Loures abriu centro de acolhimento para sem-abrigo e vítimas de violência doméstica

Na inauguração de Centro de Acolhimento Temporário em Loures, Ricardo Leão aproveitou a presença da secretária de Estado da Ação Social e da Inclusão para lembrar que o território necessita de mais equipamentos e apoios para levar avante as suas políticas de integração social de pessoas em situação de vulnerabilidade. A governante revelou que vai reforçar os apoios aos cuidadores informais e prometeu reunir com o Município “brevemente” para tratarem de novas parcerias institucionais nesta área. 

A Câmara Municipal de Loures inaugurou, dia 13 de abril, um Centro de Acolhimento Temporário no concelho. O novo equipamento terá capacidade para acolher 15 pessoas em situação de vulnerabilidade social e representou um investimento de cerca de 1 milhão de euros, financiado pelo PRR.

O presidente da Câmara Municipal de Loures, Ricardo Leão, sintetizou que Centro funcionará 24 horas por dia, 365 dias por ano, garantindo respostas concretas e dignas para pessoas em situação de emergência social, promovendo não apenas o seu alojamento, mas sobretudo a sua autonomização e inclusão.

O autarca explicou que o projeto de desenvolvimento desta resposta social envolveu várias parcerias estratégicas. Nomeadamente a VITAE – Associação de Solidariedade e Desenvolvimento Internacional assegurará a gestão desta resposta, trazendo experiência, conhecimento e capacidade de intervenção; o IADE- Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação, contribuiu com uma abordagem inovadora, ao estudar o impacto dos espaços físicos — nomeadamente das cores — no processo de recuperação e desenvolvimento de competências de pessoas em situação de trauma. Este contributo permitiu criar um espaço mais humano, mais acolhedor e verdadeiramente transformador; o IKEA, que no âmbito da sua política interna de responsabilidade social, assumiu o compromisso de mobilar e decorar os vários espaços deste equipamento.

O Centro de Acolhimento Temporário é uma resposta social de emergência, que oferece alojamento temporário, alimentação, higiene e apoio psicossocial a pessoas (adultos ou crianças) em situação de carência, risco ou sem-abrigo. O objetivo é proteger e estabilizar o indivíduo enquanto se define um projeto de vida para a sua reinserção.

Loures “precisa de mais respostas sociais”

Ricardo Leão saudou a presença da secretária de Estado da Ação Social e da Inclusão, Clara Marques Mendes, no território, mas aproveitou para lembrar o Governo central que Loures “necessita ainda de muitas respostas sociais em diversas vertentes”, sendo por isso que o Município encara o Governo “como parceiro para que consigamos colocar Loures no mapa de respostas sociais prementes e necessárias em todas as faixas etárias”.

Referindo-se à inauguração do centro de acolhimento, Ricardo Leão considerou o momento como “um sonho” para o Município e para todos aqueles cidadãos que serão acolhidos no espaço.

O autarca recordou que o concelho é o 6º maior do país, um território onde vivem 205 pessoas, “com realidades diferentes de freguesia para freguesia”, formando um mosaico social e cultural complexo, mas onde a diversidade “torna o concelho mais rico”.

“Cada freguesia do nosso concelho tem uma realidade e necessidades muito próprias. Mas há uma que converge em todo o concelho, que são as sociais e, nos dias de hoje, são as mais necessárias e urgentes”.

Compromisso com o humanismo

Ricardo Leão recordou as transformações e atribuições de competências às câmaras que têm vindo a ser feitas nos últimos anos. Nesse âmbito, declarou que o país o reconhece como “um autarca exigente”, que celebrizou a frase de “que em Loures todos temos direitos, todos temos deveres”, mas este lema não descura, em nada, o seu compromisso com o humanismo e com a máxima: “em Loures ninguém fica para trás”.

