Revista de Imprensa do dia 9 de janeiro

Na Revista de Imprensa de hoje, dia 9, damos à estampa nova polémica com problemas ocorridos com as ambulâncias do INEM e as medidas para crise da habitação aprovadas na generalidade por partidas de direita. A nível internacional, a China já veio a terreiro mostrar o seu apoio à Venezuela; Trump faz orelhas moucas aos protestos na rua e defende o agente do ICE que matou um cidadã norte-americana; David Bowie morreu há 10 anos, despedindo-se com o lançamento de uma obra-prima, lançadas dois dias antes da sua morte.   

Reforço de ambulâncias anunciado por primeiro-ministro previsto desde o Governo de Costa

Após a morte de três pessoas por falhas no novo sistema de triagem do INEM, o primeiro-ministro foi ao Parlamento para anunciar, na quinta-feira, o processo de aquisição de 275 novas viaturas para o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), por 16,8 milhões de euros.

Mas esta aquisição já está prevista nos orçamentos do INEM desde 2024, e foi autorizado um ano antes pelo Governo de António Costa. O número de veículos e a verba agora anunciada até é inferior à de 2023. José Luís Carneiro já desafiou o chefe de Estado a dizer se sabia que as novas ambulâncias foram decididas pelo Executivo socialista.

Face aos pedidos para rolarem cabeças no Ministério da Saúde, Montenegro voltou a defender a ministra Ana Paula Martins, dizendo que não demite a responsável pela tutela.

Medidas para crise da habitação aprovadas na generalidade por partidas de direita

As propostas de lei do pacote de habitação do Governo foram aprovadas esta sexta-feira na generalidade, no Parlamento, com os votos favoráveis do PSD, CDS-PP e IL, e com a abstenção do Chega.

Em causa estão duas propostas com autorizações legislativas, uma com medidas de desagravamento fiscal para incentivar o arrendamento e a construção a preços moderados, e outra com alterações ao licenciamento, urbanização e reabilitação urbana.

Relativamente à iniciativa que contém medidas fiscais, o PS, Livre PCP e BE votaram contra. O Chega, PAN e JPP abstiveram-se.

Em relação à proposta para autorizar a revisão do regime aplicável ao licenciamento de operações urbanísticas, e a alterar o regime jurídico da urbanização e da edificação, e o regime jurídico da reabilitação urbana, o PCP, o Livre, o PAN e o BE votaram contra. O PS, o Chega e o JPP abstiveram-se.

Internacional

China manterá apoio à Venezuela independentemente da evolução da situação política

O Governo chinês reafirmou, esta sexta-feira, que, independentemente do que acontecer na Venezuela, o país asiático continuará a apoiar Caracas na defesa da sua soberania e segurança nacional.

“A China continuará a apoiar firmemente a Venezuela na salvaguarda da sua soberania, dignidade e segurança nacional, independentemente de como evolua a situação política”, afirmou a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning.

A porta-voz destacou que Pequim manteve uma comunicação e cooperação “sólidas” com o Governo venezuelano e que o país “está profundamente empenhado em aprofundar a cooperação prática e promover o desenvolvimento comum”.

Trump defende agente que matou Renee

Apesar da contestação nas ruas, um pouco por todo o país, contra a repressão policial, a administração Trump continua a defender o agente que disparou mortalmente contra uma mulher de 37 anos, Renee Nicole Good.

Numa publicação feita na quarta-feira na sua plataforma Truth Social, Donald Trump comentou o caso, e também culpou a vítima: “A mulher que conduzia o carro estava muito desordeira, a obstruir e a resistir, tendo depois atropelado de forma violenta, deliberada e cruel o agente do ICE, que parece tê-la baleado em legítima defesa”.

Renee tinha 37 anos, norte-americana, natural do Colorado, poetisa premiada e música amadora.

Tinha-se mudado para Minneapolis há pouco tempo. Deixa três filhos de 15, 12 e 6 anos.

As estatísticas mostram que 2025 foi o ano em que mais pessoas morreram enquanto estavam sob custódias dos serviços de imigração, conhecidos como ICE.

“A Gronelândia não é um produto”

Habitantes e líderes da Gronelândia expressaram preocupação e frustração depois de a administração Trump reforçar a intenção de assumir controlo estratégico da ilha autónoma dinamarquesa, defendendo o direito à autodeterminação.

David Bowie, uma despedida em grande

Comprem-se 10 anos da morte de David Bowie, um dos mais influentes e versáteis músicos das últimas décadas.

A 8 de janeiro de 2016, David Bowie editou “Blackstar“, o seu álbum derradeiro, despedindo-se em grande do mundo dos vivos. Foi no 69.º aniversário de Bowie, gravado em segredo em Nova Iorque com músicos de jazz desconhecidos, que Bowie descobriu em bares da cena musical nova-iorquina, sendo lançado dois dias antes da sua morte.

A despedida de Bowie veio em tons de rock experimental e jazzístico, com letras sobre mortalidade. Com canções como “Blackstar“ e “Lazarus“, tornou-se o único álbum do músico a chegar a número 1 nos EUA, e teve o quinto maior volume de vendas para um disco de 2016.

Em “Lazarus”, Bowie proclamava :“Look up here, I’m in heaven”, avisando que “já não estava cá”, tinha já partido para o além, mas em grande estilo, como era seu apanágio.

Nesta canção, como em todo o álbum, aliás, o “camaleão” genial canta como quem já não pertence completamente a este lado. Há cicatrizes invisíveis, dramas irrecuperáveis, falando da morte e da derradeira viagem, para o outro lado.

“Blackstar” subiu rapidamente ao pedestal das obras-primas absolutas, aclamado pelos fãs, mas também pela crítica, que o colocou entre os melhores álbuns das últimas décadas. Dois dias depois, David Bowie surpreendeu meio mundo, morrendo, sem despedidas dramáticas, proclamações públicas de autocomiseração, vítima de doença oncológica, mas “à sua maneira”, com um disco absolutamente fantástico e histórico.

Quer comentar a notícia que leu?