Odivelas celebrou legado de D. Dinis

No âmbito das celebrações do Dia Internacional dos Monumento e Sítios, cujo tema em 2026 é o “Património resiliente face às catástrofes e conflitos” e tendo em conta que o Mosteiro de Odivelas, por ser um edifício com diversas adaptações construtivas como consequência de catástrofes, a Câmara Municipal de Odivelas organizou, nos dias 16 e 17 de abril, uma iniciativa enquadrada nas atividades do sétimo centenário da morte do rei D. Dinis.

Na sessão de abertura da iniciativa, o presidente da Câmara Municipal de Odivelas, Hugo Martins, recordou que o Mosteiro D. Dinis “é um lugar maior da História do país e a grande referência do território” de Odivelas.

O autarca sublinhou os 700 anos sobre a morte de D. Dinis, que considera como uma das figuras mais marcantes da História de Portugal, constitui “motivo de grande orgulho” o facto de Odivelas ter sido eleito por este monarca como local de repouso eterno, no Mosteiro que o nobre ordenou erigir no local.

Para Hugo Martins, o Mosteiro não pertence apenas ao passado, pois continua a “interpelar-nos para o presente (…) a responsabilizarmo-nos e a desafiar-nos para o presente e o futuro”.

Apesar de o Município de Odivelas ser um dos mais jovens do país, a história deste concelho “atravessa muitos séculos e importantes momentos do percurso de Portugal”.

Foi com essa consciência, que a CMO assumiu a gestão do Mosteiro, tendo o Município “apostado na recuperação e na salvaguarda do seu património histórico e cultural, recuperando este grande monumento nacional, salvaguardando-o, com o objetivo de o devolver à comunidade”.

Converter o local no “centro da atividade municipal”

O autarca sublinhou que, nos últimos anos, através do Programa Integrado de Revitalização (ainda em curso), têm sido levados a cabo diversos trabalhos e ações de recuperação, “muitas vezes invisíveis”, mas “absolutamente estruturante e decisivo para permitir o propósito e dignidade que este espaço merece”.

Hugo Martins reforçou que, depois de o Mosteiro ter estado alocado ao ensino (era administrado pelo Exército), “é agora motivo de grande orgulho ver agora este nobre local no centro da atividade municipal”, assumindo-se hoje com um polo central de cultura, conhecimento e de lazer, mas também o local onde se realizam os momentos mais solenes celebrados pelo Município.

O autarca anunciou que, ao abrigo das políticas da CMO, o Mosteiro está a dar passos largos para se converter no epicentro de uma “nova Odivelas” e aproveitou para lembrar que os terrenos nas imediações vão ter brevemente um museu que vai refletir a grandeza da persona de D. Dinis.

“O nosso futuro museu contará com a espada do rei D. Dinis e com o espólio dos túmulos do rei e do infante, no âmbito do estudo que tem vindo a ser realizado”, anunciou o autarca, defendendo que a valorização do património é muito mais do que “apenas conservar espadas”. “É promover a humanização dos personagens históricos e coloca-los à fruição de todas as pessoas”.

A cerimónia contou com assinatura de um protocolo entre a Câmara Municipal de Odivelas e a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Hugo Martins considera que esta parceria “assenta numa visão comum: de que a investigação científica e formação constituem instrumentos essenciais para a valorização plena e sustentável do nosso património” e representa, também, um novo compromisso para ser levado cabo o desenvolvimento de um projeto comum nas áreas da arqueologia, história e museologia, assegurando uma nova visão sobre a reinterpretação do Mosteiro de Odivelas e de toda a envolvente.

A terminar, Hugo Martins sublinhou o legado D. Dinis como “parte integrante da memória coletiva dos odivelenses”, uma herança que “deve ser defendida e preservada para as gerações futuras”, declarou, prometendo robustecer o compromisso do Município na consolidação “de um trabalho profícuo que tem vindo a ser desenvolvido neste espaço” na perspetiva de construção de um concelho “cada vez mais qualificado e vibrante”.

O Mosteiro de Odivelas resultou da vontade do “Rei Poeta”, que o mandou construir em terrenos seus e não da coroa, na sua quinta de Valle de Flores em Odivelas, como paga de uma promessa de um milagre. O chamado “Milagre de D. Dinis” refere-se à lenda em que o rei, atacado por um urso, pediu ajuda a São Luís e conseguiu matar o animal com um punhal, resultando o feito na promessa de fundação do Mosteiro de Odivelas.

Apresentação do filme “Valle de Flores”

A cerimónia contou ainda com a apresentação da conferência por Hermenegildo Fernandes, diretor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; mas também de uma brochura alusiva ao Sétimo Centenário da morte do rei D. Dinis; o apontamento visual “Olhares sobre o Mosteiro de Odivelas”, da autoria de Alexandre Costa; lançamento da emissão filatélica evocativa do Sétimo Centenário da morte do rei D. Dinis.

A comemoração foi concluída com a apresentação do filme “Valle de Flores”. A fita retrata as lendas associadas ao “Rei Poeta”, bem como as histórias paralelas de muitas mais personalidades históricas que passaram pelo Mosteiro ao longo da História, nomeadamente as freiras que durante muitos séculos viveram no espaço, criando muitos dos doces conventuais que perduraram até hoje, como a marmelada branca de Odivelas.

Segundo a sinopse da obra, o filme percorre “um percurso que atravessou séculos com vivências tão distintas, mas sempre com o mesmo fascínio. Em cada canto deste espaço privilegiado há ecos de risos e rezas. Este espetáculo pretende recordar os personagens históricos que fizeram parte deste Mosteiro”.

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