Mais de 11 milhões de portugueses votaram este domingo para eleger o próximo Presidente da República. De acordo com as votações, António José Seguro e André Ventura, os dois candidatos mais votados, seguem para um confronto direto na segunda volta. Toda a esquerda e alguns dirigentes do PSD apoiam Seguro contra Ventura, mas Montenegro e Mendes não declaram qualquer apoio. Contudo, dirigentes do PSD e do IL já declararam o seu apoio a Seguro.
Pela segunda vez na história das eleições presidenciais, depois de 1986, haverá um segundo ato eleitoral para decidir o próximo Presidente da República. As primeiras projeções confirmaram desde logo o que há semanas se previa: o próximo Presidente da República só vai ser eleito a uma segunda volta, o que não acontecia há 40 anos. Mas houve uma surpresa, António José Seguro, o candidato apoiado pelo PS, venceu. Mas se ao início da noite havia a dúvida sobre quem seria o adversário – se André Ventura, se Cotrim Figueiredo -, agora é já certo que será o candidato apoiado pelo Chega.
O candidato apoiado pelo PS venceu todos os distritos, à exceção de dois, e conseguiu mais de 1,7 milhões de votos – quase o triplo dos votos de Marques Mendes e Gouveia e Melo e quase o dobro de Cotrim.
No final da contagem nacional, António José Seguro é o mais votado, com mais de 1,75 milhões de votos – ou seja 31,1%, e estará na segunda volta com André Ventura, que teve 23,48%— mais de um 1,3 milhões de votos, o dobro do seu resultado em 2021.
Além da vitória em quase todos os distritos, Seguro foi o mais votado em 226 concelhos, enquanto Ventura venceu 79 e Marques Mendes apenas três: Sernancelhe, Fafe e Boticas. Gouveia e Melo e Cotrim não venceram qualquer concelho.
António José Seguro foi o candidato mais votado com cerca de 31% nas eleições presidenciais deste domingo, quando estavam apurados os resultados provisórios em 2718 das 3259 freguesias e 69 de 109 consulados.
André Ventura é o segundo candidato mais votado e João Cotrim de Figueiredo é o terceiro, com 16,02%, segundo os dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna – Administração Eleitoral. Henrique Gouveia e Melo, com 12,3%, e Luís Marques Mendes, com 11,3%, ficam muito longe dos dois primeiros, depois de terem liderado as intenções de voto até ao final do ano passado.
Entre os candidatos de esquerda, nenhum conseguiu mais do que 2% dos votos: Catarina Martins teve apenas 113 mil votos, enquanto António Filipe não foi além dos 90 mil votos e Jorge Pinto, com 37 mil votos, teve menos 200 mil votos do que o Livre teve nas legislativas — e ficou atrás de Manuel João Vieira, que conta com 1,1% dos votos.
André Pestana registou apenas 0,2% dos votos, enquanto Humberto Correia teve 0,09%, percentagens que são inferiores aos números de votos nulos, que incluem as cruzes em Joana Amaral Dias, Ricardo Sousa e José Cardoso, que viram as suas candidaturas às eleições serem rejeitadas pelo Tribunal Constitucional.
Estes votos estão incluídos nos votos nulos, que chegaram aos 64 mil. Aliados aos 60 mil votos em branco, são mais de 120 mil votos inválidos — ainda assim, muito menos que os 277 mil votos inválidos registados em 2011.
Os candidatos presidenciais Gouveia e Melo, Catarina Martins, Jorge Pinto, Marques Mendes e João Cotrim de Figueiredo contactaram António José Seguro para o felicitar perante os resultados das eleições presidenciais deste domingo, que colocam o socialista como primeiro lugar numa passagem à segunda volta.
Seguro: “regressei para unir os portugueses”
Em total euforia, o Centro de Congressos das Caldas da Rainha recebeu António José Seguro, que disse estar com “energia e voz para a segunda volta”. No discurso de vitória, o ex-líder do PS começa por cumprimentar “todos os eleitores” que foram votar seja em que candidato, mas também aos que não votaram. “Todos somos Portugal”, afiança, salientando que regressou para unir os portugueses e não para os dividir.
António José Seguro deixou também palavra de “apreço” a candidatos que não passaram à segunda volta. “Não há derrotado porque todos somos democratas. País continuará a contar com contributo de cada um de vós”.
O socialista lembra que recebeu votos de “todos os campos políticos” o que reforça a “natureza suprapartidária” da candidatura. “Sou livre, vivo sem amarras e assim agirei como Presidente”. “Com a nossa vitória venceu a democracia e vai voltar a ganhar no dia 8 de fevereiro”.
