A Junta de Freguesia da Misericórdia quer ter uma equipa de futebol a andar, mais conhecido como ‘Walking Football’. A apresentação da modalidade, que se destina a maiores de 50 anos, decorreu na tarde deste domingo, 19 de abril, numa iniciativa integrada nas comemorações do 25 de Abril e que decorre em vários locais da freguesia até ao final do mês.
Integrada nas comemorações do 25 de Abril, a Junta de Freguesia de Misericórdia lançou, na tarde deste domingo, 19 de abril, as bases para a criação de uma equipa de ‘Walking Football’, que, como o próprio nome indica, pretende fomentar o futebol a andar. “Temos esta modalidade no plano de atividades da Junta de Freguesia da Misericórdia, primeiro a título experimental, e depois oficializar para que possamos participar nas provas da Associação de Futebol de Lisboa e noutros convívios promovidos por outros clubes do distrito de Lisboa”, começa por explicar ao ‘Olhares de Lisboa’ Adriano Soares, técnico responsável pelas Atividades Desportivas da Junta da Misericórdia, e também um dos participantes deste jogo inaugural.
“Hoje foi uma experimentação, até porque convidámos várias pessoas, algumas funcionárias da Junta, e convidámos outras pessoas que fazem atividades na Junta, quer a nível desportivo, quer a nível social, mas ainda não atingimos o objetivo que é chamar mais população para ter mais gente para participar nisto, que é bonito, é saudável e faz bem”, continua o técnico, que já conhecia a modalidade e foi quem deu a ideia para a trazer para a freguesia. Com a apresentação deste desporto, a Junta de Freguesia da Misericórdia junta-se a um conjunto de outras freguesias lisboetas que também já aderiram ao Walking Football. Por enquanto, e como adianta o técnico Rafael Gomes, da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), no concelho de Lisboa são “quatro ou cinco freguesias” que já praticam o Walking Football. No entanto, ressalva, “a intenção da Associação de Futebol de Lisboa é, haver, na próxima época, uma equipa por cada Junta de Freguesia” da cidade.
Modalidade está reservada a maiores de 50 anos
O Walking Football é um desporto que se destina apenas a maiores de 50 anos, uma vez que, por norma, já não dispõem das capacidades físicas necessárias à prática do futebol tradicional. Apesar de se assemelhar ao futebol comum, o Walking Football tem algumas regras próprias, sendo uma delas a proibição de correr, e as equipas são mistas. Outras regras passam também por ser praticado num campo de 40×20 metros, durante 40 minutos, entre duas equipas de cinco jogadores cada, em que não existe guarda-redes. As balizas têm três metros de largura por um de altura. Na partida é usada uma bola de futsal, para não existir ressalto e os jogadores estão impossibilitados de dar mais do que três toques consecutivos na bola e esta não pode subir mais do que a altura da cintura, “para que não haja boladas”.
Os golos apenas são válidos quando obtidos dentro da área de penálti. No entanto, e apesar da competitividade que possa existir entre os participantes, o Walking Football pretende, acima de tudo, ser uma atividade recreativa e promover a saúde e o bem-estar dos praticantes. “Todas as regras são feitas para tornar esta atividade uma atividade segura. É esse o grande objetivo, mas também tem como objetivo, sociabilizar as pessoas, promover a saúde também e combater o isolamento”. Para participar, para além de ser maior de 50 anos, os interessados em pertencer a uma equipa de Walking Football são obrigados a fazer “um exame médico”, para validar a condição física. Rafael Gomes foi o técnico que orientou o jogo da equipa da Misericórdia, uma partida que juntou cerca de 10 participantes e que terminou em empate.
