Começou hoje mais uma edição das Festas em honra de São Miguel Arcanjo, em Queijas, uma celebração que conjuga a dimensão religiosa com a tradição popular, a música, a cultura e o convívio, reunindo a comunidade em torno do seu Padroeiro. Fomos conhecer a opinião do pároco de Queijas e visitámos o local para sentir o pulsar dos dias festivos que se avizinham.
Para além da parte “profana”, em que os concertos e atividades vários celebram o lado lúdico das festividades, destacam-se as celebrações religiosas, que congregam a vinda de participação de milhares de pessoas da freguesia e de outros locais do concelho de Oeiras.
O Pe. Alexandre Santos diz que o ponto alto das festividades é o domingo, 27 de setembro, dia inteiramente dedicado ao Padroeiro São Miguel Arcanjo. Às 10h30, celebra-se a Missa Solene, presidida por D. Rui Gouveia, Bispo Auxiliar de Lisboa, que o pároco considera como “momento central” da vivência religiosa, reunindo a comunidade na expressão da sua fé.
Às 16h00, a Procissão em honra de São Miguel Arcanjo percorrerá as ruas da Vila de Queijas, abrilhantada pela Orquestra do Grupo Musical 1.º Dezembro de Queijas e acompanhada pelos Ranchos Folclóricos “Terras da Nóbrega”, “Casa do Minho em Lisboa” e “As Vendedeiras Saloias”.
Às 17h30, a Orquestra Juvenil do Grupo Musical 1.º Dezembro de Queijas subirá ao palco das festividades para brindar o público com um grande concerto, numa celebração de boa música, talento e juventude.
As Festas de São Miguel Arcanjo culminam na terça-feira, 29 de setembro, o dia litúrgico do Santo Padroeiro, com a Missa de Ação de Graças, às 18h30.
Festas “fortalecem laços de fraternidade”
O pe. Alexandre Santos, o pároco de Queijas, sublinha que, “para lá da sua dimensão religiosa e cultural, estas festividades espelham a própria vitalidade da comunidade de Queijas”.
Constituem também uma “ocasião preciosa para fortalecer os laços de fraternidade, tão essenciais para o bom entendimento, a entreajuda e uma cidadania plena”.
O sacerdote lembra que, num tempo em que a reconexão e o fortalecimento de relações são tão necessários, a festa popular surge “como um espaço privilegiado de encontro, partilha e reconhecimento mútuo”, pois, independentemente das convicções de cada um, “todos encontrarão nestes dias uma oportunidade de convivência, alegria e paz”.
Na visão do Pe. Alexandre Santos, a celebração de São Miguel Arcanjo “convida-nos a refletir sobre a profunda pergunta que o seu nome evoca: ‘Quem como Deus?’. Uma questão que nos recorda a presença divina na nossa história e o convite contínuo para O colocar no centro das nossas vidas”, sublinha.
Para o sacerdote, a devoção ao Arcanjo transcende o mero pedido de proteção: “É um chamamento à fidelidade a Deus, um desafio a reconhecer que nada pode ocupar o Seu lugar”. Como comunidade, “somos impelidos a colaborar com o nosso Padroeiro, testemunhando, pela vida e pelos gestos, que só em Deus se encontra a verdadeira paz e o sentido do caminho. A missão cristã de ser sal, luz e fermento no mundo, de construir pontes e promover a fraternidade, encontra nestas festas a sua expressão e renovação”.
De acordo com o pastor da paróquia, Queijas celebra, assim, “a fé que a une, a tradição que a define, a cultura que a enriquece e a amizade que a aproxima. Uma verdadeira celebração da vida e da alegria de estarmos juntos, onde a animação será contagiante, os petiscos abundantes e as bebidas refrescantes, tudo num ambiente vibrante de convívio e boa disposição”.
O pároco concluiu a seu depoimento, incitando à participação de toda a comunidade na celebração do Padroeiro, pedindo para que “estes sejam dias de fé, alegria, encontro, fraternidade e paz”.
Bazar de São Miguel arrecada verbas para o bem comum
No primeiro dia da Festa, um trio de amigas última os preparativos para receber os visitantes na sua tenda de venda de artesanato e de produtos doados à paróquia. Por detrás do Bazar de São Miguel, um “negócio” que nasceu para arrecadar verbas para a Comissão Fabriqueira da Paróquia de Queijas, está Maria de Lurdes Nunes.
Para além desta ajuda, a voluntária “dá uma mãozinha” no Banco Alimentar e em tudo o que for preciso para “ajudar os mais necessitados” da freguesia. Maria de Lurdes diz que participa nesta iniciativa há “mais de 20 anos”, mas que faz tudo “com muito amor” e espírito de fraternidade.
“Ando com o meu carro de um lado para o outro a recolher quinquilharia e artigos que as pessoas nos dão. Fazemos também muitas peças próprias e tentamos ajudar o melhor que sabemos”, assegura.
A voluntária mostra-se entusiasmada com os dias de festa que se avizinham, dizendo que, por ser conhecida “de toda a gente”, os visitantes das celebrações “compram sempre alguma coisinha nossa”, porque sabem que “é por boa causa” e que “todo o dinheiro reverte para a Igreja (de Queijas)”.
Para Maria de Lurdes, o ponto alto da Festa “é a procissão” que “une a comunidade em torno da Padroeira” e constitui “um verdadeiro ato de fé” dos milhares que, todos os anos, se unem para celebrar uma festa que conjuga o sagrado e o profano, mas sempre com o verdadeiro espírito cristão.
De 18 a 27 de setembro, a Praça Central da Vila vai transformar-se num grande recinto festivo para dez dias de música, tradição, convívio, animação, mas, sobretudo, de espírito de comunidade.







