Com mais de 1000 árvores plantadas e uma área verde com cerca de seis hectares, o Parque Urbano Gonçalo Ribeiro Telles, na Praça de Espanha, em Lisboa, está desde domingo aberto ao público. Esta é uma das homenagens de Lisboa ao arquiteto paisagista, que morreu no ano passado, aos 98 anos.
Ainda não está totalmente concluído, mas o essencial do novo Parque Urbano Gonçalo Ribeiro Telles, na Praça de Espanha, quase tão grande como o Jardim da Estrela, está feito. Desta forma, o Parque Ribeiro Telles, em homenagem ao histórico arquiteto lisboeta, já está, desde domingo, dia de Santo António, aberto ao público.
Orçada em 16 milhões de euros, a requalificação da Praça de Espanha (o parque e a rede viária, já finalizada) foi a maior obra a decorrer nos últimos meses na cidade. No pico dos trabalhos chegou a juntar 300/350 pessoas por dia.
«A intervenção de requalificação da Praça de Espanha veio introduzir uma profunda transformação no território e integra um conjunto alargado de projetos e obras que, à medida que foram estando com os seus trabalhos concluídos, foram sendo postos à disposição da população. Foi o caso da rede viária, das ciclovias e agora é chegada a vez da componente verde da intervenção. Assim, o novo parque verde com os respetivos equipamentos infantis e desportivos vai abrir, prevendo-se que gradualmente infraestruturas de apoio como a cafetaria e os quiosques entrem também em funcionamento», salienta a Câmara de Lisboa.
Com mais de 1000 árvores plantadas e uma área verde com cerca de seis hectares, este novo parque no centro de Lisboa, que faz a articulação entre o Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian e o corredor verde de Monsanto, devolveu «mais natureza e ecologia» a uma zona da cidade que era «tomada pelos automóveis», salientou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que inaugurou o espaço em dia de Santo António (feriado municipal), acompanhado pelos filhos e netos do «arquiteto paisagista de Lisboa». Os netos de Ribeiro Telles, num ato de homenagem ao avô, plantaram árvores, que representam toda a luta do arquiteto pela criação de mais espaços verdes em Lisboa.
Em nome da família, o embaixador Francisco Ribeiro Telles agradeceu a homenagem «e a profunda gratidão da cidade de Lisboa para com o seu arquiteto paisagista».
Por seu turno, Isabel Mota, presidente do Concelho de Administração da Fundação Gulbenkian, recordou que o arquiteto Ribeiro Telles foi o projetista dos jardins Gulbenkian, salientando a ligação entre a natureza e a paisagem, «criada» por Ribeiro Telles.
Segundo o autarca, trata-se de «uma aérea em harmonia com a natureza e com a ecologia, onde se mostra aquilo que será o percurso normal da água, o conjunto de mais de 1000 árvores plantadas» e onde se utiliza técnicas de sequeiro, além do parque infantil e das zonas de lazer e para práticas desportivas.
O arquiteto de Lisboa
Gonçalo Pereira Ribeiro Telles, figura pioneira da arquitetura paisagista em Portugal, morreu em 11 de novembro, na sua casa, em Lisboa, aos 98 anos. Nascido em 25 de maio de 1922, em Lisboa, Gonçalo Ribeiro Telles idealizou os chamados «corredores verdes» da capital e concebeu os jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, em conjunto com o arquiteto António Viana Barreto.
Licenciou-se em Engenharia Agrónoma e formou-se em Arquitetura Paisagista, no Instituto Superior de Agronomia, onde iniciou a vida profissional como assistente e discípulo de Francisco Caldeira Cabral.
Ainda na política, fundou, em 1957, com Francisco Sousa Tavares, o Movimento dos Monárquicos Independentes e, depois, o Movimento dos Monárquicos Populares, apoiando, um ano mais tarde, a candidatura presidencial de Humberto Delgado.