Como resultado de “uma longa e frutífera parceria entre o ITQB NOVA e o Município de Oeiras”, o programa de bolsas BRIDGE atribuiu 13 bolsas de estudo a jovens que irão estudar e dar o seu contributo na investigação científica no concelho e, também, deixar a sua “marca” na comunidade. Isaltino Morais disse que o ecossistema de Oeiras tem justamente resultado por ter vindo a apoiar medidas com “políticas integradas”.
O Município de Oeiras e o Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier da Universidade NOVA de Lisboa (ITQB NOVA) entregaram hoje, dia 29 de abril, 13 bolsas BRIDGE para apoiar o doutoramento de jovens candidatos que pretendem desenvolver investigação nos laboratórios do ITQB NOVA, em Oeiras.
A cerimónia de apresentação dos 13 bolseiros BRIDGE contou com a participação do presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, e do diretor do ITQB NOVA, João Crespo.
O diretor do ITQB NOVA agradeceu, “do fundo do coração”, ao presidente do Município, Isaltino Morais, e ao vereador da Educação, Pedro Patacho, por terem “abraçado desde a primeira hora” o projeto e terem “posto a iniciativa a funcionar”.
João Crespo referiu estar esperançando que destes 13 projetos de doutoramento “resulte investigação da mais alta qualidade” e que obtenham “resultados relevantes para a comunidade científica”.
Noutro plano, o responsável sublinhou que o principal resultado de um projeto de doutoramento “não é tanto o resultado científico que é produzido, mas sim a pessoa que estamos a formar”, porque a expetativa final “é que essa pessoa, no seu percurso profissional, tenha impacto nos outros”. Por que, ao fim ao cabo, este projeto “existe para apoiar pessoas”, nomeadamente para os mestrados que “hesitam em continuar para doutoramento porque não têm apoio financeiro”.
Na sua primeira edição, o programa de bolsas BRIDGE prevê um apoio de oito meses (que variam entre os 1300 e os 1500 euros) para atrair e reter talento científico, proporcionando a jovens cientistas a oportunidade de trabalhar em conjunto com os investigadores do ITQB NOVA enquanto aguardam os resultados da sua candidatura ao concurso de bolsas de doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Adicionalmente, neste período, vão também participar em atividades de comunicação em ciência, no âmbito de diversas iniciativas promovidas em parceria com o Município de Oeiras.
João Crespo refere que a inclusão dos jovens nas iniciativas do território de Oeiras “é também muito relevante”, por que os jovens “vão perceber que fazer um doutoramento em Oeiras não é como fazer um doutoramento em qualquer outro sítio”, uma vez que “é diferente” porque há “uma preocupação efetiva com a comunidade”.
Medidas concertadas e integradas num ecossistema de sucesso
O presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, sustentou que o evento não seria “nada de extraordinário se fosse uma medida isolada”, mas, pelo contrário, assume grande relevância porque representa “mais um passo, mais uma atividade, mais uma política pública inserida no ecossistema favorável ao desenvolvimento, da inovação, da tecnologia e do empresariado” em Oeiras.
O autarca lembrou que esta iniciativa está (in)diretamente relacionada com as políticas de apoio à Educação levadas a cabo pelo Município, designadamente o pagamento das propinas a todos os alunos “que não tenham capacidade para pagar”, estando, no momento, atribuídas 1500 bolsas a jovens do concelho de Oeiras que frequentam as universidades.
Desenvolvimento de Oeiras feito à custa da aposta na comunidade
Após revelar que tinha estado a analisar dados de Portugal relativos à criminalidade, emprego, exportações e importações, o autarca recentrou o discurso, elaborando o histórico de Oeiras nos últimos 30 anos. Nessa época, “Oeiras ocupava o 24º lugar dos rankings orçamentais dos municípios portugueses. Atualmente, está entre o 3º e o 4º lugar, mas é o Município que mais investe em Portugal, logo a seguir à capital, que tem um orçamento que triplica o de Oeiras, menos 100 milhões do que Sintra ou Cascais. No entanto, o investimento capital em Oeiras é muito maior”.
Isaltino Morais recordou a trajetória ascendente do território que acabaria por catapulta-lo para a situação ímpar atual. “Há 40 anos, o grosso do investimento foi para a habitação e para acabar com os bairros de barracas. Nessa altura, Oeiras era um dormitório enxameado de barracas. Ninguém acreditava que o território chegaria ao ponto de desenvolvimento em que está hoje. O talento, a inteligência, a economia, estavam em Lisboa, havendo uma macrocefalia lisboeta. Havia uma grande dificuldade em trazer investimento e riqueza para Oeiras, que já tinha alguns institutos e universidades que, de facto, foram âncoras para este modelo de desenvolvimento que traçámos”.
Não obstante, o autarca diz que não há modelos de desenvolvimento sustentáveis com “investimentos isolados”. “Se só atrairmos para cá empresas, sem termos equipamentos, creches, espaço urbano de qualidade, etc., não resulta”.
Isaltino Morais admitiu, porém, que o sucesso de Oeiras “atrai muitas invejas”, exemplificando com a inauguração recente da requalificação dos Bairro dos Navegadores. “Este bairro de habitação pública, que é um bairro problemático, foi alvo de um investimento de cerca de 4 milhões de euros nos arranjos exteriores. O bairro ficou realmente bonito. Mas se formos às redes sociais vemos comentários como ‘essa gente não merece’, ‘tratam o espaço e daqui a uns anos está destruído…’, ‘só fazem obras onde não merecem’, etc. Tive o cuidado de ir ver de quem eram os comentários. 99% dessas pessoas não eram de Oeiras, fiquei mais tranquilo”.
Isto para explicar que, se não houver políticas públicas de apoio para as pessoas que desenvolvam projetos, “procuram outras paragens”, alerta, acrescentando que só se alcançam resultados com políticas integradas de ordenação do território, de desenvolvimento de equipamentos públicos e espaço público de qualidade. “Com políticas integradas, obviamente que o grau de atração é muito maior e a valorização do território aumenta”, “atraindo-se talento, investimento, riqueza – que tem de ser distribuída de forma equitativa”.
Bolseiros nacionais e estrangeiros
Oriundos da Índia, do Paquistão, do Reino Unido e de várias regiões de Portugal, os jovens mestres preparam-se para desenvolver no concelho de Oeiras investigação em áreas tão diversas como novas estratégias antimicrobianas; dermatite atópica e linfoma; arroz resistente ao calor; interações entre plantas e micróbios em condições extremas; simulações computacionais e bio reatores para captar dióxido de carbono.
Segundo a CMO, o programa de bolsas BRIDGE resulta “de uma longa e frutífera parceria entre o ITQB NOVA e o Município de Oeiras”, cujos méritos são reconhecidos na área da ciência e da inovação, particularmente na formação avançada, na atração de talento científico e no envolvimento da comunidade com a ciência e a tecnologia.












