“Anjos da cidade” celebraram 631 anos ao serviço de Lisboa

O Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa assinalou hoje, dia 19 de maio, o seu Dia da Unidade, celebrando vários anos de dedicação, coragem e serviço à cidade de Lisboa e às suas populações. Carlos Moedas enalteceu o heroísmo da corporação, considerando os homens e mulheres do RSBL como verdadeiros “guardiães da cidade”. 

O Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa assinalou o Dia da Unidade, na Praça do Comércio, com um desfile de forças em parada e veículos motorizados. A cerimónia contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, e do comandante do RSBL, Alexandre Rodrigues, bem como diversas figuras militares e da Proteção Civil.

Desde 1395, quando D. João I determinou a criação do primeiro serviço organizado de combate a incêndios em Lisboa, que o Regimento tem sido um pilar fundamental na proteção de pessoas e bens, acompanhando a evolução da cidade e afirmando-se como a mais antiga e maior corporação de bombeiros profissionais do país.

A cerimónia pública contou com momentos solenes, imposição de condecorações, desfile das forças em parada e motorizado, bem como uma encenação histórica com peças do espólio museológico do RSBL. Foi ainda inaugurada a exposição “100 Anos! 100 Objetos!”, nos Paços do Concelho.

Herdeiro de mais de VI séculos de História do Socorro em Lisboa, e integrado em 1852 na Câmara Municipal, o RSBL é a maior e mais antiga corporação de bombeiros do país, em recursos humanos, meios e equipamentos, com uma média superior a 20 mil intervenções anuais na cidade. Trata-se de uma unidade profissional definida por um quadro orgânico de 1112 elementos, com 150 veículos operacionais e logísticos, distribuídos por 11 quartéis localizados estrategicamente na cidade de Lisboa.

Comandante recordou as múltiplas intervenções no terreno

Na cerimónia do Dia da Unidade, no Terreiro do Paço, o comandante do RSBL, Alexandre Rodrigues, fez uma retrospetiva do último ano, um período “exigente e repleto de desafios”, tendo o RSBL respondido a 22 600 ocorrências, cuja “rapidez e eficácia de resposta conseguiu evitar consequências mais graves em 1226 incêndios, entre os quais 306 ocorrerem em edifícios da cidade”. Foi também assegurado o socorro em 2800 acidentes rodoviários, que implicarem o desencarceramento de várias vítimas.

Alexandre Rodrigues destacou ainda que, em abril de 2025, o apagão sentido na cidade trouxe um novo desafio para os bombeiros. “Foram acionados os mecanismos de atuação, os protocolos foram cumpridos, e a continuidade das operações nunca esteve em causa”, tendo sido “assegurada a segurança e o socorro a todos os que vivem ou passam pela cidade de Lisboa; ninguém ficou por socorrer, porque estávamos preparados e sabíamos o que fazer”.

Por outro lado, e mostrando o seu grau de prontidão, RSBL deslocou 188 bombeiros e 10 viaturas para o teatro de operações no combate dos incêndios deflagrados no Centro e no Norte do país. “Com elevado sentido do dever, os nossos bombeiros estiveram na linha da frente dos incêndios, protegendo as populações, defendendo o território e ajudando a comunidade”. Segundo o responsável, esse trabalho foi amplamente reconhecido pelas populações. “Foram inúmeros os testemunhos de agradecimento das populações pelo trabalho no combate às chamas e na proteção das aldeias, como foram os casos das pessoas de Malhada Chã, Soalheira e Meãs”.

O comandante sublinhou que as equipas do RSBL eram rendidas a cada 24 horas “para manterem a sua capacidade física e mental e para garantirem a própria segurança dos operacionais”, que atuaram num cenário “perigoso e de elevada complexidade”, tendo sido “a única força a realizar tais procedimentos”.

A tragédia do Elevador da Glória também fui lembrada no discurso do líder da corporação. Alexandre Rodrigues salientou a “dedicação e profissionalismo” na resposta a esta tragédia, que “contribuíram de forma decisiva para a eficácia da resposta operacional”. “Num contexto de forte pressão física e emocional, chegámos em menos de 2 minutos e num curto espaço de tempo colocámos 67 operacionais e 17 viaturas no local do acidente, o que demostrou uma capacidade de resposta e ímpar nível de treino de todos os profissionais”.

Ao referir-se à tempestade Kristin, o responsável sublinhou o socorro a 319 ocorrências, considerando que o trabalho do RSBL “garantiu que a cidade estava em segurança para o seu normal funcionamento”, partindo posteriormente uma equipa de 12 operacionais para socorrer a zona de Leiria, tendo apoiado a população com um veículo escada, o único no local, que ajudou “quem tudo perdeu”.

“Anjos da cidade”

O comandante reconheceu ainda o “orgulho” do trabalho desenvolvido na área social, dizendo que o RBSL assegurou 686 visitas domiciliárias e acompanhamento de 1023 utentes, através do serviço municipal de teleassistência, “afirmando-nos também nesta vertente como verdadeiros ‘anjos da cidade’, sempre próximos de quem mais precisa”.

