A orla marítima do concelho de Oeiras continua a ser uma das procuradas pelos veraneantes da Grande Lisboa, mas também de vários outros pontos do país e do estrangeiro. As praias de Santa Amaro e da Torre ocupam o lugar de eleição entre muitos dos banhistas com quem o nosso jornal conversou. Mas a Piscina Oceânica de Oeiras é também um dos destaques na oferta que o território tem para oferecer aos milhares de veraneantes que diariamente acorrem à linha de Oeiras para estar em contacto direto com a natureza.
Uma neblina matinal encobre o horizonte do Passeio Marítimo de Oeiras. Apesar do semblante nublado, não se avista a presença de D. Sebastião. Há sim um corrupio de gente de toalha e farnel às costas, carros em círculos à procura de um lugar de estacionamento. Ouvem-se várias línguas estrangeiras, desde italiano, francês e castelhano, mas também os carregados sotaques do Norte a comentar as últimas novidades do futebol, em voz alta, descontentes com a partida do Rodrigo Mora, jogador do Futebol Clube do Porto, para a Roma, em Itália.
Estamos a meio da manhã de um dia de semana de agosto, mas o casal Duarte, da Portela — localidade do concelho de Loures “encostada” ao aeroporto de Lisboa — já está a limpar os pés da areia da Praia de Santo Amaro de Oeiras para retemperar forças no “magnifico restaurante” da Inatel.
O extenso areal está bem composto, com muita gente deitada a consultar os telemóveis, mas também muitas crianças e famílias inteiras a desfrutarem da refrescante brisa marítima que sopra no areal.
Esta praia tem várias particularidades, sendo uma das maiores e mais procuradas da região da Grande Lisboa. Com uma localização privilegiada e fácil acesso, é o destino ideal tanto para um passeio matinal como para descontrair ao final do dia, bem como para ir a banhos.
A sua vasta extensão de areia, o paredão junto ao mar e a vista aberta sobre o Atlântico criam a harmonia perfeita para quem procura o equilíbrio entre cidade e a natureza. Destaca-se ainda pelo facto de ser uma das mais limpas e seguras, segundo vários relatos, mas também por ter, por exemplo, desfibrilhadores disponíveis, o projeto “Praia Acessível – Praia para Todos” – que promove a inclusão das pessoas com deficiência – ou uma biblioteca pública gratuita.
Oeiras sabe cuidar das suas praias
Maria de Lurdes Duarte vem acompanhada do marido e revela ao “Olhar Oeiras” que, desde a infância, é habitué na Praia de Santo Amaro. “Este espaço é um local onde me sinto muito bem. É uma praia com uma vista fantástica, com estacionamento a dois passos do areal, mas também por ser um sítio muito tranquilo. Para além disso, os banhistas sentem-se seguros porque há muitos nadadores-salvadores, e tem tudo aquilo que é necessário para nos sentirmos bem e retemperados, inclusivamente equipamentos que podem salvar vidas (os desfibrilhadores). É uma praia que tem uma logística fantástica e que não troco por nenhuma outra da Grande Lisboa”.
Maria de Lurdes interrompe o depoimento para perguntar ao marido se “quer falar”. Ele recusa usar da palavra, mas, passados uns minutos, vinca que já deu uma entrevista no mesmo local “a uma televisão”. E aproveita para corroborar “todas as opiniões” da sua esposa, acrescentando, todavia, que “não há nenhum concelho da zona de Lisboa que preserve tão bem as suas praias como Oeiras. A Câmara de Oeiras é aquela que melhor trata as praias em toda a orla costeira da Grande Lisboa”, assegura.
Luís Duarte lembra-se de uma altura em que boa parte do areal a Praia de Santo Amaro “estava coberto de pedras”, mas “a Câmara resolveu o problema”, com recurso à reposição artificial de areia, transformando o areal num “espaço muito aprazível”.
O banhista da Portela afiança que “todas as outras câmaras deveriam pôr os olhos naquilo que é feito em Oeiras” para proteger as suas praias, reiterando que Oeiras “está muito à frente de todos os outros concelhos” na conservação da natureza e da orla costeira.
Férias de eleição de uma família alentejana
Pedro Miguel revela que vem todos os anos passar férias às praias de Oeiras. Vindo do Alto Alentejo, mais concretamente de Estremoz, assume que a Praia da Torre é o local predileto para “descansar uns dias”, assegurando que “já há vários anos” que escolhe Oeiras para veranear com os seus três filhos e a esposa – as crianças sorriem e acenam em sinal de concordância.
“Oeiras é muito bonita. Gostamos particularmente destas praias, mas também de outros sítios do concelho. Os miúdos adoram passar férias aqui. Toda a família se sente segura e tranquila. Voltamos sempre para o Alentejo com as forças renovadas, mas com as saudades (de Oeiras) a apertar o peito na viagem de regresso a casa”.
