O presidente da Câmara Municipal de Oeiras, acompanhado por 200 crianças das escolas do concelho, participou, ontem, na Festa da Vindima’19, que celebra o encerramento da vindima do vinho de Carcavelos «Villa Oeiras».Aberta à população, com almoço incluído, a Festa da Vindima decorreu, ontem (sexta-feira), no ambiente único das vinhas onde são cultivadas as uvas utilizadas para a produção do famoso e secular vinho licoroso produzido pelo município de Oeiras, o apreciado «Villa Oeiras».

Acompanhado pelas crianças das escolas do concelho e por inúmeros populares, o presidente da Câmara de Oeiras esteve na Estação Agronómica de Oeiras na Festa da Vindima de Oeiras, onde se realizou a vindima tradicional (apanha manual da uva), num ambiente em que se procurou realizar «uma recriação histórica das vindimas no séc. XVIII», ao som de inúmeros temas da música popular portuguesa.

Com a recriação histórica, a Câmara de Oeiras proporcionou aos participantes uma «viagem no tempo», colocando-os «no ambiente do que se passava no início da produção do vinho de Carcavelos, na original Quinta de Cima do Conde de Oeiras e Marquês de Pombal».

Isaltino Morais fez questão de referir a dimensão pedagógica deste evento ao transmitir «às crianças do concelho conhecimentos sobre a produção vinícola», desde a plantação da vinha, passando pela apanha manual, até à «elaboração» final do vinho que nos chega à mesa.

O presidente da edilidade salientou que o vinho da Região Demarcada de Carcavelos, mas produzido a partir das uvas da Estação Agronómica de Oeiras, tem recebido, tanto a nível nacional como internacional, várias menções honrosas e medalhas em certames vinícolas, o que só dignifica e projeta Oeiras como um município tecnológico preocupado com a dimensão ambiental e que preserva o mundo rural.

Projeção internacional

Isaltino Morais lembrou que, nos finais do séc. XX, as principais quintas do concelho produtoras de vinha desapareceram, havendo uma produção residual na Estação Agronómica e, por isso, a Câmara de Oeiras propôs, em 1999, ao Ministério da Agricultura tomar conta da vinha e produzir e comercializar o vinho atualmente conhecido por «Villa de Oeiras».

De  uma produção de 5 mil litros, rapidamente – sob a gestão da edilidade – passou para os atuais 50 mil litros, realça Isaltino Morais, lembrando os valores patrimoniais, cultural e turístico que este vinho representa, o que enquadra com os valores económicos, sociais e culturais do «Oeiras Valley».

Um outro aspeto positivo – na perspetiva do autarca – é «a dimensão ambiental, que não é de desprezar, originada» pela preservação da vinha da  Estação Agronómica que serviu, entretanto, de exemplo para a criação de novas pequenas vinhas no concelho.

Agora é a hora do azeite de Oeiras

À semelhança do que fez com a produção vinícola, a Câmara de Oeiras também está apostada em recuperar o pouco olival existente no concelho e, dentro de alguns anos, iniciar a comercialização de azeite produzido pelas oliveiras «dos campos» de Oeiras.

Por seu turno, Alexandre Lisboa, um dos responsáveis pelo «Villa de Oeiras», lamentou a quebra na produção vinícola deste ano, por causa «do inverno ameno» que dificultou a maturação das uvas. Mas, mesmo assim, refere que «vai existir vinho suficiente para responder a todos os compromissos comerciais internacionais existentes, nomeadamente com Espanha, Inglaterra, Brasil, Estados Unidos da América e Macau, entre outros».

Do ponto de vista deste técnico, a «grande qualidade do vinho compensa a menor produção. Este ano, o chamado “vinho bebé” dá 25 mil litros».

Durante a Festa da Vindima foi proporcionado aos participantes uma visita à Adega do Casal da Manteiga e o acompanhamento do processo produtivo do vinho.

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