Lisboa fortemente afetada pela devastação gerada pela depressão Kristin

A depressão Kristin deixou um rasto de destruição na capital, registando-se quedas de árvores (que esmagaram carros) e de estruturas por toda a cidade. O Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa revela que houve 415 ocorrências na cidade.

A depressão Kristin deixou um rasto de destruição em Portugal continental. Lisboa, Leiria, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre, Santarém, Setúbal e Guarda foram os distritos mais afetados, segundo informou o IPMA.

Há desalojados, estádios danificados, telhados arrancados, uma roda gigante caída (na Figueira da Foz), linhas e comboios suspensos.

O mau tempo afetou o fornecimento de energia elétrica em algumas zonas do país, com cerca de um milhão de clientes a serem afetados durante o pico da tempestade.

Há ainda a lamentar a morte de seis pessoas: três em Leiria, uma na Marinha Grande, uma Silves e outra em Vila Franca.

Lisboa registou 416 ocorrências

Em Lisboa, o vento forte que atingiu a cidade na sequência da passagem da depressão Kristin provocou um elevado número de ocorrências por toda a cidade, sobretudo relacionadas com queda de árvores, estruturas e algumas situações de inundação, segundo informação veiculada pelo Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa (RSBL).

Desde as 16h00 do dia 27 de janeiro até às 14h30 do dia 28 de janeiro, o Centro de Coordenação Operacional (RSB, PML e SMPC) “registou 416 ocorrências associadas a condições meteorológicas adversas, das quais 310 já se encontravam resolvidas pelas 15h00, resultantes principalmente de quedas de árvores (291) e quedas de estruturas (101)”, refere o RSBL.

Desde o primeiro momento, o RSBL esteve na linha da frente, mobilizando para o terreno centenas de meios e operacionais. “Uma operação musculada, devidamente coordenada com todos os agentes de Proteção Civil da cidade, numa longa operação de socorro e apoio à população, limpeza de vias, remoção e corte de árvores, reposição de estruturas e estabilização de zonas de risco”.

“A rápida mobilização do RSB demonstrou, uma vez mais, o elevado profissionalismo do Regimento”.

O RSBL revela que vai permanecer em prontidão face à previsão do mau tempo para estes dias.

Estádio do Oriental parcialmente destruído

O mau tempo danificou o Estádio Engenheiro Carlos Salema do Clube Oriental de Lisboa, em Marvila. “As condições climatéricas da noite passada causaram estragos na nova estrutura da bancada do campo de (futebol de) sete, provocando danos significativos numa infraestrutura recentemente intervencionada”, escreveu o emblema lisboeta, em mensagem publicada nas suas redes sociais.

Os fortes ventos provocaram estragos no Estádio Engenheiro Carlos Salema, tendo levantado a cobertura do campo nº2, com relva sintética recentemente instalada, e arrancado os pilares de sustentação, que tombaram.

O desabamento dessa estrutura provocou a queda de pedras e parte da parede que sustenta a construção, levando o clube a suspender a atividade desportiva no recinto.

Rajadas de vento de 110 km/h

A Câmara Municipal de Lisboa refere que a cidade foi fustigada com rajadas de vento de 110 km/h na Rotunda do Relógio, durante a madrugada, sendo as freguesias mais afetadas o Lumiar, Avenidas Novas, Benfica, Alvalade, Olivais.

Relativamente aos semáforos, que estiverem inoperacionais durante largas horas, também voltaram a funcionar e, portanto, a cidade hoje de manhã foi acordando com a maior parte das situações já resolvidas”, afirmou esta tarde o vereador da Proteção Civil, Rodrigo Mello Gonçalves.

“Felizmente não há ocorrências muito graves em Lisboa, não há vítimas”, salientou, deixando um louvor “à coordenação dos diferentes serviços municipais, das juntas de freguesia, (…) que estiveram permanentemente a resolver estas ocorrências e a dar a resposta que a cidade precisa”.

A CML, em articulação com as juntas de freguesia, mantém no terreno equipas de limpeza e segurança, até à reposição da normalidade.

Durante o Conselho de Ministros, o Governo decidiu decretar a situação de calamidade nas zonas mais afetadas pela depressão Kristin.

Foto de capa: Daniela/CMLisboa

 

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