SOCUNHA defende: A BANCA TEM DE SER MAIS RÁPIDA A LIBERTAR DINHEIRO DE APOIO DA LINHA COVID-19.

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As empresas portuguesas estão com dificuldades no acesso aos apoios anunciados pelo Governo para fazer face ao impacto da pandemia de Covid-19, tudo porque as instituições bancárias estão a criar entraves para “libertarem” os empréstimos.

Com o tecido empresarial português altamente descapitalizado e dependente de ajuda externa no futuro, a queixa mais repetida entre empresários é a dificuldade em aceder, através dos respetivos bancos, às linhas de crédito criadas pelo Governo.

“Os bancos não têm tido a celeridade suficiente, existem versões contraditórias sobre quem recebe ou não apoio, entretanto, os empresários não sabem como é que vão pagar as contas”, afirma José Mário Cunha, Gerente da Socunha-Tecidos e Enxovais, Lda., sediada na Rua da Cruz dos Poiais, em Lisboa.

Criada há 40 anos pelos pais do atual proprietário, a Socunha é uma das empresas líderes no sector têxtil para fornecimento de materiais á hotelaria e restauração, dois dos ramos mais penalizados pela crise pandémica do Covid-19, sendo ainda conhecida no mercado pela “boa relação qualidade / preço, através de artigos a diferentes preços e gama variada, quer nos atoalhados de cama, banho, mesa, resguardos, almofadas e de fardas / uniformes.”

Pergaminhos no sector têxtil

Apesar dos seus «pergaminhos», a empresa, à semelhança de milhares de outras empresas portuguesas, está a atravessar um período “complicado”, devido à crise sanitária.





Com 20 trabalhadores, a maioria no sistema de lay-off, a Socunha é uma empresa de sucesso, com “capacidade própria na personalização de todos os artigos, executando nomes ou logótipos nos diversos tamanhos e cores, pelo processo de bordado ou estamparia têxtil”.

Formada por uma equipa jovem, presta um atendimento personalizado no serviço de venda, bem como uma boa assistência no pós-venda, sendo este um dos principais atributos para o êxito registado ao longo de todos estes anos.

Contudo, como salienta José Mário Cunha, “neste momento está a passar por uma fase critica e precisa do apoio da banca e das linhas de crédito anunciadas pelo Governo, mas que até agora nada apareceu de concreto.”

“O Governo tem estado bem, mas não chega anunciar milhões quando, até agora há zero de apoio às pequenas empresas, por entraves colocados pelo sector bancário”, critica José Mário Cunha salientando que, desta forma, estamos a caminhar para “a recessão e depressão económica mais grave do século».

O empresário sente a falta de apoio do Estado, na medida em que os acessos ás medidas de apoio são burocráticos, demoradas e inacessíveis, existindo por parte dos bancos um “bloqueio generalizado” no acesso aos apoios do Estado.

Manter-se à tona da água

Segundo o empresário, existem neste momento muitas empresas “aflitas para se manterem à tona da água e muitas famílias dependentes da chegada da boia salvadora”.

Do ponto de vista de José Mário Cunha, “existe uma grande incógnita: qual vai ser a situação financeira dos clientes e fornecedores.”

Apesar de se ter mantido em laboração, a Socunha teve uma quebra de negócios “à volta dos 80%”, aos quais se somam as dividas de alguns clientes, “só de uma cadeia hoteleira temos retidos 100 mil euros”, adianta José Mário Cunha, referindo que, atualmente, a sua “grande preocupação é honrar a palavra dada ao pai pouco antes do seu falecimento que será de manter e honrar o nome da empresa levando a sua existência o mais longe possível”.

“A minha primeira preocupação, quando a crise começou, foi salvaguardar a saúde dos meus trabalhadores.
A segunda foi cumprir com todas as regras de segurança da DGS, mantendo uma laboração mínima para honrar os compromissos com alguns dos nossos clientes que se encontravam na linha da frente, nomeadamente os hospitais, clínicas, lares, forças de segurança, etc.”, revela José Mário Cunha que, devido ao atraso da resposta bancária ao crédito pedido, tem “injetado dinheiro do seu bolso na empresa.”

Neste momento, como salienta a empresa está a passar pela pior fase dos seus 40 anos de vida.

“Este é um período em que só há incertezas. Os trabalhadores, com muito sacrifício, estão a ajudar a empresa a reerguer-se e por isso a grande frustração que terei na vida é não conseguir ultrapassar este desafio criado pelo Covid-19”, afirma o proprietário da Socunha que louva o espírito de sacrifício e de coragem dos seus trabalhadores, realçando que “estamos todos no mesmo barco, a remar para o mesmo lado para seguirmos em frente”.

José Mário Cunha mostra-se esperançado que, “mais tarde ou mais cedo, a confiança vai regressar e todos juntos voltaremos a ser mais fortes e mais sábios”.

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