A Revista de Imprensa do dia 13 de janeiro foca-se nos protestos da CGTP contra o pacote laboral; na polémica que ensombrou o “momento de glória” de Cotrim Figueiredo; na radicalização dos jovens online que preocupa a PJ.
CGTP saiu à rua contra pacote laboral
A CGTP organizou esta terça-feira uma manifestação em Lisboa contra o pacote laboral do Governo de Luís Montenegro, ação que vai terminar com a entrega de um abaixo-assinado na a presidência oficial do primeiro-ministro, em São Bento.
O início da ação de protesto começou na praça Luís de Camões, em Lisboa, dirigindo-se, em seguida, para a Assembleia da República. O abaixo-assinado pela revogação do anteprojeto de revisão da legislação do trabalho, afiança a Intersindical, reúne “dezenas de milhares de assinaturas”.
O secretário-geral da CGTP afirmou, em declarações à agência Lusa, contar com uma “grande concentração” contra o pacote designado “Trabalho XXI”.
“Não podemos deixar que aquilo que trouxe os trabalhadores para a rua e a força que os trabalhadores deram fique sem resposta por parte do Governo”, vincou Tiago Oliveira, referindo-se à greve geral do passado dia 11 de dezembro, realizada em conjunto com a UGT.
A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, tem acusado a CGTP de se posicionar à margem das negociações em torno do pacote laboral. A central sindical contrapõe que foi o Governo que “bloqueou” o diálogo e garante que quer estar à mesa da Concertação Social e dar “voz aos trabalhadores”.
Face à posição que receber na reunião com o primeiro-ministro ou na próxima reunião plenária de Concertação Social, ainda sem data prevista, “a CGTP irá apresentar aos trabalhadores a proposta que entender necessária para dar continuidade à luta”. Sem excluir nova greve geral.
Adiada pela segunda vez, a reunião entre o primeiro-ministro e a CGTP está agora agendada para 20 de janeiro, de acordo com a Intersindical.
Radicalização online dos jovens preocupa PJ
A Polícia Judiciária lançou esta terça-feira uma campanha para prevenir a radicalização online de crianças e jovens.
As autoridades alertam para o forte crescimento da exposição dos jovens a conteúdos violentos. A campanha pretende, também, a ajudar pais e educadores a prevenir estes fenómenos.
De acordo com a PJ, o número crescente de jovens, incluindo menores, envolvidos na preparação ou execução de atos extremistas violentos, confirmado pelos mais recentes relatórios da EUROPOL e dos Estados-Membros da União Europeia, veio alertar para a necessidade de implementação urgente de medidas efetivas de prevenção específica do fenómeno da radicalização de crianças e jovens ao nível do espaço europeu.
Neste contexto, “a problemática da radicalização de crianças e jovens em ambiente online constitui um dos maiores desafios atuais, exigindo uma abordagem integrada e coordenada entre as estruturas oficiais do Estado e a sociedade civil nas suas diversas vertentes, que se traduz necessariamente na intervenção em diferentes áreas de ação e de conhecimento, que vão muito além do (limitado) campo de atuação dos órgãos de polícia criminal”.
Apoio ao Chega na segunda volta põe Cotrim Figueiredo em “maus lençóis”
As declarações do candidato presidencial da Iniciativa Liberal causaram uma polémica que já está a ter efeitos reais na imagem de Cotrim Figueiredo na opinião pública. No dia em que uma sondagem o dava como o segundo mais votada nas intensões de voto, atrás de Seguro, o candidato liberal admitiu não excluir apoiar o líder do Chega numa segunda volta das eleições presidenciais.
Em declarações proferidas hoje em Viseu, Cotrim assume que foi “bastante infeliz” ao dizer que não excluía apoio a nenhum candidato. Num vídeo partilhado nas redes sociais, o candidato liberal desfez o “mal-entendido” e assume: “Não quero o André Ventura como Presidente da República!”.
Dificuldades no SNS levam 15% dos portugueses a ter médico de família no privado
O relatório de Acesso a Cuidados de Saúde 2025 revela que 15% dos inquiridos tem médico de família no setor privado. O estudo mostra ainda que mais de metade das primeiras consultas no SNS foram realizadas fora do tempo adequado.
Recorrer ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) deixou de ser uma opção exclusiva para muitos portugueses. Os dados do relatório de Acesso a Cuidados de Saúde 2025 mostram que, no ano passado, 15% dos inquiridos tinha um médico de família no setor privado.
Em relação à medicação, os estudos mostram que mais de metade dos inquiridos não adquire toda a medicação que lhe foi prescrita.
Ainda segundo o relatório, no SNS, os serviços mais procurados são os cuidados de saúde primários. No ano passado, mais de metade das primeiras consultas foram realizadas fora do tempo adequado.
Em julho de 2021, quase 85% aconteceram no tempo previsto, mas, desde então, o número tem vindo a diminuir de forma acentuada e, em setembro do ano passado, a percentagem estava para 48,3%.
PS de Lisboa apresenta pacote de medidas urgentes contra a falta de habitação na cidade
Os vereadores do Partido Socialista na Câmara Municipal de Lisboa apresentaram esta terça-feira um pacote de medidas de emergência para combater a crise da habitação na capital, defendendo a cedência de terrenos ao município nas operações urbanísticas privadas para o desenvolvimento de habitação pública.