Para o autarca, este equipamento social “insere-se dentro dessa perspetiva. Nós sabemos que há pessoas que, por circunstâncias diversas, caíram numa situação de emergência social extrema”. As razões são diversas e estão devidamente identificadas: violência doméstica, os sem-abrigo, carências e realidades, que por circunstâncias da vida, “podem acontecer a qualquer um de nós”, sendo este tipo de equipamentos a resposta possível para estas situações.

“O facto de (o Município) fazer cumprir a exigência de ‘direitos iguais para todos’, o dever de pagar uma renda de habitação municipal, o dever de não permitir construir habitação ilegal no concelho, não significa que me seja indiferente a situação das pessoas que caem numa situação de vulnerabilidade e emergência”.

Dando uma alfinetada no “populismo exacerbado que existe no país”, Ricardo Leão reiterou que esta solução “é temporária” e apenas “para quem precisa e se possam reerguer”, não sendo “um fim, mas o recomeço de uma nova vida”.

“É para isso que nós em Loures nos empenhamos todos os dias. Para que em Loures ninguém fique para trás”, mas também para que “o populismo não cresça” à sombra da falta de escrutínio dos apoios. “Em Loures, os apoios são dados a quem, de facto, os merece”, concluiu.

Governo vai reforçar os apoios aos cuidadores informais

A secretária de Estado da Ação Social e da Inclusão, por seu turno, enalteceu a resposta social que este equipamento representa no “recomeço de uma nova vida”.

Clara Marques Mendes concordou com o presidente da Câmara de Loures sublinhando que os municípios e o setor social “são quem conhece melhor as necessidades da população, sabendo identificar quem precisa e do que precisa”, mas assumiu que o Governo “tem consciência” que “há ainda muito a fazer na área social”, que “são necessários equipamentos e novas respostas”.

“Temos aumentado as respostas sociais e com inovação as respostas dadas. Temos de perceber que a resposta institucional deve ser o último recurso para as pessoas. Temos de ter políticas inovadoras que permitam às pessoas (em situação de vulnerabilidade) permanecerem nas suas casas, no seu meio habitual de vida, e poderem ter um acompanhamento. Por isso, estamos a iniciar cinco projetos piloto em várias zonas do país para poderem ter apoios domiciliários sete dias por semana, 24 horas – as pessoas não deixam de precisar de apoio só porque é feriado ou é de noite. Este tem sido um caminho, que está a ser feito com as parcerias dos municípios”.

No mesmo quadro, o Governo pretende aumentar as bolsas de cuidadores informais, em colaboração com os municípios, para “garantir que cuidamos de quem cuida”, anotou a governante, acrescentando que é objetivo apoiar os cuidadores informais, “que estão exaustos”, e necessitam eles próprios de uma rede de auxílio partilhada pelo Estado e as câmaras municipais.

No caso concreto do equipamento social de Loures, Clara Marques Mendes reforçou as mais-valias sociais desta resposta, mas assinalou que este tipo de instituições “devem ser o início de um caminho” e não uma solução “definitiva”, pois importa “dar dignidade às pessoas” e o recomeço de “uma nova vida”.

Segundo a governante, o foco da intervenção do Governo nas intervenções sociais “está na reposta a seguir a esta”, isto é, na reabilitação social dos utentes, procurando recapacitar e integrar as pessoas no mercado de trabalho.

A terminar, Clara Marques Mendes enalteceu a “sensibilidade social” do Município e aproveitou para revelar que vai reunir “brevemente” com o Executivo de Loures para, em conjunto com o Governo, discutirem “as medidas que estão a ser estudadas pelo Governo” para implementar no país e em Loures em concreto.

Importa referir que, em Loures, as medidas e os apoios sociais encaram a pessoa como “um todo”, como alguém que traz a sua bagagem de vida acoplada. Neste sentido, o projeto tem também um espaço de acolhimento dos animais de estimação, para que ninguém, nem mesmo os animais, fiquem para trás.

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