O presidente da Câmara Municipal de Lisboa convocou o Conselho Municipal de Segurança restrito para avaliar as medidas de segurança em curso para devolver a tranquilidade aos bairros municipais em que se registaram disparos com armas de guerra. Carlos Moedas pede ao Governo Central a vinda de mais 500 agentes da PSP para Lisboa e rejeita a suposição de que esteja a cumprir a “agenda do Chega”.
“Perante a gravidade dos disparos com armas de guerra ocorridos em Lisboa”, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas reuniu, no dia 5 de janeiro, o Conselho Municipal de Segurança nos Paços do Concelho de Lisboa para fazer uma avaliação das “imagens chocantes” ocorridas no Bairro Alfredo Bensaúde.
No final da reunião e em declarações aos jornalistas, Moedas referiu que a PSP “está no terreno e irá reforçar a sua atuação”, mas insistiu na necessidade de Lisboa ter “mais polícias”, porque a “segurança das pessoas não pode esperar”.
Promessa de mais operações especiais
Os disparos feitos por quatro homens na noite de Passagem de Ano no Bairro Alfredo Bensaúde, constituem uma “preocupação muito grande” para os lisboetas, afirmou Carlos Moedas, alegando que os moradores destes bairros “têm medo de sair à rua”, principalmente à noite, uma situação que o autarca considera “intolerável” e que necessita de mão firme das autoridades.
Mas a PSP, disse, vai estar mais presente e com mais operações especiais de prevenção criminal, de forma permanente, nos próximos meses.
A reunião do Conselho Municipal de Segurança (CMS) restrito, que para além do presidente da Câmara Municipal de Lisboa juntou os comandantes da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Lisboa, e da Polícia Municipal (PM), e o vice-presidente da CML, Carlos Reis, para uma avaliação de situações “recentes e sensíveis” relacionadas com a segurança na cidade.
O edil disse que as imagens recentes no Bairro Alfredo Bensaúde, “em que vemos indivíduos com armas de guerra (…) são inadmissíveis na nossa cidade”.
“Aquilo que trago aqui foram, sobretudo, perguntas à PSP sobre aquilo que aconteceu, mas traz-me alguma tranquilidade saber que o número de operações tem aumentado”.
A PSP, sublinhou Carlos Moedas, está a aumentar o número de operações de prevenção deste tipo de eventos, “mais presente e com mais operações especiais de prevenção criminal e elas vão ser incrementadas de maneira constante”.
Segundo Carlos Moedas, a CML está presente nos bairros e “estamos a proteger estas pessoas, seja através do policiamento comunitário, do policiamento de proximidade, que é feito todos os dias”. Mas, acautelou, “é preciso dar-lhes garantias”.
Para o autarca de Lisboa, urge levar a cabo uma operação de recolha deste tipo de armas: “como é que podemos recuperar armas que estão ilegais na nossa cidade, como é que isso pode ser feito, como é que podemos ter operações em que as pessoas podem dar as suas armas à polícia para elas poderem ser recolhidas e, posteriormente, destruídas”.
“Precisamos de mais 500 polícias”
Carlos Moedas deixou um alerta ao Governo: “precisamos de, pelo menos, mais 500 polícias de Segurança Pública em Lisboa, perdemos nos últimos 10 anos mais de mil e, portanto, é preciso ter mais PSP e vou continuar a lutar por isso”.
O autarca não tem dúvidas sobre a qualidade do trabalho da PSP: “Temos uma grande Polícia de Segurança Pública, uma grande Polícia Municipal”, mas “precisamos de mais recursos, precisamos de mais polícia e isso eu não me cansarei de pedir ao Governo Central”, defendeu.
Moedas nega estar a cumprir a “agenda do Chega”
Questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de esta posição estar a “cumprir a agenda (securitária) do Chega”, Carlos Moedas negou com veemência, defendendo que as preocupações com a segurança na cidade de estão para além dos interesses partidários.
“Há muito que defendo o reforço com a segurança na cidade. Lisboa precisa de mais 500 agentes da PSP, porque ficámos sem 1000 agentes nos últimos anos. As preocupações com a segurança estão para além dos partidos. A única ‘agenda’ que defendo é agenda de Carlos Moedas”, reiterou.
Casas para polícias
A segurança “é uma função do Estado Central”, mas a Câmara tem “ajudado” de várias maneiras. Na habitação, revelou, “libertámos hoje mais um edifício para poder ter casas para os nossos polícias em Lisboa e vamos libertar um outro edifício. É muito importante dar condições àquilo que hoje é tão difícil, que é viver na nossa cidade para as nossas forças de segurança”.
O autarca aproveitou para saudar as forças de segurança pelo “excelente trabalho” realizado na noite de Passagem de Ano, que envolveu uma logística gigantesca, sem que se tenham registado ocorrências.



