A passagem da depressão Leonardo pelo concelho de Almada causou múltiplos deslizamentos de terra e obrigou à retirada preventiva de várias famílias, mas até ao momento não registou danos significativos nem perigos para a população, informou a Câmara Municipal de Almada (CMA).
Em conferência de imprensa, a presidente da CMA, Inês de Medeiros, afirmou que todos os serviços municipais estiveram em alerta e que as equipas continuam no terreno para monitorizar as frentes ribeirinhas e marítimas, bem como a instabilidade nas arribas, classificadas como paisagens protegidas com construções antigas muito próximas.
“Estamos a ter problemas de galgamento na zona do Segundo Torrão, onde já tivemos de retirar duas famílias, com cerca de dez pessoas; estamos também com problemas, como viram, de deslizamento de terras. É a nossa grande preocupação, porque os terrenos da arriba estão muito saturados. Aqui, na Costa de Caparica, em São João e Santo António, é onde tem havido os maiores deslizamentos de terra”, explicou a autarca.
De acordo com Inês de Medeiros, a maior parte das habitações afetadas são de segunda habitação, pelo que muitas estavam desalojadas, e ainda que várias pessoas foram aconselhadas a sair, ninguém precisou até agora de realojamento. No entanto, confirmou casos pontuais como a Azinhaga dos Formosinhos, onde quatro famílias foram retiradas, duas passaram para soluções alternativas e outras duas foram realojadas pela CMA.
Na Cova do Vapor, vias de acesso foram fechadas e equipas de vigilância mantêm-se no local, antecipando um agravamento das condições meteorológicas durante a madrugada. A presidente realçou que “a situação mais complicada foi o desabamento de um muro na Charneca de Caparica, junto a um lar de idosos”, tendo os 22 idosos sido colocados num lar em Setúbal graças à cooperação entre a CMA e a Segurança Social.
O serviço municipal de Proteção Civil registou dezenas de ocorrências, incluindo a queda parcial do muro do seminário de Almada que cortou uma via, o interdito no acesso ao Olho de Boi junto ao Ginjal, e o abate de uma parte do Cais do Ginjal que não tinha sido requalificada, reforçando a urgência das obras feitas no último verão.
“Todas as equipas estão a postos e estão no terreno”, assegurou Inês de Medeiros, numa mensagem de tranquilidade perante a situação previsível provocada pelo temporal Leonardo, afirmando que a proteção da população e o acompanhamento das zonas de risco são prioridade contínua.
Foto: Luís Filipe Catarino | CMA.










