considera que o «apoio concedido pelo grupo Caetano Power insere-se no espírito destes casamentos de apoiar as pessoas mais carenciadas em concretizar um sonho».

De «Noivas» de Sto António a «Casamentos de Sto António

Há 61 anos, o evento arrancava sob o nome de “Noivas de Santo António”, tendo decorrido até 1974, mas depois da revolução esteve 23 anos sem se realizar. Em 1997, a cerimónia foi reatada, batizada como «Casamentos de Santo António», depois de a iniciativa ter sido recuperada pela Câmara de Lisboa, durante o mandato do socialista João Soares. Este foi um ano excecional, dado que a cerimónia religiosa aconteceu na igreja de Santo António e não na Sé de Lisboa, como seria daí em diante. Desde essa data, foram já 352 os casais que deram o nó na cerimónia religiosa que decorre na Sé de Lisboa, bem como nos Paços do Concelho, onde acontece a cerimónia civil.Ao longo destes anos, 704 noivos e noivas escolheram o 12 de junho para casar, segundo revela Maria do Carmo Rosa, da EGEAC, acrescentando que «a média de idades ronda os 29, 30 anos».

Segundo a responsável, para montar um evento deste calibre, que junta ao todo 16 casais, são necessárias à volta de 1.100 pessoas. Cada casal tem direito a levar 20 convidados para as cerimónias e para o copo de água, que decorre na Estufa Fria.

Até 2010, a cerimónia civil decorreu no Museu da Cidade, no Campo Grande, mas nesse ano os casais passaram a contrair matrimónio nos Paços do Concelho.

Um pouco de história

Este acontecimento, de grande relevo para Lisboa, iniciou-se nos idos de 1958 quando, pela primeira vez, 26 casais ficaram unidos pelo matrimónio na Igreja de Santo António. O objectivo da iniciativa, então patrocinada pelo extinto Diário Popular, era possibilitar o casamento a casais com maiores dificuldades financeiras.

Depois de dezasseis anos de concorridas edições, a tradição foi interrompida em 1974. Trinta anos depois, a Câmara Municipal de Lisboa recuperou os Casamentos de Santo António com o mesmo propósito de proporcionar a união a dezasseis casais num dia memorável para as suas famílias e para todos os lisboetas.

Hoje, os Casamentos de Santo António constituem uma marca incontornável na tradição popular de Lisboa, contribuindo, em cada ano, para afirmar a identidade cultural da Cidade. Assim, no dia 12 de Junho de 2019, a tradição vai ser, mais uma vez, cumprida.

Segundo a Hemeroteca, a ideia para os casamentos nasceu de uma proposta apresentada pelo vereador Augusto Pinto, em reunião de câmara. O jornal “Diário Popular” decidiu imediatamente apadrinhar a iniciativa, e em 15 de abril de 1958, já anunciava pela primeira vez o evento, prometendo ajudar a realizar «essa tão bela ideia de promover o casamento de jovens dos bairros populares na manhã de Santo António», escrevia-se então.

Conforme explica o arquivo da autarquia, tanto nesse ano de 1958 como nos seguintes, este jornal foi fundamental para viabilizar os casamentos, “mobilizando a sociedade civil, criando uma onda de simpatia, captando e noticiando apoios de particulares, estabelecimentos e marcas comerciais”.

Tudo ou quase tudo foi responsabilidade e ajuda do “Diário Popular” e da sociedade por ele movimentada: desde a angariação de padrinhos, a automóveis para transporte dos noivos, aos vestidos e ramos das noivas, penteados, os fatos e os sapatos dos noivos, as alianças, os produtos para a boda, a lua de mel, e até os prémios: cursos de formação, mobílias, eletrodomésticos, bens de primeira necessidade. Em algumas edições, e mediante sorteio, chegaram a ser entregues apartamentos.

Depois de meses com notícias e angariações, «o sonho de raparigas pobres, honestas, boas filhas e boas irmãs», foi ganhando força e no dia 12 de junho de 1958, escrevia-se no jornal que iam mesmo acontecer e estava tudo a postos para os primeiros Casamentos de Santo António, «devido à generosa ternura dos nossos leitores».

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