2025 fica na história da capital portuguesa como sendo um dos mais trágicos dos tempos recentes. O acidente do Elevador da Glória provocou uma onde consternação internacional e fez abanar a liderança de Carlos Moedas. Não obstante o ocorrido, o autarca social-democrata aguentou as ondas de choque e conseguiu ser reeleito como presidente de Câmara de Lisboa. Mas o ano de 2025 também ficou marcado pela consolidação da cidade como um polo tecnológico global e pela abertura de novos espaços culturais de relevo.
O ano de 2025 ficou marcado indelevelmente pela tragédia ocorrida com o Elevador da Glória, na qual morreram 16 pessoas, incluindo o guarda-freio. Carlos Moedas suspendeu todas as iniciativas de campanha e os partidos da oposição na Câmara de Lisboa cancelaram todas as ações. Lisboa esteve de luto oficial durante três dias. No dia seguinte à tragédia, a Carris anuncia a substituição do Elevador da Glória por um novo “mais seguro”.
Após algumas semanas, em que a oposição acusou Moedas de se “esconder”, rolaram cabeças. O autarca aceitou a demissão do presidente do conselho de administração da Carris, Pedro de Brito Bogas.
O caso gerou um intenso debate sobre a manutenção de infraestruturas históricas geridas pela Carris e a segurança no turismo de massa em Lisboa.
O ano também foi decisivo para o avanço do Plano Geral de Drenagem da capital, uma obra estruturante para combater as cheias através de soluções como jardins de chuva e pavimentos permeáveis.
2025 foi ainda um ano em que Lisboa se afirmou como “a capital mundial da Justiça Social, da Inovação e da Cultura”. Após ter vencido as eleições autárquicas sem maioria, Carlos Moedas apresentou um programa de governação ambicioso, que prevê converter Lisboa na capital mundial da Justiça Social, da Inovação e da Cultura, elegendo ainda a habitação como “prioridade máxima” para este mandato.
Inovação e cultura
Carlos Moedas (PSD) assumiu a ambição de tornar a cidade a capital mundial da Justiça Social, da Inovação e da Cultura. “Se em 2021 vos prometi que seríamos Capital Europeia da Inovação e, quando ninguém acreditava, fomos mesmo, hoje queremos ser ainda mais, queremos conquistar mais. Nos próximos anos queremos ser, sem dúvida, a Capital Mundial da Justiça Social, a Capital Mundial da Inovação, a Capital Mundial da Cultura, porque nós não temos medo de sonhar, só temos medo de que os nossos sonhos sejam pequenos de mais. E é esse sonho, que deve ser não só para Lisboa, mas para toda a nossa Área Metropolitana”, declarou Carlos Moedas, no seu discurso na cerimónia de tomada de posse.
Em termo de Urbanismo e Sustentabilidade, 2025 ficou marcada pelo lançamento, no último mês do ano, da segunda fase do Plano Geral de Drenagem de Lisboa. A tuneladora H2O começou a escavar a zona do Beato. Após a conclusão do túnel entre Monsanto e Santa Apolónia, iniciou, no Beato, a escavação do segundo túnel.
Lisboa em 2025 foi marcada por eventos culturais vibrantes como as Festas de Lisboa com EuroPride e Concertos; a presença na Expo Osaka 2025 promovendo inovação; descobertas arqueológicas durante a construção do metro, como um convento do século XV; e o tradicional Wonderland Lisboa para o Natal, além de um sismo sentido em fevereiro.
Moedas pede que o deixem governar
Com os olhos postos em 2026, Carlos Moedas, com o apoio do Chega, aprovou o orçamento da Câmara de Lisboa (CML). Apesar de ser menor do que o do ano passado, conta com um aumento do investimento. Gonçalo Reis afiança que o orçamento de 2026 “cresce 30%”, 90 milhões de euros, no investimento. O vice-presidente da CML acredita que “é um orçamento equilibrado, seguro, ponderado”. O orçamento total é de 1.345 milhões de euros.
O vice-presidente da CML, Gonçalo Reis, explicou que esta diminuição do orçamento está relacionada com a execução do orçamento do ano passado, tendo do “orçamento inicial sido executado 80%”, assim a comparação para este não foi feita tendo por base os valores executados. Outro fator que contribuiu para esta redução foi o facto do “PRR estar a terminar”.
Apesar desta redução, o orçamento tem “um grande foco no investimento” que cresce a “uma taxa de 30% por oposição às despesas que crescem a 7,5%”, referiu Gonçalo Reis. “O investimento tem um efeito de facto multiplicador, aumentar o investimento é aumentar a capacidade estrutural da CML, de dar resposta às questões dos lisboetas”, afirmou.
Orçamento ambicioso
Na habitação, o investimento financiado por meios próprios do Município sobe 16 milhões de euros, “incrementando a oferta acessível para jovens nos bairros históricos, com 102 casas a entregar já em 2026, num total de 700 ao longo do mandato, e programando a criação de novos bairros de habitação acessível e parques verdes em mais 250 hectares de cidade”, explica Carlos Moedas.
“Este é um orçamento de grande ambição estratégica, com apostas fortes em áreas de elevado impacto para os lisboetas no seu dia a dia, como a higiene urbana, que cresce 49%, o ambiente e espaços verdes, que crescem 64%, e a segurança e proteção civil, que crescem 57%, entre outras áreas com reforço de verba”, refere Carlos Moedas.
Por outro lado, a manutenção da gratuitidade dos passes para idosos, que tem demonstrado “ser um instrumento de inclusão” dos mais idosos na vida da cidade, é outra das marcas da Câmara Municipal de Lisboa que passa para 2026.
Mas, como não há rosas sem espinho, o fim-de-ano de 2025 ficou também marcado pela guerra interna do PSD Lisboa que inviabilizou a constituição do executivo das Avenidas Novas.
De facto, a tomada de posse do executivo da junta de freguesia de Avenidas Novas ficou marcada pela renúncia de um vogal, do PSD, que provocou um impasse incontornável e a sessão ficou adiada para a semana seguinte semana, estando dependente de um parecer jurídico que avaliasse o imbróglio.
O presidente social-democrata eleito, Daniel Gonçalves, acusou a direção do PSD de Lisboa de falta de “lealdade” e de querer “impor” um nome “comprometido” com um “projeto de poder pessoal”. Na semana seguinte, face ao impasse causado pela reprovação de uma lista conjunta do PSD e do próprio Daniel Gonçalves, o presidente eleito “aceitou” liderar uma nova lista, “feita à sua revelia”, mas deixou claro que não aceitará “jogos de sombra” dos seus opositores e companheiros de partido.










