Noite Europeia dos Investigadores trouxe escolas de toda AML até Oeiras

Mais de 40 instituições, sete Clubes de Ciência e alguns milhares de alunos e professores da Grande Lisboa vieram até ao Jardins dos Marqueses de Pombal, em Oeiras, para participarem na segunda edição da Noite Europeia dos Investigadores. O “Olhares de Lisboa” conversou com dois jovens aspirantes a cientistas.

Pensado para públicos de todas as idades, o programa incluiu bancas de ciência, experiências práticas, jogos interativos e momentos de conversa informal com cientistas, reunindo áreas como ciência, tecnologia, ambiente, engenharia e criatividade.

A Noite Europeia dos Investigadores regressou a Oeiras no dia 25 de setembro. Nesta edição, o evento realizou-se pela primeira vez nos Jardins do Palácio Marquês de Pombal — no ano passado, os eventos tiveram lugar na Marina de Oeiras.

Entre os principais destaques esteve uma caça ao tesouro científica, com etiquetas NFC distribuídas pelo recinto, bem como o anúncio de Oeiras como um dos locais de encontro entre ciência, cidadãos e comunidades em 2027, no âmbito do projeto “Science Comes to Town”.

A iniciativa é organizada pelo Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier da Universidade NOVA de Lisboa (ITQB NOVA), em parceria com o Município de Oeiras. O objetivo é aproximar a ciência da sociedade, dando a conhecer investigação recente e com impacto no dia a dia, desenvolvida por cerca de 40 instituições científicas e clubes de ciência do concelho.

O evento procura também estimular o interesse dos jovens pela ciência e por percursos profissionais ligados à investigação científica.

Para o Município de Oeiras, este projeto enquadra-se na estratégia do concelho para a ciência e na aposta no desenvolvimento de conhecimento científico de excelência ao serviço das empresas e da população.

A Noite Europeia dos Investigadores assume uma abordagem inclusiva e procura envolver públicos menos representados, sublinhando a importância das escolas e da sociedade civil na valorização da investigação científica.

Primeiros passos no fascinante mundo da ciência

O pequeno Pedro Sousa, de 8 anos, aproxima-se da banca do NUCLIO, uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD), constituída por um grupo de cientistas, investigadores, professores e formadores, especializados em diferentes áreas científicas e do ensino das ciências – esta ONGD é especializada em formação avançada em ciência para professores.

Quer que o investigador Geuffer Garcia, coordenador de projetos do NUCLIO, lhe mostre “como se fazem” os pequenos artefactos mecanizados que estão em cima da mesa – todos feitos com material reciclado, como latas de refrigerantes, caixas ou paus de gelados.

A criança mostra curiosidade e quer saber mais. Geuffer Garcia diz que Pedro está com o espírito certo para a “aventura da ciência”. O aprendiz de cientista não quer saber de conversas de adultos e insiste para que o investigador lhe “mostre como se fazem as coisas”.

Na tenda ao lado, repousa o material de “exploração do espaço”, destacando-se os fatos de astronauta, mas também os telescópios e outros artefactos com ligação direta à observação do universo. Maria Francisca, de 15 anos, é uma das cicerones da tenda. A adolescente participou na primeira missão espacial análoga a Marte em Portugal, na vastidão da Barragem do Alqueva. Rosa Doran, presidente do conselho executivo do NUCLIO, explica que Maria integrou um grupo de estudantes portugueses na primeira missão espacial análoga a Marte ao ar livre, destinada a estudantes, em Portugal, no Observatório do Lago Alqueva, em junho de 2025. Nove jovens europeus de três países diferentes experienciaram a vida num ambiente isolado e desafiante, que simulou uma missão a Marte em pleno Alentejo. A missão foi desenvolvida pelo projeto europeu EXPLORE, que pretende levar o futuro da exploração espacial às salas de aula.

“A Maria vivenciou mesmo a experiência de um astronauta. Esteve em isolamento e passou por todos os passos necessários para ‘ser’ astronauta durante aquele período”, explica a responsável, acrescentando ser objetivo da iniciativa “despertar o interesse pela ciência e pela exploração” entre os alunos das escolas e a comunidade educativa.

Maria Francisca revela que a experiência do Alqueva “vai ficar para toda a vida”, porque “foi algo incrível”, aprendeu que os limites “estão na nossa cabeça”, mas não têm a certeza de que a astronomia seja o seu futuro. “Tenho muito interesse pela ciência e gosto de explorar e de procurar respostas através da investigação, mas ainda sou muito nova para decidir qual a área especifica da ciência que quero seguir. Mas tenho a certeza que o meu futuro passará pela investigação”, esclarece.

Para a adolescente, a Noite Europeia dos Investigadores “é um acontecimento extraordinário” porque “abre as portas da ciência às crianças e aos jovens”, e ajuda a dar o primeiro passo para que “as crianças conheçam melhor o mundo que as rodeia”, sendo também o gatilho para promover a literacia científica e para “desmistificar” a ideia de que os cientistas “vivem num mundo à parte”.

Maria Francisca acredita que este evento, que trás a ciência para a rua, contribui decisivamente para o “desenvolvimento do país”, pois a ciência “é o principal” impulsionador da sociedade.

A Noite Europeia dos Investigadores é uma iniciativa das Ações Marie Skłodowska-Curie, financiada pela Comissão Europeia, que se realiza desde 2005, em toda a Europa, na última sexta-feira de setembro. Em Portugal, durante o biénio 2026-2027, o ITQB NOVA coordena o projeto ‘BRIDGES for Science: Engaging Researchers, Schools, and Citizens for a Sustainable Future in Europe’, em parceria com o i3S e a Agência Ciência Viva, levando a iniciativa a várias cidades do país. O projeto dedica especial atenção às novas gerações, a comunidades em contextos socioeconómicos desfavorecidos e a minorias étnicas. A edição de Oeiras conta com a colaboração do Município de Oeiras.

Foto de capa: NUCLIO – Núcleo Interativo de Astronomia

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