O destaque da revista de imprensa de hoje, dia 8 de janeiro, centra-se na ocorrência dos recorrentes problemas com o novo sistema de triagem do INEM; a garantia do primeiro-ministro de não enviar soldados para a Ucrânia enquanto houver guerra e as demissões em catadupa na administração e serviços do Hospital Amadora-Sintra.
Pelo mundo, a morte de uma norte-americana, baleada pela ICE, está a gerar uma onda de contestação interna a Trump. Os agricultores franceses protestaram em Paris contra a assinatura de um acordo UE-Mercosul, temendo a “concorrência desleal” proveniente da América do Sul.
Montenegro afasta tropas portuguesas na Ucrânia em tempo de guerra
Ao sair de uma cimeira internacional que reuniu em Paris a “Coallition of the Willing”, uma coligação internacional de boa vontade sobre a constituição de uma força multinacional que garanta a paz na Ucrânia após um cessar-fogo, o primeiro-ministro Luís Montenegro clarificou que “está fora de hipótese que haja tropas portuguesas no território ucraniano enquanto houver guerra”.
O líder do Governo português acrescentou, no entanto, que “não está fora de hipótese uma participação das nossas forças armadas numa equipa multinacional que possa estar alocada a uma missão de paz”.
“Isso faz parte dos nossos compromissos internacionais, nomeadamente no seio da NATO, no seio da União Europeia e, neste momento. no seio desta “Coalition of the Willing”, lembrou.
O primeiro-ministro português sublinhou que, esta força multinacional procura responder à necessidade de “reforço da capacidade de defesa da Ucrânia e de reforço dos Estados coligados, nesta equipa que junta os Estados Unidos, a coligação da boa vontade e a Ucrânia”.
Luís Montenegro vê na iniciativa internacional de segurança a possibilidade de auxílio à reconstrução da Ucrânia, particularmente no setor de autodefesa.
O chefe do Governo português lembrou a sua recente visita a Kiev e recordou que Portugal já está a “colaborar” com a Ucrânia, “do ponto de vista das suas capacidades aéreas e marítimas”.
“No futuro, quando houver uma paz consolidada”, que permita “ter no terreno forças desta coligação”, Portugal poderá estudar outro auxílio, decisão a decidir internamente.
Falta de socorro provoca mais duas mortes
Um homem de 68 anos esteve mais de uma hora à espera dos meios de socorro, em Tavira, acabando por morrer. É a terceira morte registada de uma pessoa enquanto aguarda por serviços de emergência.
Segundo a fonte citada pela Lusa, a vítima sentiu-se mal ao final da tarde de quarta-feira, depois de ter ido à farmácia e consumido um xarope.
A primeira chamada a pedir socorro terá sido pelas 18h07, seguida de uma segunda chamada a questionar a demora dos meios.
A vítima foi inicialmente classificada como prioridade 2 (que requer uma resposta em 18 minutos), passando a P1 (ou sejam, de resposta imediata) aquando da terceira chamada dos familiares, que aconteceu pelas 18h47, informando que o homem já estava em paragem cardiorrespiratória.
A primeira ambulância foi acionada só às 18h42.
Para o local foram igualmente enviados a viatura de Suporte Imediato de Vida (SIV) de Tavira, acionada pelas 18h49, uma unidade de apoio psicológico do INEM e a polícia.
Segundo a fonte familiar, os primeiros meios de socorro só chegaram ao local mais de uma hora depois do pedido inicial de socorro.
Este caso acontece depois de na terça-feira um homem de 78 anos ter morrido no Seixal, depois de ter estado quase três horas à espera de socorro.
Já esta quinta-feira, foi registada também a morte de uma mulher de aproximadamente 70 anos, em Sesimbra, depois de ter esperado mais de 40 minutos por assistência.
A Procuradoria-Geral da República confirmou esta quinta-feira à RTP a instauração de um inquérito após a morte de um homem de 78 anos no Seixal que esperou quase três horas pelo socorro do INEM.
Administração do Amadora-Sintra responsabiliza Ministério da Saúde por “dificuldades de funcionamento”
A enfermeira diretora do Hospital Amadora-Sintra demitiu-se e a equipa de enfermagem do Serviço de Urgência Geral apresentou uma declaração de escusa de responsabilidade.
O Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde de Amadora/Sintra responsabiliza ministério da Saúde pelos constrangimentos no serviço de urgência.
