Carlos Moedas manda encerrar jardins de Lisboa devido ao mau tempo

A situação “está sob controle” e não é objetivo “alarmar a população”, mas o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, pediu hoje atenção redobrada a toda a população face às condições meteorológicas adversas que estão a afetar a cidade. O autarca revela que a CML está a acompanhar e apoiar os sem-abrigo da cidade.

Esta tarde, em declarações aos jornalistas a partir do Centro de Comando Operacional Municipal de Lisboa, o autarca garantiu que todas as equipas do Município estão no terreno, envolvendo a Proteção Civil, os Bombeiros Sapadores e a Polícia Municipal, e que a situação “está a ser acompanhada 24 horas”.

Carlos Moedas anunciou ter dado ordem para o encerramento de vários jardins municipais, devido ao risco de queda de árvores provocado pelo alagamento dos solos.

“A água está a ensopar o terreno e pode haver perigo de queda de árvores no jardim”, afirmou. Em concreto, estão encerrados os jardins do Alvito, da Estrela e da Serafina.

Zona ribeirinha preocupa

Relativamente à zona ribeirinha e ao risco de inundações, o presidente da câmara assegurou que a situação está a ser permanentemente monitorizada, admitindo que poderá ser necessário proceder ao tamponamento das portas de habitações, caso as condições se agravem.

O autarca deixou ainda um apelo ao setor público e privado para que seja adotado o regime de teletrabalho sempre que possível. “Todos os que possam estar em teletrabalho, que fiquem em teletrabalho”, afirmou, sublinhando que não se pretende “alarmar a população”, mas sim promover a “racionalidade” e a adoção de todas as precauções necessárias.

Quanto às ocorrências registadas, Carlos Moedas revelou que a depressão Kristin provocou 504 situações, sobretudo quedas de árvores, mas a depressão Leonardo “tem características diferentes” e já terá causado cerca de 160 ocorrências, maioritariamente relacionadas com inundações. “O que nos preocupa daqui até domingo é este acumular da persistência da chuva”, adiantou, afastando, ainda assim, um cenário semelhante ao das cheias de 2022.

Quatro centenas de pessoas sem-teto estão a ser apoiados 

Apesar do plano de apoio aos sem-abrigo só ser acionado sempre que a temperatura baixa dos 5C, o autarca revela, no entanto, que já foi aberto um regime de exceção para apoiar os mais de 400 sem-teto de Lisboa, aqueles que vivem efetivamente na rua.

“Há um plano de contingência para as pessoas em situação de sem-abrigo, decidimos acionar esse plano. Temos equipas na rua reforçadas para ajudar as pessoas. Estamos a acompanhar e a reforçar” informou, revelando que as equipas de ação social da CML estão no terreno para fornecer agasalhos e comida aos sem-abrigo. No mesmo sentido, as principais estações de metro da cidade estarão de portas abertas para abrigar as pessoas que vivem na rua — o Metropolitano de Lisboa vai manter abertas entre hoje e a madrugada de segunda-feira, no período noturno, as estações de Santa Apolónia, Oriente e Rossio, para permitir que pessoas em situação de sem-abrigo possam ali pernoitar, devido à chuva persistente e ao mau tempo.

Evitar deslocações e zonas ribeirinhas

O autarca lisboeta pediu à população para evitar deslocações desnecessárias e também que a população que tome precauções.

“Vamos ter dias muito desafiantes até domingo. Peço que evitem deslocações desnecessárias, evitem zonas ribeirinhas e jardins. Peço paciência aos lisboetas, que percebam, sei que os jardins são importantes, mas não podemos arriscar. Devemos tomar precaução”.

Todos os distritos de Portugal continental estão quarta e quinta-feira sob aviso amarelo devido à previsão de chuva por vezes forte, passando a aguaceiros, devido à passagem da depressão Leonardo.

De acordo com as previsões meteorológicas do IPMA, o estado do tempo deverá agravar-se ao final da tarde de hoje em Lisboa.

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