Depressão Kristin semeou rasto de destruição em Portugal

Depois de Ingrid e Joseph, a depressão Kristin assolou o país nas últimas horas e está a provocar muitos danos por todos os distritos. Duas pessoas morrem na sequência de quedas de árvores e de estruturas. Uma equipa mista de higiene urbana da UFCQ e da CMO está hoje no terreno a limpar os destroços causados pela tempestade e admite que, desde ontem, não tem tido mãos a medir para repor a regularização da normalidade.

A depressão Kristin semeou um rasto de destruição por todo país. Em Carnaxide, uma paragem de autocarros ficou praticamente destruída devido à força do vento que se fez sentir durante a madrugada.

Nas primeiras horas da manhã de hoje, dia 28 de janeiro, ainda eram observáveis os estragos provocados pela tempestade. As estradas e pracetas da União de Freguesias de Carnaxide e Queijas (UFCQ) ficaram cobertas de ramos de árvores caídos no asfalto e as sargetas foram sobrecarregadas com desperdícios resultantes do temporal.

Equipa de limpeza no terreno

Em declarações ao nosso jornal, António Delgado, trabalhador da UFCQ, reconhece que “a situação não está fácil”, enquanto junta os despojos acumulados durante a madrugada num pequeno monte, que será transportado numa carrinha da CMO para o aterro municipal.

O veterano operador refere que uma brigada mista de limpeza (da UFCQ e da Câmara Municipal de Oeiras) não tem tido descanso desde o dia de ontem. “Fizemos um trabalho de prevenção, limpando as sargetas para evitar cheias, mas a força do vento e da chuva foi tanta que as sargetas voltaram a encher-se de lixo”.

António Delgado assume que o dia de hoje, “também não vai ser fácil”, vai ser passado a recolher os ramos de árvores e folhas e a desentupir as sargetas do território, mas reconhece que acalmia da tempestade “vai facilitar todo o processo de limpeza” das ruas e artérias do território.

Madrugada “pavorosa”

O deputado municipal Diogo Barreto está na rua a observar a limpeza da praceta onde habita, conversando com a “brigada de proteção civil local” sobre os efeitos da tempestade.

Diogo Barreto mora num 11º andar de uma das torres de Carnaxide e assume que a situação de ontem “foi pavorosa”. Apesar do prédio “ter uma estrutura segura” e de caixilharia das janelas “ser robusta”, sentiu “medo” durante a madrugada, pois “a força do vento” penetrou na sua habitação “de forma assustadora” e fez com que se refugiasse num dos quartos (interiores) para “evitar a sensação insegurança” sentida nas divisões do apartamento “onde o vento entrava abruptamente”.

O deputado reconhece que o facto de o seu apartamento estar “a muitos metros do solo”, contribuiu para aumentar a “sensação de insegurança e impotência” face à “força da natureza”, levando-o a equacionar a possibilidade de “mudar de casa”, até por que é pai de três crianças e não quer que os seus filhos voltem a sentir “medo dentro da própria casa”.

Loures teve equipas na rua 

Fonte da Serviço Municipal de Proteção Civil de Loures disse ao nosso jornal que os efeitos da tempestade Kristin também afetaram o concelho, provocando a “queda de árvores” e de ramagens em algumas vias do território.

Em articulação com a Câmara Municipal de Loures, o Serviço Municipal de Proteção Civil revela que as equipas “estiveram toda a noite na rua” para executar a limpeza das sargetas e o trabalho de remoção dos despojos causados pela queda de árvores, para que não se pusesse em causa a “normalidade” do concelho pela manhã de hoje.

Dois mortos confirmados       

Um homem morreu em Vila Franca de Xira quando uma árvore caiu sobre a carrinha de distribuição do pão que conduzia. A outra vítima mortal deve-se à queda de uma estrutura em Monte Real, no concelho de Leiria.

Em Leiria e Coimbra, as autoridades estão a aconselhar as pessoas a manterem-se em casa.

Quase 1 milhão de pessoas está sem eletricidade, a circulação de comboios está suspensa em diversas das linhas e há muitas estradas cortadas.

Cerca de 1.500 ocorrências foram registadas pela proteção civil entre as 00h00 e as 08h00 de hoje por causa do mau tempo, um número que deverá subir devido às muitas situações ainda não contabilizadas.

Segundo fonte da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) em declarações à Lusa, a passagem da depressão Kristin por Portugal continental teve um “grande impacto” sobretudo na zona Oeste e nos distritos de Leiria e Coimbra, com cortes de energia e de comunicações telefónicas e muitas estradas cortadas por quedas de árvores e estruturas.

Governo lamenta morte de duas pessoas

O Governo tem estado a acompanhar “em permanência o impacto da tempestade Kristin em território nacional” e revelou que, “tal como antecipado, tratou-se de um evento climático extremo”, que causou “danos significativos em partes do território, em diversos domínios, infraestruturas e equipamentos”.

Para o Governo, as consequências “foram minimizadas pelos avisos atempados da proteção civil e a postura responsável e prudente da população portuguesa, que é essencial manter até indicação em contrário da ANEPC”.

“É fundamental seguir as orientações das autoridades, e evitar circulação em zonas mais afetadas”, realça.

Agora, estão a ser “desenvolvidos todos os esforços para reposição da normalidade nas zonas mais afetadas, designadamente em termos de fornecimento elétrico, vias de comunicação e de meios de transporte, que em algumas situações exigirão intervenções físicas”.

“As entidades do setor elétrico estão a trabalhar para prosseguir a reposição do fornecimento de eletricidade, cuja interrupção ainda afeta algumas centenas de milhares de pessoas, sobretudo na região centro litoral. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil tem estado a coordenar o acompanhamento e reação operacional da administração pública ao impacto da tempestade e prestará as informações adequadas em breve”, informa o Governo, que lamenta ainda “profundamente a perda de duas vidas e apresenta sentidas condolências às famílias”.

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