O presidente da Câmara Municipal da Amadora, Vítor Ferreira, aproveitou as comemorações do 47º aniversário do Município para anunciar uma nova vaga de investimentos no concelho. Revelou que a Câmara vai avançar com a construção de 800 fogos de renda acessível; quer voltar a pôr ao serviço da cidade a antiga fábrica da Sorefame; explicou que está a negociar com o Governo a extensão da linha azul do metro até ao Hospital Amadora-Sintra.
As comemorações do 47º Aniversário da Amadora, realizadas no exterior dos Paços do Concelho, no dia 11 de setembro, foram assinaladas com a cerimónia do hastear da bandeira, acompanhada pela Banda de Música da Sociedade Filarmónica Comércio e Indústria da Amadora, seguindo-se a sessão solene comemorativa da efeméride.
No discurso protocolar, com quase 20 minutos de duração, o presidente da Câmara Municipal da Amadora começou por sublinhar a presença na cerimónia dos serviços diplomáticos das embaixadas do Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Ucrânia, lembrando que a Amadora é um território onde coabitam pessoas de 110 nacionalidades.
“A honra da vossa presença nesta cerimónia é, ela própria, o espelho fiel da diversidade que nos define enquanto cidade e o testemunho vivo do compromisso que a todos nos une: o de construirmos, em conjunto, uma Amadora cada vez mais fraterna”, declarou Vítor Ferreira.
O autarca voltou a lembrar que a Amadora sempre foi um ponto de encontro de gente vinda de todos os cantos de Portugal. “Transmontanos que trouxeram a sua garra, alentejanos que trouxeram a sua calma e beirões que trouxeram a sua persistência. Gente diferente, com sotaques diferentes, com memórias diferentes, que aqui decidiu construir uma comunidade. Mais tarde, chegaram também dos diversos países de língua portuguesa. Estas pessoas não vieram apenas viver para a nossa cidade: vieram fazer parte da nossa Amadora”.
Para Vítor Ferreira, a Amadora “é um mosaico vivo”, composto por mais de 110 nacionalidades que, em conjunto, desenham o retrato de “uma cidade aberta ao mundo”.
“Poucas cidades simbolizam tão bem como a Amadora, aquilo que resumimos numa frase simples: Muitas raízes, uma só Amadora”, sublinhou.
Várias obras na calha
A celebração dos 47 anos do Município simboliza “um momento de olhar para a frente”, para o futuro, sendo essa a razão porque “trabalhamos diariamente com o objetivo de investir na qualidade de vida dos amadorenses, de todos os amadorenses”
Segundo Vítor Ferreira, esse propósito “traduz-se em opções que promovem, todos os dias, a qualidade de vida de quem cresce, vive e trabalha nesta cidade — seja a criança que hoje vai para a escola, quem sai de manhã para trabalhar, ou quem, depois de uma vida de trabalho, está hoje reformado e continua a dar tanto a esta comunidade”.
No sentido de “melhorar a vida dos amadorenses”, Vítor Ferreira anunciou, novidades na área da saúde, partilhando, em primeira mão, que a CMA, em parceria com a Unidade Local de Saúde, no sentido de uma intervenção no Edifício B do Centro de Saúde da Amadora, “que permitirá a abertura de um espaço complementar de atendimento permanente”.
Na Educação, o autarca revelou que a CMA aumentou as valências nas nossas escolas, reforçando a oferta ao nível do pré-escolar e a reorganização das disponibilidades nas Escola Artur Bual e Martinho Simões, anunciando que o Município vai avançar com a construção de uma nova escola no Alto da Mira, “numa aposta contínua na educação dos nossos filhos e no futuro da Amadora”.
Na mobilidade no concelho, Vítor Ferreira lembrou a reabilitação das estradas, que “tem garantindo aos nossos cidadãos mais segurança rodoviária, enquanto simultaneamente poupam tempo no trânsito — tempo que podem usar para si e para as suas famílias”.
“E é precisamente a pensar no futuro que aprovámos, recentemente, a estratégia Amadora Território Inteligente 2028 — um plano ambicioso, que coloca a Amadora na lógica nacional e europeia dos territórios inteligentes, onde se coloca a tecnologia ao serviço da população”.
A habitação pública continua a estar na mira da CMA, segundo o autarca. “Não queremos uma Amadora que segue o futuro, queremos ser uma Amadora que o ajuda a construir. Em projetos como as habitações do Cerrado da Mira que já são referenciados pela União Europeia como exemplos”, na implementação de projetos de habitação municipal.