Junta da Misericórdia quer captar mais participantes e ter uma equipa para competir a nível distrital
“A nossa ideia era para ser feita há uns tempos atrás, mas houve umas interrupções por causa das intempéries e só conseguimos começar agora”, disse, por sua vez Adriano Soares, que adianta que o objetivo da Junta da Misericórdia será tentar captar mais participantes. Para isso, irá promover mais encontros de Walking Football, com o próximo a acontecer já no início de maio. “Existe uma iniciativa a nível distrital, na Lourinhã, que é feita pela Associação de Futebol de Lisboa, e vamos acreditar que vamos estar presentes, com uma equipa mais consistente e mais concisa, até porque isto hoje foi o primeiro dia, e houve algumas falhas que têm que ser colmatadas”, reforça o técnico, salientando, contudo, que o balanço deste primeiro jogo “foi 100% positivo”. “Tendo em conta que foi a primeira vez para todos, foi muito satisfatório. Apesar de saber que não podem correr, [os participantes] correram, mas isso acontece a qualquer um, sabem que não podem dar mais que três toques e deram mais que três, mas isso é normal acontecer. Tudo o que aconteceu foi dentro do que estava planeado para acontecer. Não nos podemos nos queixar”.
Para além de Adriano, também participaram Mariana Oliveira e Marianka Florova, duas funcionárias da Junta da Misericórdia na área desportiva. A primeira conta ao nosso jornal que sempre foi atleta e decidiu participar nesta iniciativa “pelo convívio. Mariana é responsável pelo programa Envelhecimento Ativo da Junta da Misericórdia e é da opinião que o Walking Football deva ser incluído neste programa, que conta atualmente com 79 séniores. “O Envelhecimento Ativo tem como objetivo melhorar a qualidade de vida dos séniores. Temos várias atividades, tais como ginástica de mobilidade, expressão plástica, teatro, oficina de memória, meditação, manualidades, e depois as atividades complementares, o teatro, o cinema, ou a ópera”, reforça a responsável. Por sua vez, Marianka, outra das participantes deste primeiro jogo de Walking Football, é professora de Ginástica Sénior na freguesia, e veio também pelo convívio e pela curiosidade sobre a modalidade, que não conhecia.
Promover o convívio e a vida saudável
“Estas atividades fazem muito bem às pessoas mais velhas e a Junta tem muitas atividades para elas. Portanto, só fica solitário quem não quiser sair de casa. A partida decorreu no Polidesportivo de Santa Catarina, no Páteo dos Tanoeiros, e na primeira fila, a torcer pelos atletas, estava a presidente da Junta da Misericórdia, Carla Almeida. “Estamos a comemorar o 25 de Abril, cada vez é mais importante celebrar Abril e os valores de Abril, relembrar os nossos direitos que estão frequentemente a serem questionados e postos em causa”, disse ao nosso jornal. “Celebrar Abril é manter viva a democracia, a liberdade, neste espírito de união. Estamos a começar com o Walking Football, que nasce hoje, e nasce para também mostrarmos à população e para tentar ter, no futuro, uma equipa que participe” em competições. Este grupo inicial, explica, “é um grupo de amigos residentes na freguesia e que fazem parte do Programa de Envelhecimento Ativo e Saudável”.
“As pessoas precisam do convívio saudável e de estarem juntas”, diz ainda Carla Almeida, salientando que a apresentação da modalidade na freguesia pretende, acima de tudo, “despertar o bichinho para que exista uma equipa” de competição. “O dia de hoje foi muito engraçado, começámos com os mais novos e temos aqui um dia pleno de convívio e eu acho que é isto que faz muita falta nos bairros históricos, numa freguesia fustigada pelo turismo, em que os moradores à noite não dormem. Precisamos de sentir que a freguesia também é um bocadinho nossa, não é só de quem a visita, a freguesia é de todos nós, gostamos de acolher todos bem, mas quem vem cá visitar também tem que nos respeitar, porque nós estamos a perder um bocadinho a nossa identidade”, lamenta a autarca, que lidera uma freguesia com pouco mais “de nove mil eleitores”.
Manter a identidade do bairro
Por isso, reforça Carla Almeida, “é importante captar mais eleitores” para a Misericórdia, o que se consegue, na sua perspetiva, “com mais habitação com renda acessível”. Outra coisa que também contribui para a identidade da freguesia são também as tradições, entre as quais as Marchas Populares. “Já atribuímos um subsídio de apoio às duas marchas [Bica e Bairro Alto]. Este apoio foi feito em duas etapas: no início, quando começam os ensaios, nós damos uma verba de seis mil euros; e depois, para que a população possa ir ver a sua marcha, até porque temos uma população muito idosa e muitas não podem ir nem ao pavilhão nem à Avenida. As marchas, quando fazem as voltas ao bairro normalmente não vão com os trajes, nem com os adereços, e então fazemos sempre uma atuação em conjunto no [Largo] Camões, e levamos todas as nossas marchas, desde as marchas infantis, a marcha sénior, a Marcha do Bairro Alto e a Marcha da Bica”.
