«Entregar chaves de casa é aquilo que eu mais gosto de fazer», afirma o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, que quinta-feira, 30 de junho, entregou a chave de sete novas casas a jovens do concelho, no âmbito do programa habitação Jovem.
O Presidente da Câmara Municipal de Oeiras entregou quinta-feira, 30 de junho, no Salão Nobre do Palácio Marquês de Pombal, a chave de sete novas casas no âmbito do programa Habitação Jovem, que é totalmente financiado pela autarquia. Quatro fogos pertencem ao prédio da Travessa Villalonga (Paço de Arcos), outros dois ao edifício do Quarteirão do Largo da Boavista (Oeiras) e um fogo localiza-se no Largo da Pátria Nova (Carnaxide), com tipologias T1 e T0.
Segundo Isaltino Morais, a Câmara Municipal de Oeiras assumiu como ação fundamental da sua política de habitação a recuperação dos Centros Históricos do concelho e, neste momento, adquiriu 196 edifícios degradados, tendo já entregue 110 e estando 86 em fase de projeto. Estima-se que o investimento ascenda aos de 32 milhões de euros, entre a aquisição e reabilitação dos edifícios, prevendo-se a inclusão no mercado de arrendamento de cerca de 300 fogos.
Atualmente, o programa contempla 110 fogos recuperados e em condições de utilização, estando em fase de projeto/aquisição mais 86 fogos. Em 2021, foram concluídos mais dois projetos de reabilitação, em Oeiras e Paço de Arcos, que abriram portas a 42 novos agregados familiares, permitindo a estes jovens o início de um novo ciclo nas suas vidas.
O programa é acessível a todos os jovens residentes ou trabalhadores no concelho, há pelo menos 3 anos, com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos.
Custos de terrenos encarecem construção
Isaltino Morais aproveitou esta cerimónia para criticar os legisladores que, com o pretexto do combate à especulação imobiliária, aprovaram no Governo de Passos Coelho a Lei 31/2014, de 30 de maio, a extinção da classificação do solo urbanizável reduzindo a classificação a dois tipos: Rústico e Urbano.
O autarca, que não critica a existência de uma reserva Agrícola Nacional, mas condena a Reserva Agrícola Nacional que está instituída, salienta que esta legislação permitiu um aumento substancial dos custos de aquisição de solo urbano.
Na perspetiva do presidente da autarquia, «o progresso vivido em Oeiras acrescentou outras transformações, o preço de venda das casas sofreu nos últimos anos um aumento de 9,5%, superior ao registado no município de Lisboa e Cascais», sublinhando que «Oeiras é hoje o 3º município da AML com o valor mais elevado de renda de casa».
Perante os elevados custos de construção de habitação, Isaltino Morais recordou que, em 1986, Oeiras «teve a visão de construir 6 mil casas para alojar as 5 000 famílias que viviam em barracas», acrescentando «não tivemos medo de resolver os problemas grandes, porque pensamos a longo prazo».
«Não estarei a exagerar, se disser que se o Estado não atalhar a tempo este fenómeno o mesmo irá alastrar, nascerão uma espécie de lúmpen à volta de Lisboa e, na Capital. Como português e cidadão, fiquei chocado com o que vi e ouvi», refere.
A Sustentabilidade Social implica um trabalho de capacitação das famílias que habitam os bairros municipais, tornando-se assim agentes interativos na construção da nossa cidade. Numa segunda linha, a Sustentabilidade Urbana invoca a assunção de soluções arquitetónicas e de desenho urbano plenos de qualidade. A Habitação Municipal participa qualitativamente no desenho da cidade. Por último, a terceira linha, a Sustentabilidade Ambiental decorre da necessidade de aplicar soluções conscientes ambientalmente. Tornar os bairros municipais polos de concretizações sustentáveis.
O objetivo deste programa é o de estimular o mercado de arrendamento em Oeiras, na faixa de preços de renda que se situam entre os do mercado do arrendamento apoiado e os do mercado de arrendamento privado criando, assim, uma resposta para as famílias cujo nível de rendimento, por um lado não lhes permite pagar as rendas do mercado privado sem afetarem uma parte muito substancial do seu rendimento e, por outro lado, as exclui do mercado do arrendamento apoiado.
Mais habitação e mais educação
«Com isto defendemos, mais uma vez, a habitação para todos porque sem habitação não há cultura, saúde, educação, no fim, não há projeto de vida», adianta.
«Sabemos que a casa é condição sine quo non para a dignidade da família, para o seu crescimento e para o acréscimo de esperança num futuro onde se sentirão tratados com dignidade, afirma o autarca, lembrando «que a casa não resolve por si a pobreza e a miséria, mas é um primeiro e fundamental passo, para o início de uma nova vida que, complementada com outras políticas públicas, determinarão a aceleração do encurtamento do ciclo da pobreza».
Na conceção de Isaltino Morais, «se o ciclo de pobreza se mantém por três ou quatro gerações, ele pode ser quebrado se membros do agregado familiar, tiverem acesso à Educação», revelando que, no concelho, «passámos de 33 bolsas no ensino superior em 2017, para 900 em 2021/22».