Revista de Imprensa do dia 12 de janeiro

Em semana decisiva para se apurar quem será o próximo Presidente da República, na Revista de Imprensa de hoje, dia 12 de janeiro, salienta-se a entrada em campanha do ex-líder do PS, Pedro Nuno Santos, mas também o alegado plano governamental para “preparar” o Exército português para a eventualidade de uma guerra “de alta intensidade”.

Nos acontecimentos internacionais, também é de “guerra” que se fala. A França começa recrutamento para serviço militar voluntário de dez meses e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, garante à Dinamarca que tem “todo o apoio e solidariedade” da União Europeia para proteger os seus direitos na questão da Gronelândia. Os protestos dos últimos dias contra o “regime dos aiatolas” no Irão já fez mais de 500 mortos.

Portugal prepara Exército “para guerra de alta intensidade”

De acordo com a CNN Portugal, o Exército Português está a preparar uma revolução interna para acompanhar a nova realidade geopolítica.

Com as investidas da Rússia em “solo” europeu, que tem vindo a desenvolver ações ofensivas híbridas no interior do território europeu e um aliado americano cada vez menos disposto a defender o continente, mas também as ameaças de Trump à Gronelândia, os países europeus da NATO estão a preparar-se para uma revolução.

Segundo a notícia de hoje, são precisas mais unidades, novos equipamentos e reservas de guerra não para missões de paz, mas sim para preparar o continente para algo que seria impensável há poucos anos: um conflito de alta intensidade em solo europeu.




A cimeira da NATO em Haia, em junho, obrigou Portugal a ir mais além e o exército português criou o plano “Força Terrestre 2045”, uma restruturação radical que promete a criação de duas brigadas prontas para o combate, fecha o espaço aéreo nacional, aposta nas forças especiais e na Inteligência Artificial.

Pedro Nuno Santos entra na campanha com elogios a Seguro

As eleições presidências entraram hoje na fase decisiva, a última semana de campanha, e os candidatos afinam as estratégias e os apoios para conquistarem votos.

O “moderadamente socialista” António José Seguro capitalizou um apoio de peso, da ala mais “esquerdista” do PS. O ex-secretário geral do PS, Pedro Nuno Santos, manifesta-se pela primeira vez sobre as presidenciais e lamenta erro dos socialistas nas eleições presidenciais anteriores. Sobre o candidato apoiado pelo PS, garante que é o mais indicado para o cargo porque é necessário “um Presidente que não esteja zangado com a Constituição”.

Em publicação no Instagram, Pedro Nuno Santos destaca que Seguro é um candidato a Belém audaz, honesto e íntegro que, além de tudo isto, conseguiu “impor-se” e “convencer até os mais céticos”.

Na publicação, Pedro Nuno Santos lamenta o erro do PS em eleições passadas que “só beneficiou os candidatos da direita” e que, agora, o apoio oficial dado a Seguro pelo partido vem dar-lhe respaldo. Fica, por isso, “contente” por se ter aprendido com os erros do passado e manifesta a sua posição em relação ao candidato.

Numa fase inicial, Seguro avançou com a candidatura, mesmo sem contar previamente com o apoio oficial dos socialistas. Para Pedro Nuno Santos, o candidato foi “audaz” ao não esperar “pela aprovação de ninguém”.

Portugal tem mais de 700 mil casas vazias

O Banco de Portugal alerta que Portugal está entre os países europeus com a percentagem mais elevada de alojamentos secundários e vagos.

Portugal tem mais de 700 mil casas vazias, entre o universo de imóveis que estão disponíveis para arrendamento, venda ou até por outros motivos. O alerta é do Banco de Portugal e é noticiado esta segunda-feira pelo “Correio da Manhã”.

O banco central destaca ainda que, apesar destas casas estarem vazias, muitas nem sequer irão para o mercado sendo que um dos motivos passa pela insegurança dos proprietários e também pelo facto de muitos destes imóveis necessitarem de obras.

Com o mercado de habitação a ser ditado por uma cada vez maior escassez, tendência que se têm verificado nos últimos anos, este universo de casas vazias e secundárias estava nos 30% em 2024, um valor que não foi alterado em 2021.

O Boletim Económico de dezembro do Banco de Portugal dá ainda conta da existência de 1,1 milhões de residências secundárias, num universo global de quase seis milhões de alojamentos familiares. O BdP alerta que Portugal está entre os países europeus com a percentagem mais elevada de alojamentos secundários e vagos.