“Todas as marchas que participarem nesse evento recebem mais uma verba para colmatar toda a despesa, porque tem que se pagar cavalinho e toda uma série de despesas que cada saída acarreta. Por exemplo, a Marcha do Bairro Alto ensaia aqui neste polivalente, que nós cedemos, já a Marcha da Bica ensaia na Escola Passos Manuel, e o que fazemos é dar as mesmas condições às duas”, ressalva a presidente da Junta da Misericórdia, que tem vindo a acompanhar as duas marchas de perto e deseja que que ambas “alcancem o pódio outra vez. Não nos podemos esquecer que em 2025 ganhamos o primeiro e o terceiro lugares, ou seja, tivemos o Bairro Alto em primeiro lugar [em ex-aequo com Alcântara] e a Bica em terceiro, e este ano queremos novamente o pódio, não menos que isso”.
Programa das celebrações do 25 de Abril prolongam-se até ao final do mês
Para além da apresentação da equipa de Walking Football, este dia contou ainda com um torneio Infantil de Futsal Benjamins e infantis, entre a Escola de Futebol da Misericórdia e o BA United, jogos tradicionais como Malha, Sueca, Dominó e Damas. Para esta semana, logo na segunda-feira, 20 de abril, está prevista a inauguração da exposição ‘Vida e Obra de Adriano Correia de Oliveira’, no Espaço Santa Catarina, às 18h00. Na terça-feira, 21 de abril, a Associação José Afonso recebe a apresentação do livro ‘Memórias’ de Amândio Silva, com a presença de Moema da Silva, pelas 19h00. Quarta-feira, 22 de abril, pelas 10h15, o auditório do Liceu Passos Manuel recebe a conferência/debate ‘50 anos da Constituição’, com o ex-deputado António Filipe.
No mesmo dia, entre as 10h00 e as 15h00, a Biblioteca Camões dinamiza a Oficina ‘Cravos de Abril’, onde os participantes são convidados a fazer cravos em crochet, com Alzira Correia. Já na sexta-feira, 24 de abril, pelas 18h00, o Miradouro de São Pedro de Alcântara recebe uma demonstração de boxe, jiu jitsu e ginástica/dança sénior, dinamizada pelo Lisboa Clube Rio de Janeiro. O mesmo local receberá, pelas 20h30, um espetáculo com ‘José Godinho e Banda’ e o grupo ‘Cais da Saudade’. Para sábado, dia 25 de abril, às 11h00, o Cinema Ideal recebe a exibição do filme coletivo ‘As Armas e o Povo’. Pelas 19h00, será exibido o documentário ‘SEMPRE’, de Luciana Fina, com apresentação pela realizadora.
Na mesma data, pelas 21h00, o Miradouro de São Pedro de Alcântara recebe o concerto da banda Entre Cravos e Cordas. O domingo será preenchido com um concerto do trio ‘Canto Ondo – cantem os Poetas!’, no Miradouro de São Pedro de Alcântara. A dia 28, terça-feira, às 10h00, a Escola Básica Gaivotas promove a peça de teatro “Era uma vez um País a preto e branco: Estórias de Abril’, e no último dia da programação, dia 30 de abril, quinta-feira, o Miradouro de São Pedro de Alcântara recebe, pelas 18h00, o ‘Desfile da Liberdade’, com passagem pelo Bairro Alto e término na Bica. À mesma hora, o Espaço Santa Catarina recebe a exibição do filme/documentário ‘A Companhia Disciplinar de Penamacor’, promovida pela Associação InterCulturacidade. Pelas 19h00, dar-se-á início ao Arraial da Liberdade, na Bica, numa iniciativa promovida pelo Grupo Excursionista Vai Tu.

