O objectivo é ficar nos cinco primeiros lugares. Temos um tema muito giro, muito forte”.


Faz 104 anos no dia 20 de Setembro. E desde 1934 que o Ajuda Clube, actualmente presidido por Adolfo Barão, tem a seu cargo a marcha da Ajuda.

O presidente entrou no mundo das marchas em 1966, com seis anos, como mascote da Madragoa. Depois foi mascote e marchante de Alcântara, e aos 14 anos foi viver para a Ajuda.

Tornou-se sócio do Ajuda Clube, e, com o tempo, começou a apoiar e acompanhar mais de perto Alberto Castro, a grande figura carismática do clube e da coordenação da sua marcha, entretanto já falecido mas recordado com enorme reverência e saudade pela colectividade que tanto lhe deve.

“O senhor Alberto” ensaiou a marcha durante 30 anos e presidiu ao clube durante boa parte da sua vida. Adolfo foi marchante e tornou-se dirigente da marcha “por falta de gente”.

A ele, o tempo nunca lhe dá para metade do que quer fazer. Trabalha, dirige o clube e a marcha, dá aulas gratuitas de kick boxing nas suas instalações e ainda coordena outras tantas actividades.

A sua família é feita de marchantes. “Os meus irmãos, a minha mulher, o meu filho, os meus netos, estão todos completamente ligados às marchas”.

Na da Ajuda, “o objectivo é ficar nos cinco primeiros lugares. Não digo ganhar… Este é um bairro pobre. Mas este ano temos um tema muito giro, muito forte”.

A marcha conta com vários segundos e terceiros lugares no seu currículo, embora ainda não tenha vencido. O grande trunfo para 2017 é o tal tema… “Algo que de certeza absoluta nenhuma marcha fez até hoje. Vamos levar coisas materiais, coisas reais. Vamos correr riscos, claro… Lembrem-se que o Jardim Botânico é na Ajuda, e pensem naquilo que lá existe…”.

Apostam num guarda-roupa “muito bom, feito pela melhor costureira do La Féria”. Os dois ensaiadores, Bruno Lucas e Ricardo, um a trabalhar com os homens e outro com as mulheres, prometem dar “tudo por tudo” para levar esta marcha o mais longe possível.

Houve uma mudança de ensaiador, porque não estavam a ser atingidos os objectivos estabelecidos pela direcção, o que se espera que aconteça este ano.

Para serem atingido resultados mais equilibrados no concurso, Adolfo Barão acredita que “as pessoas ligadas às marchas deviam poder votar, ter uma palavra a dizer. Não votando nas suas próprias marchas, mas nas outras. Um ensaiador de uma marcha devia poder votar nas outras marchas, embora não na sua”.

Adolfo Barão, como presidente muito activo do Ajuda Clube, sublinha a gratuitidade das aulas de kickboxing e ginástica do clube, para miúdos dos seis aos 12 anos. “Tiro-os da rua. Mas o seguro é obrigatório, e a maioria deles não podem pagá-lo. São 45 euros por ano. Dou um período de tolerância e vou sempre pedindo o seguro. Ao fim de algum tempo, sou obrigado a travar esses alunos, porque não podem ter aulas sem seguro”. Além de todos os riscos de treinar sem seguro, se o dirigente o permitisse perderia a sua licença para dar esta formação.

Barão garante ser a sua “a única colectividade que acolhe ciganos – em grande massa. Conheço-os desde míudos. São impecáveis. Aos poucos, os ciganos estão a reintegrar-se. Eu não tenho razões de queixa nenhumas deles. As regras são iguais para todas as pessoas que vêm cá. Se não se respeitarem entre si e aos outros, têm que ir embora”.

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