António José Seguro convidou “todos os humanistas e progressistas” a juntarem-se a ele para “derrotar o extremismo” e quem semeia o ódio. “Todos os democratas são bem-vindos, para mim não há portugueses de primeira e portugueses de segunda”, acrescentou distanciando-se de André Ventura.
Para o ex-líder do PS, Portugal só “prospera” se for capaz de perservar “chão comum”. E prometeu ser o Presidente de “todos os portugueses”, dizendo que jamais será o “Presidente de uma parte dos portugueses contra a outra parte”.
Sem nunca mencionar Ventura, apelou à mobilização contra o extremismo. “Somos um só povo, uma só nação, um só Portugal plural e inclusivo, respeitador das liberdades de cada um e solidário nas nossas necessidades comuns”, disse.
Segundo Seguro, o resultado alcançado revela o apoio de diferentes quadrantes políticos. “Recebi votos oriundos de todos os campos políticos, o que reforça ainda mais a natureza independente desta candidatura.
Num discurso dirigido a PSD, IL e CDS, António José Seguro lançou um apelo: “Convido todos os democratas, todos os progressistas e todos os humanistas a juntarem-se a nós para unidos, derrotarmos o extremismo e derrotarmos quem semeia ódio e divisão entre os portugueses.”
Apesar de já contar (previsivelmente) com o apoio do Livre, Bloco de Esquerda e PCP, o candidato rejeitou rótulos partidários: “Esta não é uma candidatura partidária, nem nunca será. É a casa de todos os democratas que, num momento difícil do nosso país, se unem para preservar o fundamental.”
Ventura: “luta do espaço socialista contra o espaço não socialista”
O candidato apoiado pelo Chega promete combater o socialismo, porque “o socialismo mata, o socialismo corrompe, não quero socialismo em Portugal”. André Ventura estava a analisar os resultados da primeira volta, mas era a segunda volta que tinha na cabeça. Nela, Ventura diz que se travará uma “luta do espaço socialista contra o espaço não socialista”.
Na sede de campanha em Lisboa, o candidato do Chega entrou numa sala em apoteose de braços no ar em “V” de vitória. Ventura não tem dúvidas de que a “direita não perdeu estas eleições, a direita ganhou”. E garante que só perderá as eleições, daqui a três semanas, “por egoísmo do PSD ou dos liberais”.
E pediu aos sociais-democratas e à IL que escolham “entre os socialistas ou os que querem realmente fazer reformas em Portugal”.
A votação a 8 de fevereiro será, segundo André Ventura, uma escolha entre “um socialista e um não socialista”.
E Ventura promete combater o socialismo, porque “o socialismo mata, o socialismo corrompe, não quero socialismo em Portugal”.
O candidato apoiado pelo Chega destaca que o país “despertou” de Norte a Sul. “A direita fragmentou-se como nunca, mas os portugueses deram-nos a nós a liderança dessa direita em Portugal”, afirma.
André Ventura destaca que conseguiu derrotar o “candidato do Governo e do ‘montenegrismo'”, referindo-se a Luís Marques Mendes.
Na declaração ao país, refere que fez campanha “sem picardia pessoal e sem ofensa”.
“Passados 40 anos da última segunda volta em Portugal, passados seis anos da fundação do Chega, passados 6/7 anos de tantas eleições tenho de dizer isto cara a cara com o povo português e todos os dirigentes e apoiantes: esta foi a maior honra da minha vida”, declara.
O candidato considera ainda que só perderá a segunda volta das eleições presidenciais “por egoísmo do PSD, da Iniciativa Liberal ou de outros partidos que se dizem de direita”.
Cotrim de Figueiredo assume “derrota pessoal”
“Assumo como uma derrota pessoal”, declarou o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal. “A minha derrota não diminui nada uma outra enorme vitória: a vossa vitória”, acrescentou, dirigindo-se aos seus apoiantes na sede de campanha.
Cotrim de Figueiredo diz que os portugueses “serão confrontados numa segunda volta com uma péssima escolha”, atirando responsabilidades para a liderança do PSD. “É provável que venhamos a ter um presidente da República oriundo do PS. Tal ficará a dever-se exclusivamente a um erro estratégico da liderança do PSD”, asseverou.
“Montenegro não pôs o interesse do país à frente do interesse do próprio partido. Não esteve à altura do legado de Francisco Sá Carneiro”, acrescentou.
