Por mais que as crises de fé, as guerras “santas”, a desordem no Mundo, afastem as pessoas da religião, há uma figura da Igreja que é consensual e que continua a motivar uma devoção sem paralelo. 

Santo António, o “santo povo”, é um ícone da cidade, do país, que representa a proximidade e cumplicidade entre o povo e a Igreja 

Neste genuflexório, no dia 12 de Maio de 1982, fervorosamente orou a Santo António o Santo Padre JOÃO PAULO II diante do quarto onde ele nasceu.

O Papa Leão XIII disse um dia que o Santo António é “o santo de todo o mundo”. Se é verdade que a devoção joanina pelo globo é inquestionável, também é certo que a figura de Santo António se tornou um ícone nacional, mesmo entre aqueles estão afastados da Igreja.

A imagem austera do único doutor da Igreja lusitano dá lugar ao popular e familiar “Sant’Antoninho”, o santo do povo, a quem tudo se pede. Mesmo as tarefas mais hercúleas.  Protetor das Almas do Purgatório, propiciador de bons casamentos, advogado dos objetos perdidos, a sua imagem é omnipresente no imaginário coletivo nacional (e mundial), quer através da devoção intimista que tem expressão nos registos, medalhas, pagelas, orações e imagens, das mais toscas às elaboradas, quer através de manifestações exteriores de fé.

Nascido em Lisboa em 1191, no seio de uma família da pequena nobreza, Fernando de Bulhões passou a infância na zona da Sé, entre brincadeiras próprias da idade e um despertar precoce para a causa de Cristo. O resto é História.

Pedro Teotónio Pereira, olisipógrafo e diretor do Museu de Santo António, revela ao “Olhares de Lisboa” um manancial de curiosidades menos conhecidas sobre o padroeiro de Lisboa – Santo Vicente é o padroeiro da diocese de Lisboa, “que vai quase até as Caldas da Rainha”.

Os marinheiros dos Descobrimentos, devotos do santo, punham uma imagem de Santo António nos mastros dos barcos que “deram novos mundos ao mundo”. Se não houvesse vento, viravam-no ao contrário, como castigo.

As mulheres em idade para casar executavam igual punição. Pondo-o de cabeça para baixo, caso não ouvisse as suas preces no sentido de encontrarem um noivo.

Para o olisipógrafo, não há nada de desrespeitoso nestas atitudes punitivas, apenas comprovam a cumplicidade entre o povo e o santo. “Era como se fosse alguém da família, alguém muito próximo”, justifica.

Fernando Pessoa, o outro ícone maior da capital, deve o seu nome de batismo (Fernando António) ao Santo António. Nasceu no dia 13 de junho, dia de Santo António, tendo sido “abençoado” com o génio que o tornou planetário e imortal.

Não perca o desenvolvimento desta reportagem na edição em papel no “Olhares de Lisboa”.

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