Praia da Torre, a eleita do povo e de presidentes
Maria Esteves tem um ritual nunca interrompido ao longo “de muitos anos”. Veio de Odivelas acompanhada de uma amiga e refere que frequenta a Praia da Torre “de verão e de inverno”.
“Esta é a minha praia de eleição. Para além de ser bonita e tranquila, é de fácil acesso –para o outro lado (praias da Margem Sul) nem pensar! — e tem sempre estacionamento. Gosto do ambiente desta praia. Tem algumas rochas onde trago o meu neto para brincar, é tranquila e tem um excelente ambiente familiar”.
A banhista de Odivelas reforça que, por alguma razão, a Praia da Torre “é o local onde o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tomava banho connosco” – e tirava os famosos retratos de braço-dado com o povo.
Com algum saudosismo, Ana Maria, comadre de Maria Esteves, recorda o tempo em que o seu pai, sempre que decidia ir a banhos, “escolhia sempre a Praia da Torre, a sua praia de eleição”, um local “tranquilo” e onde, de facto, “dá para retemperar forças”, num “ambiente selecionado” pela contingência de “ter estacionamento pago”.
Escultura “I Love Oeiras”
Desde há poucos dias, a Praia da Torre tem mais um motivo de destaque. A Câmara de Oeiras inaugurou um novo “spot”, uma estrutura escultórica que assinala o “amor por Oeiras”. O presidente do Município, Isaltino Morais, esteve no local para ressalvar que Oeiras “tem um novo coração, que bate de frente para o mar”.
O autarca considerou que o Passeio Marítimo de Oeiras ganhou um novo lugar “para parar, olhar, sorrir e, claro, dizer ao mundo aquilo que já sabemos: ‘I Love Oeiras’”.
Isaltino Morais sublinha que a nova escultura “I Love Oeiras”, em frente à Praia da Torre, é uma declaração de amor ao concelho, mas também “um novo ponto de encontro para quem aqui vive, para quem nos visita e para todos os que encontram em Oeiras um lugar especial”.
O edil aproveitou para pedir à população para se deixar fotografar no local. “Esta história não fica completa sem si. Passe por lá, pare um momento e tire uma fotografia junto à escultura. Aproveite a vista e crie a sua própria versão de I Love Oeiras”.
Piscina Oceânica, ponto de encontro e de amores de verão
A orla marítima de Oeiras conta ainda com mais espaços de recreio aquático que tem feito as delícias de pequenos e graúdos, nacionais e estrangeiros. Para além do Porto de Recreio e da Marina, conta ainda com a requisitadíssima Piscina Oceânica de Oeiras, que já se transformou num dos ex-libris de recreio no território.
Constituída por dois planos de água, alimentados a partir do mar, é possível disfrutar de uma piscina para crianças com 330 m2 e de uma piscina para adultos, com uma área aproximada de 1500 m2, incluindo acesso reservado para deficientes, rodeadas por uma área comum exterior equipada com espreguiçadeiras, chapéus de sol e de zona relvada. Para quem preferir um lugar mais reservado, apresenta uma área VIP com espreguiçadeiras e chapéus de sol. Dispõe ainda de uma completa plataforma de saltos que inclui quatro pranchas com alturas diferentes.
A Piscina Oceânica de Oeiras dispõe de um espaço de lazer, com um amplo lobby, onde podem ser realizados eventos diversos como festas de aniversário, onde se servem cocktails, coffee-breaks, com condições excecionais para o desenvolvimento de provas aquáticas, jogos e competições.
Conversámos com um grupo de adolescentes de Lisboa sobre a vinda a este espaço. João Santos afiança que ele e o seu grupo de amigos se deslocam “com frequência” à Piscina Oceânica para não terem “de disputar lugares nos areais das praias”, uma vez que “o facto de terem de pagar as entradas” ajuda a demover “as multidões de banhistas” em busca de sol e da água do Atlântico.
“Aqui estamos tranquilos, livres de problemas. Brincamos, damos uns mergulhos, e os nossos pais ficam tranquilo porque sabem que estamos num lugar seguro e com boa onda”.
Um dos amigos do grupo acrescenta um “pormenor importante”, isto é, “a presença das miúdas estrangeiras que vem para aqui apanhar banhos de sol e dar uns mergulhos”.
“O ano passado, conheci uma inglesa por quem me apaixonei à primeira vista. Tivemos um romance de verão, mas ela voltou para o seu país e nunca mais a vi. Ainda falámos algumas vezes, mas não passou de amor de verão…”, confidencia, ficando cabisbaixo e pensativo. O grupo interrompe a conversa, chamando-o de “pinga-amor”, dando-lhe uns carolos e, em algazarra, o puxar para dentro dos torniquetes que dão acesso à piscina.
