O Jardim do Arco do Cego, em Lisboa, voltou a receber o Festival Avenidas Hot Jazz, um conjunto de concertos de jazz que conta com a assinatura do Hot Club de Portugal, e a organização Junta de Freguesia das Avenidas Novas. O “Olhares de Lisboa” esteva lá e conta tudo.
No final de tarde do dia 21 de agosto, subiu ao palco o trio do guitarrista Gonçalo Neto – que, na verdade, é um quinteto — para apresentar “BOXEO”, o seu novo projeto.
A população não se fez rogada e, muito antes do início do concerto, às 18h30, já tinha lotado as cadeiras da plateia e grande parte do relvado do jardim, onde uma multidão de melómanos estendeu toalhas de mesa para assistir ao espetáculo, levando farnel e bebidas para acompanhar os compassos de Gonçalo Neto e sua banda.
O evento permitia a permanência de animais de estimação, e o público aproveitou para levar os seus cães para o concerto. Foi o caso de Joane, cidadã alemã, que foi acompanhada de um grupo de amigos e do seu animal de estimação. O grupo de turistas revelou que descobriu o Festival “por acaso”, mas que estavam surpreendidos pela “qualidade da banda”, mas mais ainda pelo ambiente “descontraído e heterogeneidade do público”
“É fantástico estarmos aqui com pessoas de várias gerações, famílias com crianças, todos no mesmo diapasão de simplesmente desfrutar do momento”.
Joane, estudante de doutoramento do curso de Filosofia na cidade de Berlim, aproveita para mostrar o lanche: bolos de bacalhau, bifanas “com um molho divinal”, pasteis de nata e alguma fruta. Revela que “não há cozinha como a portuguesa” e que o vinho branco (da região do Douro) casa na perfeição com o petisco e com a música. A alemã, cujo pai é músico numa orquestra internacional, admite que o branco do Douro ajuda a “desfrutar melhor da música” e a “elevar o espírito” a um patamar de quase transcendência.
A italiana Angela Parisi partilha da opinião da cidadã alemã. A viver na freguesia das Avenida Novas há 2 anos, lamenta ter perdido todos os outros concertos. Mas acrescenta que o Festival “é maravilhoso” e “é um projeto sensacional”, pois permite apreciar música “de excelência”, num ambiente verdadeiramente comunitário, em que “toda a gente está descontraída, a apreciar a beleza da vida”.
Rodrigo Antunes está acompanhado da namorada. Sentado no meio da multidão, fecha os olhos nas alturas em que a guitarra de Gonçalo Neto toma conta da melodia, dialogando com os dois saxofonistas, em compassos meticulosamente orquestrados, gerando as particulares harmonias instrumentais da música jazz.
O espectador atento assume-se como “melómano empedernido”, revelando que tem uma coleção de “mais de mil discos”, de quase todos os géneros musicais, em especial de pop-rock independente e de jazz.
Rodrigo refere que não falha um Festival (Avenidas Hot Jazz) e que já chegou a interromper as férias de verão para vir assistir aos concertos. Vestida de negro da cabeça aos pés, a namorada ri-se e abana a cabeça, em sinal de total concordância, contando que o companheiro “vive para a música”. Rodrigo sorri e volta a fechar os olhos para apreciar o concerto.
Agenda cultural Avenidas Novas “é referência”
Em jeito de balanço da iniciativa, que termina no dia 28 de agosto, um elemento da organização do evento revelou que o evento “tem sido francamente positivo”, tendo um dos concertos reunido “cerca de mil pessoas”.
“Este Festival tem vindo a demonstrar muita qualidade, quer da organização, quer da qualidade musical das bandas. Este evento tem vindo a crescer de ano para ano e é já uma referência no panorama cultural da cidade de Lisboa e da própria freguesia”
Para o organizador, o Festival Avenidas Hot Jazz “é prova da qualidade da agenda cultural” da Junta de Freguesia Avenidas Novas, que é hoje a “referência entre as autarquias de Lisboa”.
“A agenda cultural Avenidas Novas é hoje considerada umas das melhores da cidade de Lisboa. Tem trazido muita gente até à freguesia e tem vindo a somar pontos na excelência cultural que temos vindo a apresentar à população”, assinala.
A mesma fonte elogia ainda “a heterogeneidade do Festival” que junta “várias gerações de pessoas, que é algo muito positivo”, enaltecendo ainda a civilidade do público. “Não vemos aqui desacatos nem desrespeitos de género algum. A arte e a cultura unem gerações e isso é fanático”, sublinha.
Os concertos do Avenidas Hot Jazz começaram no final de julho e terminam do 28 de agosto, sendo todos de entrada livre.
Fado, música erudita e homenagem a António Silva
A agenda cultural da Junta de Freguesia tem já agendados novos eventos para as próximas semanas. Destaca-se o Festival da Madeira, que se realiza de 10 a 20 de setembro, mas também a inauguração do espaço museológico dedicado ao ator António Silva, no Bairro Azul, no dia 20 do próximo mês.
Em termos de concertos e música, a autarquia traz a Lisboa o reputado pianista espanhol Manuel Araújo, que atua na Igreja de São Sebastião da Pedreira, em Lisboa, no dia 20 de setembro de 2026, às 17:00. Este concerto de piano integra as celebrações do aniversário da Junta de Freguesia de Avenidas.
No mesmo âmbito, autarquia das Avenidas Novas, liderada pelo social-democrata Daniel Gonçalves, realiza uma Noite de Fados especial no dia 25 de setembro de 2026, pelas 21h30, na Associação Grupo Excursionista “Os Económicos” (Rua da Beneficência), também integrada nas comemorações do aniversário da freguesia. A entrada é livre, mas exige reserva prévia.