Por tudo isto, Alexandre Rodrigues assumiu que os operacionais do seu Regimento “conhecem verdadeiramente a cidade, conhecemos cada rua, cada bairro e cada desafio que a nossa população enfrenta diariamente”, sendo resultado da proximidade e da dedicação à cidade. “O nosso compromisso com a cidade é absoluto”, destacou.

Plano de resposta para sismos

Para o futuro, o RSBL já conclui o plano de resposta para a situação de sismo, um documento que integra o reforço do dispositivo na cidade, através da articulação com forças nacionais e internacionais, um trabalho que garante “uma resposta muito rápida e no salvamento de vidas” em caso de grandes catástrofes.

O responsável lembrou ainda os títulos mundiais conseguidos nos últimos três anos nos campeonatos mundiais de desencarceramento, tendo ainda sido reconhecido como o “melhor bombeiro do mundo” um operacional do RSBL.

Socorrendo-se de ferramentas analíticas “para o apoio ao processo de decisão”, apontou a formação como um “pilar essencial” da instituição: “Queremos fazer mais e melhor neste campo da formação, porque entendemos ser uma estratégia para um serviço operacional de referência nacional e uma melhor resposta em situações de crise”.

O comandante lembrou que estão neste momento em formação 89 recrutas, estando previsto um concurso para o ingresso de mais 60 bombeiros profissionais nos quadros da estrutura.

Alexandre Rodrigues agradeceu o apoio do Município ao trabalho desenvolvido pelo RSBL, bem como das Juntas de Freguesia de Lisboa.

Reconhecimento e gratidão da cidade de Lisboa

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, considerou que a efeméride “é um dos maiores dias na cidade de Lisboa”, um dia em que “celebramos uma parte de nós”, porque o homens e mulheres RSBL “são os guardiões de Lisboa”.

“A palavra mais importante, muitas vezes esquecida, é a gratidão a todos em nome dos lisboetas por estes 631 anos que foram aqueles que nos protegeram. Lisboa evoluiu sempre ao lado do seu RSBL, que é algo único. O RSBL faz parte da nossa alma e da nossa identidade. O RSBL estiveram sempre com a nossa cidade e nunca a deixaram cair, mesmo nos momentos mais graves, mesmo sabendo que implicava sacrifícios ao alcance de poucos”.

Carlos Moedas elogiou “o espírito de sacrifício e de abnegação” demonstrados na defesa da cidade, mas também em ocorrências no resto do país. “Esse espírito ficou demonstrado na cidade de Leiria, onde todos nós vimos o rasto de destruição causado pelas tempestades. E, nesse momento, o RBSL disse presente, disse estamos aqui e não vos vamos deixar cair, demonstrando que Lisboa estava lá, que são um verdadeiro símbolo da nossa cidade”.

Carlos Moedas elogiou o sacrifício e a coragem dos operacionais, considerando-os “verdadeiros heróis” e “a instituição que sustenta a nossa cidade”, lembrando os incêndios do Bairro Alto e na Mouraria, na resposta ao temporal em Lisboa, mas lembra-se, sobretudo, da ação “ao minuto” na tragédia do Elevador.

Salienta que Lisboa tem “os melhores bombeiros do mundo” que têm a virtude de ter a coragem de reagir “bem ao enfrentar o medo”, referindo a prontidão do RSB para intervir tanto na capital como noutras zonas do país em situações de emergência e incêndios, mas também em cenários de “perigo e catástrofe internacional” como na Turquia e em Valência.

Como reconhecimento ao papel heroico deste operacionais, o autarca destacou o “compromisso” do Município no apoio ao RSBL, contratando mais 50 bombeiros, abrindo o concurso para mais 80 vagas, requalificando quartéis, destacando o investimento contínuo, a aposta da autarquia em recursos, na criação de um novo centro de operações e formação (como o novo quartel em Marvila) e na realização de novos concursos para reforço do efetivo.

Prémios, desfiles e recriação histórica

O Dia da Unidade do RSBL visa fortalecer o espírito de unidade entre o efetivo no ativo e aposentado, partilhando-o e dando-o a conhecer a toda a população, numa ótica de proximidade e confiança. O programa da cerimónia inclui a inauguração da exposição “100 Anos! 100 Objetos”.

A cerimónia incluiu a receção de prémios do Campeonato do Mundo de Trauma e Desencarceramento 2025 e a imposição de condecorações aos operacionais.

De destacar ainda a recriação histórica de uma intervenção de época com peças do espólio museológico do RSBL. Antes da existência de um corpo profissional focado, o combate ao fogo era um dever cívico. A população e os carpinteiros utilizavam machados para criar quebra-fogos, enquanto as mulheres auxiliavam lançando água com cântaros. Os aguadeiros usavam bombas de água manuais, abastecendo os depósitos em chafarizes locais.

A cerimónia contou também com o desfile das forças em parada: motorizado e apeado, demonstrando que o RSBL está sempre em grau de prontidão máxima para acudir ao povo de Lisboa.

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