Residências Artísticas MAU-SNBA selecionam sete projetos para 4.ª edição em Oeiras até abril

O MAU – Museu de Arte Urbana do Taguspark e a Sociedade Nacional de Belas-Artes anunciaram a selecção dos sete projetos artísticos para a quarta edição das Residências Artísticas MAU-SNBA, que decorre de janeiro a abril em Oeiras.

A iniciativa destaca-se pela expansão do seu âmbito, incluindo pela primeira vez os domínios da fotografia e da música, dando resposta à crescente diversidade das práticas contemporâneas.

Os artistas seleccionados são Afonso Albuquerque e Malena Rampi, Débora Censi, Joana Moedas, Luís Silveirinha, Mané Pacheco, Pedro do Vale e Pedro Pena. Estes contam beneficiar de um ambiente criativo durante quatro meses no Taguspark para desenvolver e apresentar os seus projetos.

O projeto de Afonso Albuquerque e Malena Rampi, intitulado Caminho do Artista, pretende transformar o processo criativo no próprio objeto artístico, acompanhando a construção da identidade do projeto e da gravação do álbum através de vídeos, sons e registos da residência. O objetivo é “desenvolver uma identidade artística, visual e conceptual sólida, dar visibilidade ao processo criativo e preparar um regresso estruturado aos palcos”.

Débora Censi prossegue uma investigação em pintura sobre papel, construindo paisagens e arquiteturas inexistentes com camadas e transparências, incorporando desde 2023 literatura como ponto de partida para pinturas inspiradas em poemas e excertos literários.

Joana Moedas explora, no projeto The Risk Intern, os temas do medo, segurança e aversão ao risco nas sociedades contemporâneas, usando referências da medicina e primeiros socorros numa técnica experimental com iodopovidona aplicada sobre pano cru, valorizando a transparência e o impacto da luz em pinturas de grande escala.



Luís Silveirinha aprofunda a investigação plástica centrada em formas inspiradas numa natureza em constante transformação, evocando flora extinta e paisagens imaginárias, intitulando a natureza como “espaço e palco de recriação, capaz de despertar um renovado espanto e um sentimento de desejo, convidando à contemplação e à redescoberta do seu potencial poético”.

Mané Pacheco apresenta o projeto Criaturas (im)possíveis e os seus futuros (in)certos num cenário pós-extrativista, baseado na hibridização entre organismos, matéria e tecnologia. Com materiais técnicos e excedentes industriais, cria “criaturas” e objetos que especulam sobre futuros pós-humanos e modelos alternativos de coexistência.

Pedro do Vale, com O Mar Começa Aqui, cruza arte, tecnologia e consciência ambiental por meio de pintura, vídeo, instalação escultórica e som, refletindo sobre o impacto humano no oceano e questionando “que futuro estamos a construir para o mar que sustenta a vida?”.

Pedro Pena desenvolve Desire Path, um projeto fotográfico que usa o conceito de trilhos informais como metáfora de liberdade, escolha e consciência coletiva no espaço urbano. Através da fotografia analógica, documenta gestos espontâneos que evidenciam a relação entre natureza e artificial, sublinhando a construção da cidade pelos seus habitantes.

Face às edições anteriores, regista-se um aumento significativo no número e qualidade das candidaturas, reforçando o reconhecimento das Residências junto da comunidade artística. Eduardo Baptista Correia, CEO do Taguspark, afirma que essa evolução “é um sinal da consolidação das Residências Artísticas como uma referência na criação de arte contemporânea e de inovação”, destacando a importância de um ecossistema que “incentiva a experimentação, o cruzamento de diferentes disciplinas artísticas e o contacto entre os artistas e o ambiente inspirador do Taguspark”.

De igual modo, Jaime Silva e Rui Penedo, da Sociedade Nacional de Belas-Artes, realçam que “este projeto é cada vez mais um espaço privilegiado para a criação artística e para a valorização de artistas emergentes, aproximando-os de um público mais generalizado”.

Com uma duração de quatro meses, as Residências Artísticas MAU-SNBA disponibilizam espaço para que artistas individuais e coletivos aprofundem as suas práticas, centradas em temas previamente definidos nas candidaturas, consolidando-se como referência na agenda do Taguspark e dos artistas contemporâneos.

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