A discussão da proposta ainda não está agendada, mas a vereação do PS pediu para que o documento fosse incluído na ordem de trabalhos da reunião privada de quarta-feira do executivo municipal, sem saber ainda se o pedido será aceite pelo presidente da câmara, Carlos Moedas (PSD).
Na perspetiva do PS, principal partido da oposição à liderança PSD/CDS-PP/IL, a cidade de Lisboa enfrenta “uma combinação de fatores que agravaram o acesso à habitação”, nomeadamente a forte pressão turística, o aumento do investimento especulativo, a escassez de solo público e a ausência de uma política municipal consistente após a execução do investimento europeu do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, que terminará este ano.
Uma das medidas propostas pelo PS incide sobre o processo de revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), para que se promova o zonamento inclusivo, passando a obrigar os promotores de projetos urbanísticos a “ceder ao município um terreno, dentro da área a lotear, com dimensão proporcional à área de construção prevista na operação privada”.
Esse terreno cedido destinar-se-á a desenvolver o parque habitacional público, para arrendamento acessível, garantindo que novos projetos contribuem para manter famílias de classe média a viver na cidade de Lisboa, explica a vereação socialista.
O PS defende ainda uma moratória ao licenciamento de novos empreendimentos turísticos nas áreas mais impactadas pelo alojamento turístico e que abranja os terrenos objeto de alienação por entidades públicas, “evitando-se que o Estado ou a própria autarquia venham a alimentar o fenómeno de sobreturismo sentido na cidade”.
Internacional
Reino Unido e Alemanha estudam reforço militar da NATO na Gronelândia para garantir segurança no Ártico
Um grupo de países europeus, liderado pelo Reino Unido e pela Alemanha, está a discutir planos para aumentar a presença militar na Gronelândia, avançou este domingo a Bloomberg. Segundo fontes próximas das negociações citadas pela agência de notícias (com sede em Nova Iorque), esta é uma tentativa de demonstrar aos Estados Unidos que a Europa leva a sério a segurança na região do Ártico.
Em cima da mesa, está uma proposta da Alemanha que visa a criação de uma missão conjunta da NATO para proteger esta área estratégica que tem ganho importância geopolítica nos últimos tempos, sobretudo na sequência do presidente norte-americano Donald Trump, afirmar que os Estados Unidos precisam de “possuir” a Gronelândia para impedir que Rússia ou China ocupem o território no futuro.
A região do Ártico tem vindo a assumir um papel central na geopolítica global devido ao degelo acelerado, que abre novas rotas marítimas e facilita o acesso a vastos recursos naturais, incluindo petróleo, gás e minerais críticos e é visto como um espaço de competição crescente entre potências globais. A Gronelândia, território autónomo sob soberania dinamarquesa, ocupa uma posição chave entre a América do Norte e a Europa, tornando-se um ponto sensível para operações militares e vigilância estratégica.
Casa Branca prepara-se para receber representantes da Dinamarca e Gronelândia
O vice-presidente dos EUA vai reunir-se na Casa Branca com os chefes da diplomacia da Dinamarca e da Gronelândia, numa altura em que cada vez mais líderes europeus concordam com a necessidade de aumentar a segurança da ilha faces aos interesses da Rússia e China.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca e da Gronelândia serão recebidos na quarta-feira pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e pelo secretário de Estado, Marco Rubio, na Casa Branca, anunciou esta terça-feira o chefe da diplomacia dinamarquesa.
“O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, também queria participar nesta reunião e será o anfitrião. Por isso, será realizada na Casa Branca”, afirmou Lars Løkke Rasmussen à imprensa.
O ministro da Defesa dinamarquês anunciou que se reunirá com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, na segunda-feira, para discutir a segurança no Ártico.
Na primavera passada, J.D. Vance anunciou uma visita não solicitada à Gronelândia. Perante a indignação pública, limitou-se a visitar à base aérea norte-americana de Pituffik, no noroeste da Gronelândia.
Sobe para 2 mil o número de mortos no Irão
Um funcionário do aparelho estatal iraniano disse à agência de notícias Reuters, sob anonimato, que há já cerca de 2000 mortes registadas desde que os protestos começaram, há cerca de duas semanas. São números muito superiores aos que tinham sido avançados pela maioria das organizações de defesa dos direitos humanos nos últimos dias, que situavam as vítimas mortais entre as 400 e as 600 pessoas.
Mas estes números podem ficar aquém do número real de mortes. O site de notícias “Iran International” afirma que pelo menos 12 mil pessoas foram mortas pelo regime nos protestos dos últimos dias, na “maior matança da história moderna do Irão”. Esse número está muito acima das estimativas e não é possível de verificar. No entanto, o site garante, em editorial, que os seus números provêm de várias fontes, como hospitais, famílias e relatórios policiais.
Os protestos no Irão tiveram início a 28 de dezembro de 2025, inicialmente contra a desvalorização do rial (a moeda local), mas rapidamente se desenvolveram para manifestações contra o regime iraniano.



