Por ocasião do Dia Internacional da Cerveja, celebrado a 7 de agosto, a APCV – Cervejeiros de Portugal divulgou dados que evidenciam o forte contributo do setor cervejeiro para a economia nacional. O estudo “Impacto Socioeconómico do Setor Cervejeiro em Portugal”, desenvolvido pela Nova School of Business and Economics, revela que, em 2024, cada euro de receita fiscal diretamente associada à atividade cervejeira gerou 36,86 euros em receita fiscal total para o Estado.
Este efeito multiplicador fiscal resulta do emprego, da atividade dos fornecedores e dos impactos ao longo da cadeia de valor, considerando receitas provenientes de IRS, IRC e contribuições para a Segurança Social, excluindo o IVA. Assim, o contributo fiscal do setor ultrapassa largamente a receita gerada diretamente pelas empresas produtoras de cerveja.
O estudo destaca também o impacto na geração de rendimento. Por cada euro pago diretamente em remunerações pelo setor, foram gerados 32,50 euros em remunerações no conjunto da economia portuguesa, totalizando 2.776,2 milhões de euros em remunerações diretas, indiretas e induzidas. Este resultado traduz o contributo social do setor, que se reflete não só na criação de emprego, mas também no rendimento dos trabalhadores e das famílias.
Em Portugal, cerca de 70% da cerveja comercializada ocorre através da restauração, hotelaria, cafés e bares, o que confere ao setor uma dimensão social relevante. O país é o que apresenta maior peso do consumo de cerveja fora de casa via canal HoReCa na Europa, ocupando o primeiro lugar no ranking.
O setor cervejeiro caracteriza-se por emprego qualificado, estável e com elevada capacidade de criação de valor. Em 2024, gerou 130.612 euros de valor acrescentado por trabalhador, quase três vezes acima da média da economia portuguesa e perto do dobro da indústria das bebidas. Quase 90% dos trabalhadores têm contrato sem termo e a proporção de licenciados é superior à média nacional, reforçando o perfil especializado do emprego no setor.
Além disso, em 2024, o setor realizou 545,21 milhões de euros em gastos diretos na economia portuguesa, excluindo importações, através da aquisição de bens e serviços a fornecedores nacionais, demonstrando a sua forte capacidade de mobilização da economia.
Relativamente à evolução do mercado, os dados preliminares do primeiro semestre de 2026 indicam um crescimento de 1,67% das vendas internas face ao período homólogo, impulsionado sobretudo pela cerveja sem álcool, que registou um aumento de cerca de 12% nas vendas e quase 17% na produção neste período.
Esta tendência reflete a aposta contínua das empresas na inovação e diversificação da oferta, adaptando-se a diferentes estilos de vida e momentos de consumo. Contrariamente à retração do mercado europeu, onde a produção de cerveja diminuiu 2,9% e o consumo caiu 3,2% em 2025, o segmento de cerveja sem álcool manteve um crescimento sustentado, com volumes a aumentar 5,87% na União Europeia e mais de 38% desde 2020.
Os Cervejeiros de Portugal, que celebram em 2026 o seu 40.º aniversário, valorizam a diversidade, a inovação e o papel do setor na economia, turismo, gastronomia e vida social do país. A associação reafirma o seu compromisso com a promoção do consumo responsável, da sustentabilidade e da competitividade do setor.