O ex-líder da IL adiantou ainda que não tenciona endossar ou recomendar o voto a qualquer um dos candidatos que seguem para a segunda volta.
“Esta campanha nunca foi apenas eleitoral” e avisa que “hoje não tem que ser um fim, mas o princípio de um caminho”. As palavras de Cotrim vão sobretudo para a família, desde logo os filhos, e para os liberais, incluindo voluntários, que estiveram envolvidos na campanha.
“Não há nada mais poderoso do que um movimento com esperança”, afirmou, sendo aplaudido, e destacando que “vencemos o medo e a resignação”.
Na segunda volta, disse, os portugueses terão em mãos uma “péssima escolha,” mas, prevendo que o próximo Presidente seja “oriundo do PS”, Cotrim diz que “tal ficará a dever-se a um erro estratégico da liderança do PSD. Luís Montenegro não esteve à altura do legado de Francisco Sá Carneiro”.
Quanto ao que o próprio candidato derrotado fará, Cotrim foi claro: “Não tenciono endossar ou recomendar o voto em qualquer dos candidatos na segunda volta, os eleitores que me confiaram o voto hoje fizeram-no livremente e deverão poder fazê-lo livremente outra vez na segunda volta. Confio plenamente e respeitarei”
Gouveia e Melo deixa futuro político em aberto
O candidato independente Henrique Gouveia e Melo assumiu este domingo a derrota na primeira volta das eleições presidenciais, sublinhando que os resultados “não corresponderam aos objetivos” traçados, mas garantindo manter-se disponível para “continuar a servir Portugal”.
Numa primeira declaração perante uma sala cheia de apoiantes, em Lisboa, o antigo chefe do Estado-Maior da Armada felicitou pessoalmente António José Seguro e André Ventura pela passagem à segunda volta, destacando o respeito pela vontade democrática dos portugueses.
“Entendi que, nestas circunstâncias, não podia ficar de fora quando sentia que podia dar um contributo útil ao serviço de Portugal e dos portugueses”, afirmou, explicando as razões que o levaram a avançar com a candidatura. Gouveia e Melo reiterou que sempre defendeu uma Presidência da República como “espaço de união e não de divisão”, acima de interesses partidários, “independente e livre”.
O candidato insistiu na necessidade de “despartidarizar a Presidência” e de devolver ao cargo a sua natureza “verdadeiramente superpartidária”, considerando que o país beneficia quando o Presidente é visto como garante de equilíbrio, estabilidade e proximidade a todos os portugueses. “Acreditei, e continuo a acreditar, que é possível servir o país com independência, sentido de missão e espírito de compromisso, sem amarras partidárias”, sublinhou.
Apesar da derrota, Gouveia e Melo salientou o caráter agregador da candidatura, que conseguiu “unir pessoas muito diferentes, de espectros distintos”, em torno de uma causa comum. “Demonstrámos que é possível unir a diferença quando existe uma causa maior que nos transcende a todos: o nosso país”, disse, agradecendo de forma sentida aos apoiantes, em particular ao movimento jovem que o acompanhou ao longo da campanha.
O candidato destacou ainda os mais de 600 mil votos obtidos, assumindo-os como “uma enorme responsabilidade” e motivo de “profundo orgulho”.
Questionado pelos jornalistas sobre o futuro político e o eventual aproveitamento desse capital eleitoral, escusou-se a avançar cenários. “Este é um momento ainda muito precoce para manifestar qualquer opinião a esse respeito. Vou reservar isso para mais tarde”, afirmou, deixando igualmente em aberto a possibilidade de indicar um sentido de voto para a segunda volta.
“Levo comigo a confiança de todos os que acreditaram num Portugal diferente”, concluiu, reiterando palavras de respeito por todos os candidatos e defendendo que “a democracia vive da pluralidade, do debate e do respeito mútuo”.
Marques Mendes assume responsabilidades
O candidato presidencial Marques Mendes, apoiado por PSD e CDS, assumiu a derrota nas eleições deste domingo. “A responsabilidade é minha, toda minha e apenas minha”, declarou Marques Mendes.
O candidato disse que tomou a decisão de se candidatar após uma profunda “reflexão pessoal e política”, mas “os portugueses escolheram e não me escolheram a mim”.
“Respeitarei sempre a escolha soberana dos portugueses, não ficou amargura, nem ressentido. Gosto muito do meu país, honrou-me muito servi-lo e ser candidato a Presidente da República.”
Marques Mendes, que por volta das 22 horas se reuniu com Luís Montenegro, tentou descolar o PSD desta derrota na primeira volta das presidenciais. Afirmou que esta candidatura foi sua e, por isso, assume “por inteiro a responsabilidade por este resultado”.
