O novo Elevador da Glória será inaugurado até ao final de 2029, anunciou esta segunda-feira o presidente da Comissão Técnica Independente da Carris, Luís Gonçalves. Vai ser lançado agora um caderno de encargos para um concurso internacional. A nova solução para ligar a Praça dos Restauradores ao Bairro Alto – após o desastre de setembro do ano passado – vai ser assente em cinco princípios, indicou o presidente da Carris, Rui Lopo, em conferência de imprensa.
O Elevador da Glória será totalmente novo. “É uma nova instalação” esta “solução para o futuro” que foi esta segunda-feira apresentada em Lisboa, na Ordem dos Engenheiros, e que resultou “de um processo complexo”, realçou Rui Lopo, presidente da Carris. A solução tem de ser “absolutamente segura” e análise de segurança vai abranger todas as operações de gestão.
No primeiro trimestre do próximo ano deverá ser lançado o concurso público internacional, para que em 2029 possa ser inaugurado. “Queremos que até ao final do primeiro trimestre de 2027 o concurso esteja lançado, de forma que até ao ano de 2029 seja possível inaugurar”, indicou Luís Gonçalves, presidente da comissão técnica independente da Carris que, no entanto, alertou para alguma vicissitude que atrase este calendário.
A apresentação do novo Elevador da Glória é feita quando está a passar um ano sobre o acidente que provocou 16 mortes e cerca de 20 feridos. “É um acidente que marca profundamente a cidade e a Carris e os seus trabalhadores”, assegurou Rui Lopo, dizendo que o processo para a nova solução mereceu “ampla reflexão”.
Não era uma reposição “simples” de um equipamento existente, salientou Rui Lopo. “A responsabilidade da Carris não era apenas reconstruir o passado, mas projetar o futuro. Não é apenas uma solução para o novo ascensor”, mas é uma solução que assenta em cinco princípios orientadores do trabalho a desenvolver. “Estamos perante uma nova instalação” que tem de ser “absolutamente segura”. A preservação da Calçada da Glória ficará assegurada, “como a conhecemos nos últimos 140 anos”, maximizando a continuidade da utilização pública da calçada. Ascensor, calçada, inclinação fazem todos parte da identidade e serão preservados. “O ascensor será novo, o lugar continuará histórico”, indicou Rui Lopo.
A resposta “tem de passar por aprender experiência para fazer uma solução mais segura, mais robusta e mais preparada para o futuro”, concluiu Rui Lopo. “Preservar não significa ficar parado no tempo, mas significa que vai continuar a existir”.
Gonçalo Reis, vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, explicou que o mandato dado à Carris assenta em quatro eixos: A Carris tem de desenvolver uma solução robusta e tecnicamente avançada, que garanta a eficácia e a segurança ao nível das melhores práticas do mundo; Solução forte em termos de mobilidade e transportes que se compatibilize com a requalificação do espaço público; Solução moderna, avançada, tecnológica mas que em paralelo respeite a identidade, o carácter e a personalidade do Elevador da Glória, que é um equipamento histórico. A solução deve assim ser moderna, mas mantendo presente o carácter próprio do Elevador da Glória; e que seja um processo exemplar, feito através de concurso público internacional, transparente, com participação máxima de parceiros em igualdade de circunstâncias.
O autarca garante que “validamos a proposta apresentada”.
Feito de raiz
Por seu turno, Ricardo Bak Gordon, arquiteto que está a trabalhar no novo ascensor, diz que está a ser olhada esta situação como “uma oportunidade para a revisão crítica do lugar”, tendo comparado a consequência do acidente do Elevador da Glória com o incêndio do Chiado e até com a guerra civil espanhola.
E foi com o quadro Guernica, de Picasso, em pano de fundo que indicou que “é nossa intenção memorizar o acontecimento e musealizar, nomeadamente partes da carruagem 1, e que isso venha a ser também visitável e parte do processo de musealização”.
“Reconstruir não vai significar, esquecer e vai acrescentar uma nova camada de história”, indica Leonor Medeiros, do grupo de trabalho que está a trabalhar na solução futura.
“É uma nova instalação” feita de raiz, e não uma reconstrução, dada a destruição do equipamento. O novo equipamento não reproduz artificialmente o elevador e deverá proporcionar uma experiência “segura, confortável e reconhecível”, com acesso a pessoas com mobilidade condicionada e reduzida.




