A Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) apresentou esta terça-feira a plataforma tecnológica GO, desenvolvida internamente para apoiar o planeamento, a gestão operacional e a monitorização dos transportes públicos. Carlos Humberto defende que a GO representa uma nova forma de compreender, gerir e melhorar a rede de transportes públicos. Carlos Moedas elogiou a estratégia de mobilidade que está a ser implementada na AML e afiançou que “pode ser exemplo para todo o país”.
As funcionalidades desta plataforma foram apresentadas no dia 28 de julho durante uma cerimónia que decorreu em Lisboa, na qual estiveram presentes representantes da Área Metropolitana de Lisboa (AML), operadores de transportes e outras entidades do setor.
Segundo explicação de João Vasconcelos, um dos técnicos que desenvolveu esta ferramenta, a plataforma foi desenvolvida para suportar a operação da Carris Metropolitana, mas evoluiu para integrar módulos de gestão da oferta, monitorização em tempo real, análise de desempenho e informação ao público.
Em termos práticos, a plataforma GO passa a responder a questões como a evolução da procura, o desempenho da operação ou o impacto que medidas como a criação de faixas BUS têm na redução de emissões de dióxido de carbono, “apoiando decisões de gestão baseadas em dados”.
O presidente do conselho de administração da TML, Carlos Humberto, sublinhou a importância desta plataforma no planeamento e gestão do serviço público de transporte, admitindo que esta ferramenta possa vir a ser disponibilizada a outras entidades.
“Estamos mais um passo na evolução da mobilidade na AML. O GO representa uma nova forma de compreender, gerir e melhorar a rede de transportes públicos. Mais do que uma plataforma tecnológica, é uma ferramenta de apoio ao planeamento, à operação e à informação, construída para responder às necessidades de quem gere e de quem utiliza a rede”.
O responsável adiantou que “já estamos a trabalhar com diferentes comunidades intermunicipais, com os Transportes Metropolitanos do Porto, com outras entidades e com a Região Autónoma da Madeira para a eventual utilização do Go”.
Para Carlos Humberto, esta ferramenta tecnológica de gestão, nasceu de uma “visão de serviço público”, sendo fruto “das opções que tomámos na capacitação das nossas equipas técnicas”, disse, referindo que acredita que a ferramenta tem potencial para ser disponibilizada a outras entidades que deles possam beneficiar. “A partilha dos saberes, experiências e boas práticas é contributo para um sistema de mobilidade eficiente e cada vez mais integrado. É essencial continuar a aprofundar o caminho que tem sido feito de melhor e maior cooperação entre as várias entidades públicas, da mobilidade e operadores de transportes na AML”.
É objetivo alargar a “fusão” do cartão escolar com o passe navegante numa única solução já em funcionamento nos municípios de Oeiras e Cascais e em preparação em muitos outros. Mas também alargar a solução de aquisição do bilhete de bordo, através do cartão bancário, já em fase de difusão para toda a frota de Carris Metropolitana e “que pretendemos no futuro expandir a outros operadores da AML”, anotou.
Planeador de viagens
Segundo o responsável, a TML conta hoje com imensos desafios tecnológicos, que importará aprimorar. “A app navegante continua a evoluir e a ganhar novas funcionalidades e ainda este ano contará com um planeador de viagens tal como tínhamos anunciado e prometido. A utilização mais alargada do navegante mobile, que permite a validação na Carris Metropolitana, mas trabalharemos para a sua disponibilização a outros.
Mas nem todas as soluções passam pela apresentação de ferramentas digitais. O administrador salientou que “continuamos a enfrentar desafios menos digitais, mais palpáveis”, designadamente a “fiabilidade dos horários, do impacto dos congestionamentos nas nossas vias e cidades”, bem como a acessibilidade das paragens e interfaces.
Carlos Humberto reafirmou a importância de todas as entidades da mobilidade da região metropolitana se entenderem e intervirem “de forma articulada, colaborativa, solidária”, tendo presente que o propósito essencial “é servir as populações e o desenvolvimento dos municípios e da região”. Na mobilidade da AML, “todos nos complementamos uns aos outros, todos fazemos muita falta”, afirmou, reiterando a necessidade de cooperação em todas as dimensões tecnológicas, institucional, operacional. “Este é o nosso compromisso para o objetivo comum de oferecer uma mobilidade eficiente, integrada, fiável e democrática”, concluiu.
“Instrumento essencial para políticas públicas”
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), que também interveio na cerimónia, considerou que a plataforma representa “um instrumento essencial para as políticas públicas”, defendendo uma “visão metropolitana dos transportes” e a necessidade de “termos dados em tempo real” para melhorar as respostas à população.
Reconhecendo a importância da inovação digital nos transportes, Carlos Moedas sublinhou, contudo, que as políticas e medidas de mobilidade devem ter em conta as necessidades dos utilizadores dos transportes públicos.
“O passageiro não quer saber se está nas fronteiras de Lisboa, de Loures ou de Odivelas. Ele quer ser servido”, afirmou o autarca, acrescentando: “A maior parte das queixas que eu muitas vezes vejo, estão relacionadas com o passageiro não sentir que está a ser servido da mesma maneira ou que tem que pensar em que município é que está. E por isso, a TML é um caso de estudo europeu sobre aquilo que é o primeiro passo de uma área metropolitana, que é o transporte metropolitano”.
O autarca enalteceu ainda o facto de a inovação estar a ser desenvolvida internamente, em vez de a TML recorrer a serviços externos, de quem desconhece as especificidades do terreno.
“Normalmente, as empresas querem inovar fazendo o outsourcing da sua própria inovação. Contratam um consultor, esse consultor desenvolve um determinado software ou uma solução e depois a solução não funciona. E ela não funciona porque esse consultor não vive no dia-a-dia da operação. E aquilo que é distinto e que é único nesta vossa solução é que esta solução é trabalhada por quem sabe, quem vive todos os dias a operação”, inovação que é feita no terreno “por quem sabe”.
O também presidente do conselho metropolitano de Lisboa referiu ainda que a plataforma GO poderá ser um instrumento relevante para apoiar políticas ambientais, defendendo que os dados recolhidos permitam avaliar o impacto das medidas de mobilidade.
“A minha pena é eu não conseguir hoje ter em Lisboa, em tempo real, quais são as emissões de CO2”, afirmou, acrescentando que a plataforma “pode ser um papel muito importante” para monitorizar a poluição, nomeadamente o efeito da criação de faixas BUS nas emissões.
Para Moedas, a estratégia concertada de mobilidade que está a ser implementada na cidade de Lisboa, “pode ser um exemplo para o país, para tantas cidades no país que podem utilizar este sistema que foi desenvolvido por aqueles que sabem que são os trabalhadores da nossa TML”.