PSP apreende mais de 19 mil armas nos últimos seis anos

Nos últimos seis anos é possível observar uma tendência crescente no número de armas apreendidas. Em 2024 tinham sido apreendidas 684 espingardas e em 2025 foram 2.165. No entanto, segundo a PSP, os dados não querem necessariamente transmitir a existência de mais armas a circular.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) apreendeu nos últimos seis anos 19.005 armas, destacando-se as pistolas (8.086), em operações especiais de prevenção criminal, informou esta segunda-feira aquela força de segurança.

Em comunicado, a PSP indica que desde 2020 foram apreendidas 4.998 espingardas, explicando que as apreensões resultaram do cumprimento de medida cautelar, de entregas voluntárias, ou no âmbito de detenções efetuadas por posse de arma proibida.

Em 2025, a PSP realizou 168 operações especiais de prevenção criminal, 72 das quais na Área Metropolitana de Lisboa e 26 na Área Metropolitana do Porto.

Nestas operações, a força de segurança empenhou 5.535 polícias, deteve 182 pessoas, tendo apreendido 112 armas, designadamente 23 armas de fogo, 33 armas brancas e 56 outras armas.

De acordo com a PSP, nos últimos seis anos é possível observar uma tendência crescente no número de armas apreendidas.

“Nem todos os tipos de arma têm sofrido a mesma tendência evolutiva, mas podemos observar o caso das espingardas, cujo aumento em 2025 face ao ano anterior, se traduz em mais do triplo dos registos de apreensões”, refere a PSP.

No que diz respeito ao licenciamento de armas, até 31 de dezembro de 2025, a PSP tinha registo de 1.875.661 armas de fogo manifestadas e existiam 149.732 Licenças de Uso e Porte de Arma (LUPA) válidas em Portugal.

Internacional

Mais de 500 mortos em protestos no Irão

Os protestos nas ruas de Teerão já terão provocado pelo menos 544 mortos, segundo os números avançados pelos ativistas iranianos.

Trump disse que os EUA estavam em conversações para marcar uma reunião com Teerão, mas advertiu que poderia ter de agir primeiro, uma vez que as notícias sobre o número de mortos no Irão aumentam e o governo continua a prender manifestantes, segundo a Euronews.

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, disse no domingo que o Irão propôs negociações após a ameaça norte-americana de atacar a República Islâmica devido à repressão dos manifestantes, enquanto os ativistas anunciavam que o número de mortos tinha aumentado para pelo menos 544.

De acordo com um relatório da Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos, com sede nos EUA, mais de 10 600 pessoas foram também detidas durante as duas semanas de protestos, e 48 das vítimas mortais eram pessoal de segurança e 496 eram manifestantes.

Falando com os jornalistas no domingo à noite a bordo do Air Force One, Trump disse: “Acho que eles estão cansados de serem espancados pelos Estados Unidos”. “O Irão quer negociar”.

António Costa deixa aviso aos Estados Unidos sobre Gronelândia

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, garante à Dinamarca que tem “todo o apoio e solidariedade” da União Europeia para proteger os seus direitos.

“Sobre a Gronelândia, permitam-me ser claro: a Gronelândia pertence ao seu povo. Nada pode ser decidido sobre a Dinamarca e sobre a Gronelândia sem a Dinamarca, ou sem a Gronelândia”, disse Costa em declarações no Chipre.

“A União Europeia não pode aceitar violações do direito internacional, seja no Chipre, na América Latina, na Groenlândia, na Ucrânia ou em Gaza”, sublinhou, garantindo que a Europa “continuará a ser uma defensora firme e inabalável do direito internacional e do multilateralismo”.

França começa recrutamento para serviço militar voluntário de dez meses

A República Francesa começa hoje a campanha de recrutamento para o novo regime de serviço militar voluntário de 10 meses, anunciado em novembro pelo seu presidente, Emmanuel Macron.

“Já recebemos pedidos”, disse a ministra da Defesa francesa, Catherine Vautrin, em declarações ao jornal diário regional L`Union que o objetivo passa por angariar elementos em “todos os territórios”.

A medida de serviço militar voluntário dirige-se a todos os cidadãos franceses entre os 18 e os 25 anos, independentemente do género, tendo as autoridades estipulado metas de 80% de jovens entre os 18 e 19 anos e de 20% entre de 20 e 25 anos.

A previsão é a de que neste primeiro ano, no verão, se incorporem cerca de 3.000 recrutas, tendo em vista um total de 10.000 em 2030 e de 42.500 em 2035.

Os candidatos selecionados vão receber notificações em maio para conciliar os seus horários com eventual exame de admissão à universidade sem perderem a futura vaga no ensino superior, que passará para o seguinte ano letivo.

Está fora de causa o envio de efetivos que prestem este serviço militar voluntário para zonas de conflito bélico ou operações militares no exterior do território.

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