Numa declaração sem direito a perguntas dos jornalistas, o antigo líder do PSD adiantou que não vai apoiar publicamente qualquer candidato na segunda volta.
António Filipe de consciência tranquilo
Numa breve declaração aos apoiantes, António Filipe assumiu que “o resultado obtido ficou áquem do que Portugal precisa”.
“Creio que muitas pessoas votaram na candidatura de António José Seguro por terem o receio de que pudesse haver dois candidatos mais à direita na segunda volta”, afirmou António Filipe, acrescentando que isso terá pesado “muito na cabeça dos eleitores”.
“Aliás houve pressões muito grandes nesse sentido”, continuou referindo que “houve muitas pessoas” que lhe disseram que votariam na sua candidatura, mas devido a esse receio “votaram logo na primeira volta em António José Seguro, sem que isso significasse um claro apoio em si”.
Olhando para a frente, o comunista alerta que o “povo português terá de enfrentar grandes desafios” e “terá de encontrar a força necessária para lutar contra as forças reacionários”. “Faremos parte dessa força”, garantiu.
Apesar do resultado, António Filipe admitiu não se arrepender “desta candidatura”, considerando que “esta campanha valeu a pena”.
“Foi uma campanha honesta, elevada. Que trouxe para o debate (…) as preocupações centrais dos portugueses. E esta candidatura, desse ponto de vista, valeu a pena”. Da sua parte, afirma estar com “consciência tranquila” de quem cumpriu o “dever”.
Catarina Martins vai votar Seguro
Catarina Martins, candidata do Bloco de Esquerda nas Presidenciais, assume um resultado “muito abaixo do que esperado”. Na primeira reação após serem conhecidas as projeções, com a eurodeputada muito longe da segunda volta, Catarina Martins agradece “a quem fez campanha” consigo, a quem votou em si e quem, “concordando com a candidatura, votou em António José Seguro.”
“Tenho a certeza de que nos continuaremos a encontrar nas lutas que temos pela frente”, aponta.
Catarina Martins defende que a sua candidatura quis quebrar os tabus ” que Portugal vai continuar a ser um país de baixo salário, que o Estado vai continuar a falhar na Saúde e que uma mulher não pode ser Presidente. Continuarei a lutar para quebrar cada um destes tabus em Portugal.”
A candidata bloquista destaca ainda a “hecatombe” de Marques Mendes, que “é também a do Governo e de Luís Montenegro, que são os grandes derrotados da noite.”
André Ventura e Cotrim de Figueiredo disputam um lugar na segunda volta, o que Catarina Martins entende como “a trumpização da direita em Portugal”.
“Percebo que todos os democratas se preocupem com esta radicalização da direita”, afirma. Por isso, alinha com Jorge Pinto e apela ao voto em Seguro: “A resposta adequada é votar em António José Seguro com os olhos bem abertos.”
Jorge Pinto também vota Seguro
O candidato presidencial Jorge Pinto anunciou este domingo que vai apoiar e votar em António José Seguro na segunda volta e apelou ao Livre que faça o mesmo, argumentando que quem se revê na Constituição só tem como opção apoiar o socialista.
O anúncio foi feito pelo candidato presidencial apoiado pelo Livre no discurso de reação aos resultados destas eleições no “quartel-general” da sua candidatura, no Amarante Cine-teatro.
“Irei votar em António José Seguro na segunda volta, votar e apelar a que o meu partido faça a mesma coisa, porque ao que tudo indica teremos duas escolhas pela frente: alguém que se revê na Constituição e alguém que se opõe e a quer alterar drasticamente,” anunciou.
PSD não apoia Seguro nem Ventura na segunda volta
O PSD não emitirá nenhuma indicação de voto na segunda volta das eleições presidenciais, anunciou Luís Montenegro, considerando que nem António José Seguro nem André Ventura representam o espaço do seu partido.
“A conclusão que o PSD retira é que o seu espaço político não estará representado nesta segunda volta”, disse.
“Aceitamos essa escolha com humildade democrática”, declarou, agradecendo a Marques Mendes.
“Cumpriremos a escolha dos portugueses, isso não significa que não estivesse ao lado de Marques Mendes e continuo a achar que ele era a melhor opção”, disse, sublinhando que “não vale a pena andarem com jogos políticos”.