Num comunicado enviado às redações, a administração informa que “a enfermeira diretora apresentou ontem à tutela o seu pedido de renúncia ao cargo” e a equipa de enfermagem do Serviço de Urgência Geral apresentou uma declaração de escusa de responsabilidade.
Isto depois de a Direção Clínica dos Cuidados Primários do Amadora-Sintra se ter demitido, bem como da chefe e do subchefe da equipa de Urgência Geral terem decidido demitir-se dos cargos nos últimos dias.
Para o Conselho de Administração, o ministério da Saúde não está isento de responsabilidade na crise atravessada pelo hospital.
O presidente da ULS Amadora-Sintra, Carlos Sá, demitiu-se no início de novembro, na sequência de um caso que envolveu a morte de uma grávida, e ainda não foi substituído.
“O presidente do Conselho de Administração tem vindo, desde novembro, a solicitar de forma reiterada à tutela a sua rápida substituição, de modo a garantir as condições de governabilidade de uma instituição com a complexidade da ULS Amadora/Sintra, o que até ao momento não se verificou”, pode ler-se na nota.
Além disso, “foi apresentado à tutela um plano de reorganização estrutural do serviço, que aguarda aprovação” desde setembro de 2025, altura em que já se antecipavam “dificuldades de funcionamento no Serviço de Urgência Geral”.
Aos “significativos constrangimentos do Serviço Nacional de Saúde” junta-se a pressão provocada pela “afluência sazonal”.
Internacional
Mulher americana morta a tiro por agente do ICE nos EUA
Após uma cidadã norte-americano de 37 anos ter sido atingida na cabeça, e morta, numa rua residencial coberta de neve, diante de um familiar, eclodiram protestos nas ruas em Minneapolis, nos EUA, contra o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
No final do dia de ontem, centenas de pessoas participaram numa vigília, acenderam velas e apelaram a resistir às rusgas de imigração. Algumas manifestantes exibiram cartazes contra o ICE e entoaram palavras de ordem, enquanto ruas próximas foram bloqueadas por automóveis. O governador do estado considerou o tiroteio “totalmente evitável”.
A zona fica perto de mercados de imigrantes há muito estabelecidos e não longe do local onde George Floyd foi morto em 2020.
Governo venezuelano apela a intervenção da ONU
O representante permanente da Venezuela nas Nações Unidas denunciou a “agressão armada unilateral e injustificada” e o “rapto” do Presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama.
O ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Yván Gil, revelou, em comunicado, que o convite foi feito durante uma reunião entre o representante permanente da Venezuela nas Nações Unidas, Samuel Moncada, e o diplomata português.
Segundo o documento, Moncada afirmou que a ONU “tem ainda um papel importante a desempenhar, assumindo inclusive o seu papel e autoridade no que diz respeito à preservação da diplomacia como meio de garantir a paz mundial”.
Por isso, frisou a diplomacia venezuelana, estendeu “um convite formal ao secretário-geral para visitar a Venezuela o mais rapidamente possível ou, na impossibilidade disso, nomear um enviado pessoal, para que possa testemunhar, em primeira mão, as consequências dos ataques militares de 3 de janeiro”.
De acordo com a Venezuela, Guterres prometeu, durante a reunião, considerar o convite e ofereceu “os seus bons ofícios para facilitar um diálogo nacional”.
“O secretário-geral das Nações Unidas observou que a recente incursão militar dos Estados Unidos em território venezuelano representou uma violação flagrante da Carta da ONU e das normas do direito internacional”, acrescentou a diplomacia venezuelana no comunicado partilhado por Gil nas redes sociais.
Agricultores franceses protestam contra acordo comercial UE-Mercosul
Paris acordou ao som de tratores na quinta-feira, com agricultores a protestarem contra o acordo comercial UE-Mercosul.
Dezenas de veículos entraram em Paris antes do amanhecer, passando por pontos emblemáticos da capital francesa, como a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo.
A ação foi organizada pelo sindicato Coordination Rurale, que afirma que o acordo exporia os agricultores franceses à concorrência desleal de importações mais baratas oriundas da América do Sul.
Manifestantes receiam que produtos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai sejam produzidos com padrões ambientais e sociais mais baixos, pressionando os rendimentos locais.
Os agricultores avançaram lentamente pela cidade, mas mantiveram-se pacíficos, não tendo sido registados incidentes.
A manifestação surge numa altura em que os líderes da União Europeia ponderam fechar o acordo, com organizações do setor agrícola a pedir que França o bloqueie.



