Carlos Moedas voltou hoje a criticar o sistema “Volta”. Na terça-feira, o presidente da Câmara já tinha pedido ao Governo que o “cancele de imediato”. O autarca alega que este sistema de reciclagem está a causar pressão na higiene urbana da cidade de Lisboa, considerando que imagens de pessoas a entrarem nos caixotes do lixo são “uma vergonha”.
Na última reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, Carlos Moedas exigiu o fim do sistema “Volta”, que classificou o sistema como “um imposto para quem paga e um drama social sem precedentes na cidade”, que já está a “provocar um problema enorme na higiene urbana”.
À margem de uma iniciativa realizada hoje, dia 16, Carlos Moedas voltou a criticar o sistema “Volta”. Na terça-feira, o presidente da Câmara já tinha pedido ao Governo que o “cancele de imediato”.
“É uma boa intenção. É um mau resultado. Não queremos”, afirmou na terça-feira.
Esta quarta-feira, Moedas voltou a apontar consequências para a higiene urbana da capital. “O Programa Volta é um drama. Um drama social. O que nós estamos a ver todas as noites em Lisboa, todos os dias, é um drama social. Vemos pessoas com as garrafas às costas, por 10 cêntimos por cada uma”, afirmou aos jornalistas, no Largo do Chiado
O autarca disse ainda ter imagens de pessoas a procurar embalagens dentro de contentores e ecopontos. “As pessoas entram dentro dos caixotes de lixo. Eu tenho imagens de pessoas a entrar dentro dos caixotes de lixo, dentro de ecopontos. É uma vergonha”, apontou.
Carlos Moedas relacionou também o problema com a resposta social da autarquia. Segundo o presidente da Câmara, Lisboa tem “exatamente a competência de uma política muito forte” para ajudar as pessoas a sair das adições. No entanto, defendeu que isso “não é através de um sistema como este”.
Sem resposta do Governo
O edil revelou que ainda não recebeu qualquer resposta do Governo ao pedido para travar o “Volta”. Garantiu, todavia, que o Executivo conhece a sua posição e voltou a apontar França como exemplo a seguir.
“Dei ao Governo o exemplo de França, em que já pararam e voltaram para trás. E, portanto, eu acho que, na política pública, não é vergonha nenhuma reconhecer os nossos erros”, afirmou.
Moedas considerou ainda que existe “um erro da União Europeia em relação a este tipo de política”. Para o autarca, esta situação “veio trazer problemas não só a Lisboa, mas também a outras cidades”.
O presidente da Câmara reconheceu que o Governo enfrenta a posição da União Europeia e a possibilidade de Portugal ter de pagar uma multa caso recue na aplicação do sistema.
“Mas se os franceses não pagaram essa multa e pararam, nós também podemos seguramente executar”, acrescentou.
Em funcionamento desde 10 de abril, o “Volta” aplica um depósito de 10 cêntimos às garrafas e latas de uso único abrangidas pelo sistema. O consumidor pode recuperar esse valor através da entrega da embalagem num dos pontos de recolha existentes no país.
Ministra elogia “Volta” e promete estender sistema a outros setores
Na inauguração de uma fábrica em Odivelas, a ministra do Ambiente e Energia, Maria Graça de Carvalho, disse esta semana que o país está ainda muito distante das metas propostas pela União Europeia no sentido de reduzir a pegada ecológica, tratando 64% dos resíduos, quando deveria reduzir para os 10%.
Dando o “Volta” como exemplo de boas práticas ambientais, Maria Graça Carvalho defendeu que o programa já reuniu 305 milhões de embalagens de plástico e metal, ajudando a “atingir as metas propostas”, mas afiança que é objetivo do Governo estender esta circularidade da economia ao setor dos têxteis e de outros ramos da indústria.