Luís Montenegro saudou o “aumento da participação” dos eleitores portugueses nas eleições e felicitou, em nome do PSD, “todos os candidatos, em particular os que vão disputar a segunda volta: António José Seguro, que representa o espaço à esquerda do PSD, e André Ventura, que representa o espaço à direita do PSD”.
Perante os resultados ainda provisórios, que apontam para a vitória de Seguro e colocam Ventura em segundo lugar, à frente de Cotrim de Figueiredo, Montenegro conclui que o espaço político do PSD “não estará representado na segunda volta”.
O resultado de Marques Mendes foi penalizado pela “divisão de votos que não ocorreu nos espaços” políticos mais à esquerda e à direita do PSD.
O líder social-democrata congratula-se pela “forma particularmente empenhada e honrosa como Luís Marques Mendes se apresentou aos portugueses, colocando todo o seu conhecimento, experiência à disposição de Portugal”.
A derrota de Marques Mendes foi também uma derrota do PSD? “Sinto que é uma escolha legítima, sinto que a nossa opção não teve acolhimento, assumo esse resultado e essa responsabilidade, com a mesma tranquilidade com que nas últimas quatro opções presidenciais a opção deste espaço político teve uma opção diferente. às Vezes ganhamos outras vezes não ganhamos”, respondeu Montenegro.
Já Miguel Poiares Maduro, que foi ministro do PSD e fazia parte da equipa de Marques Mendes, assumiu que vai votar en António José Seguro. “Do ponto de vista dos princípios, e do entendimento do nosso regime político, estou mais próximo de António José Seguro que de André Ventura”, assumiu na RTP, sem descartar que Mendes possa vir a tomar uma posição pessoal.
“Do ponto de vista do PSD, é mais importante um Presidente como Seguro do que como Ventura. O objetivo de Ventura é substituir o PSD na governação”, afirmou. Para o professor universitário, se Ventura chegasse a Belém, “ia presidencializar o regime. Na medida em que o conseguisse, ia tentar governar a partir de Belém”.
PS fala de valores ameaçados
O secretário-geral do Partido Socialista (PS) considerou que a elevada participação nas eleições presidenciais prova que os portugueses “quando sentem que os seus valores podem estar ameaçados se mobilizam” e enalteceu que a democracia está viva.
“O que me deixa ficar como democrata muito satisfeito é ver esta participação eleitoral. Uma participação que bateu todos os recordes desde 2016, cá no território nacional, mas também no estrangeiro. Isso é a prova de que os portugueses, quando sentem que os seus valores podem estar ameaçados, se mobilizam para participar no ato eleitoral”, declarou José Luís Carneiro, à chegada à sede socialista, em Lisboa.
O líder do PS falou aos jornalistas pouco antes de serem conhecidas as projeções da abstenção nas eleições presidenciais de hoje, que, de acordo com as televisões, deverá situar-se entre os 35,6% e os 43%.
“Eu diria que, de forma sintética, a democracia continua a viver no coração das portuguesas e dos portugueses”, acrescentou.
José Luís Carneiro deixou ainda um agradecimento “à administração eleitoral, aos serviços consulares e diplomáticos, aos milhares de pessoas que por todo o país contribuíram para assegurar um ato eleitoral que cumpriu todos os deveres de transparência, de pluralidade, de respeito pelas diferentes opiniões”.
Mariana Leitão sem candidato
A líder da IL, Mariana Leitão, que manteve sempre a “esperança” à passagem de Cotrim de Figueiredo à segunda volta das Presidenciais, questionada sobre o duelo final entre Seguro e Ventura, escusou-se a adiantar se a IL vai apoiar algum dos candidatos, remetendo essa decisão para os órgãos internos.
“Não tenho dúvidas nesse cenário, mas obviamente não é o momento para estarmos a falar nesse cenário ainda, porque ainda não é confirmado, e mesmo que se confirme há todos os procedimentos que a IL terá de fazer, como ouvir os órgãos”, acrescentou Mariana Leitão.
PCP apela ao voto contra André Ventura
Reagindo aos resultados eleitorais, Paulo Raimundo lamenta que o resultado não tenha permitido afastar as políticas de direita, mas considera que se impõe a necessidade de impedir a instalação no poder de um candidato portador das ideias e projetos reacionários.
Por isso, o Partido Comunista Português recomenda o voto “contra a candidatura de André Ventura”.
Respondendo aos jornalistas, António Filipe sublinha que a “indicação clara” de voto “não significa um apoio a António José Seguro” ou ao que este defendeu na sua carreira política. Traduz antes a “vontade imperiosa de derrotar André Ventura”, um “candidato que pretende destruir o regime democrático”.
