Santo Antão do Tojal voltou a viajar através da máquina do tempo, recriando o século XVIII na Feira Setecentista, um dos eventos culturais mais emblemáticos do concelho de Loures. Durante três dias, a freguesia foi tomada por um mar de gente, contando com a visita de figuras públicas, como a cantora Rita Redshoes, e milhares de cidadãos anónimos de toda a grande Lisboa, para assistirem aos maneirismos da realeza, mas também ao viver genuíno do povo de Santo Antão na época.
A Feira Setecentista de Santo Antão do Tojal, realizada entre os dias 25 e 27 de setembro, convidou o público a mergulhar numa experiência única onde a História ganha vida. Entre recriações históricas, figurinos de época, artesãos, música, teatro e sabores tradicionais, a Praça Monumental transformou-se num verdadeiro cenário setecentista.
Ao longo de três dias, famílias e visitantes foram desafiados a viajar no tempo, descobrir ofícios antigos, assistir a momentos de animação histórica e sentir a atmosfera vibrante desta celebração do património e da identidade local.
No dia 27, a atriz e palhaça Tânia Safaneta, presença habitual em tudo o que é festa da zona de Lisboa, já dava algumas mostras de “exaustão”, deitando-se nas lajes da Praça, simulando desmaios, caretas de cansaço e de loucura transitória. Ao longo do evento, Safaneta assumiu o papel de marquesa e saloio setecentista. Os seus berros desbragados ouviam-se por todo o recinto da festa. Metia conversa com os visitantes, perguntando: “Atão, que fazeis aqui? Estais a gostar? O quê? Vai, mas é para casa!”. O público ria-se com as interações da palhaça, que incorpora como ninguém a alma do povo saloio, mas também do forcado e de outros personagens do imaginário popular português.
Sentada numa das mesas de refeições, a cantora Rita Redshoes — nome artístico de Rita Pereira — observava o ambiente, rodeada da família e mais algumas centenas de pessoas que não tiravam os olhos dos personagens históricos que circulavam pelos vários espaços da Feira, com os maneirismos próprios da época, abanando leques e falando entre si em português “arcaico”.
Em declarações ao “OL”, a cantora confessou que, por razões profissionais, nunca tinha marcado presença na Feira, apesar de viver em Loures desde os 5 anos, mas que ficou “positivamente surpreendida” com “toda a recriação, bem engraçada, do ambiente da época” e que proporciona uma verdadeira “viagem ao passado” feita entre palácios históricos e com “tudo muito bem organizado”. A cantora e compositora admite voltar para o ano e trazer mais gente para presenciar “este acontecimento cultural único” na região de Lisboa.
A artesã Manuel Carvalho está vestida a rigor como na época setecentista. Tem uma banca onde comercializa azulejos pintados e feitos à mão, “como no século passado”. O negócio “não está grande coisa”, mas a artesã confessa que as vendas “não são o mais importante”, mas sim a presença “num evento muito especial”. Maria Carvalho vem de Sintra e revela que já participa na Feira “há 17 anos”, não fazendo tenções de “desistir”, mesmo que o negócio fique aquém das expetativas, enquanto “houver saúde” vai continuar a participar numa “festa única”. Até porque constitui oportunidade de continuar a mostrar o seu trabalho a um público mais vasto.
Cortejo registou “maior enchente de sempre”
Por seu turno, o vereador do Turismo, André Antunes, sublinha que um dos principais momentos da edição aconteceu no sábado à noite, com o cortejo noturno evocativo da passagem de El-Rei D. João V por Santo Antão do Tojal, acompanhado pelas estátuas e sinos destinados à Real Obra de Mafra, vulgo, Convento de Mafra. O cortejo percorreu as ruas São Julião do Tojal e terminou na Praça Monumental, tendo tido a “maior enchente de sempre”, juntando “milhares de visitantes”, num cortejo que contou com 200 figurantes.
André Antunes salienta que esta iniciativa está integrada nas celebrações do Dia Mundial do Turismo, assinalado no dia 27 de setembro, e que está sob o arco da estratégia municipal para o desenvolvimento da oferta turística e da promoção do património histórico do concelho de Loures.
“A Feira Setecentista é já uma das maiores recriações históricas de toda a Grande Lisboa. Por direito próprio, ganhou um espaço de relevância assinalável nos grandes acontecimentos culturais do concelho e do distrito de Lisboa. Continua a ser uma peça fundamental na divulgação do concelho de Loures, mas também da estratégia municipal para fazer de Loures um ponto nevrálgico do turismo cultural e de natureza a dois passos da capital. Loures está muito perto de Lisboa e merece um novo protagonismo no setor”, afiança o responsável.