Vítor Ferreira aproveitou para revelar que o Município vai inaugurar brevemente uma residência para estudantes deslocados. O autarca explicou que a medida teve a participação de três universidades da cidade de Lisboa e que a residência vai dar reposta “a centenas de estudantes deslocados, e vai apresentar a Amadora a jovens vindos de todo o país que, durante algum tempo, vão passar a chamar casa à nossa cidade”, mas “tenho a certeza de que muitos deles vão querer ficar”, pois “é essa a essência da nossa Amadora: aqui, rapidamente, todos nos sentimos em casa”.
O autarca congratulou-se pelo facto de o Município ter utilizado todas as verbas provenientes do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência”, algo que “vai deixar como legado à nossa cidade com impacto direto na vida de todos os amadorenses”.
“Recordo que só os investimentos feitos pela autarquia ascendem a 50 milhões de euros, traduzidos num grau de concretização do PRR de 100 % em áreas tão distintas como habitação, saúde, educação e inclusão social”.
De acordo com o edil, a concretização destes investimentos “é a prova do rigor, da capacidade de execução e da visão de futuro do nosso Município”.
Vítor Ferreira lembrou ainda a Câmara tem preconizado uma série de obras que vai pôr o centro da cidade a “pulsar”, ao abrigo do programa de reabilitação de espaços públicos “Coração da Amadora 2030”, um conjunto de várias intervenções urbanas sob um mesmo objetivo: “um centro mais humano, mais acessível, mais nosso”.
“Começaremos pelo centro da Amadora, com a requalificação de passeios que garantem acessibilidade universal, e com a reorganização do estacionamento, para reduzir os conflitos entre quem anda a pé e quem anda de carro, ao mesmo tempo que é criado um novo e grande interface de transportes públicos”.
Também o atendimento municipal está a ser alvo de uma “modernização”, dotando “os nossos serviços de ferramentas mais capazes, que nos permitem tomar decisões mais rápidas e dar uma melhor resposta a quem, todos os dias, recorre aos serviços da Câmara”.
Vítor Ferreira entende que a modernização “tem de ser global”, anunciando a renovação da frota da higiene urbana “com um forte investimento na aquisição de 8 viaturas pesadas”.
“Este investimento é acompanhado pelo reforço do nosso mapa de pessoal valorizando quem faz o município funcionar todos os dias”, reforça.
No desporto, porque “a qualidade de vida também se faz de desporto e de bem-estar”, revela o investimento “em novos complexos desportivos aquáticos em Alfornelos, na Damaia e na Venteira, que vão melhorar — e muito — a vida de quem os vai usar, dos mais novos aos mais velhos”.
Para o autarca, no mesmo sentido, a rede de 40 km de pistas de caminhada é um ativo estratégico para a saúde pública e para o cumprimento das metas ambientais, incentivando a mobilidade ativa.
Sendo também para melhorar a qualidade de vida da população o investimento de 4,75 milhões de euros na requalificação dos parques urbanos da Atalaia, do Neudel e do Parque Aventura, três dos 35 grandes parques da cidade.
Na visão do edil, a Amadora “é sinónimo de qualidade de vida”, reforçando que estes investimentos não são apenas melhorias estéticas; “são ferramentas de mitigação de exclusão social e de promoção da saúde pública”.
“Ao expandir as áreas verdes e assegurar modos de vida saudáveis, o Município contribui diretamente para as metas de neutralidade carbónica, transformando a Amadora num território resiliente e atrativo para as novas gerações”.
De resto, as mesmas novas gerações que o Município quer atrair para a Amadora, debatem-se hoje “com os custos galopantes da habitação”.
“E é para combater essa crise que na Amadora serão construídos 800 novos fogos para habitação acessível entre investimentos da Câmara Municipal e do IHRU”, anunciou, acrescentando que uma cidade só tem futuro “quando os seus filhos nela podem construir o seu próprio lar”.
Segurança reforçada
Numa altura em que o discurso da segurança ganhou destaque em praticamente todos os meios de comunicação, o edil lembra que a “Amadora foi pioneira na videoproteção”.
“Somos o Município do país com o maior número de câmaras por quilómetro quadrado e – em breve – com a expansão para terceira fase teremos uma cidade ainda mais moderna e ainda mais segura”.
Contudo, videoproteção não colhe resultados se for uma medida isolada. “Ela faz parte de uma cooperação estratégica que temos vindo a construir com as forças de segurança, de que são referência: – o reforço do policiamento de proximidade; as obras nas nossas esquadras da Mina e da Reboleira; e o reforço da frota — tudo para garantir à PSP e à Polícia Municipal os melhores meios para proteger quem vive e trabalha na nossa cidade”.
Numa cidade com 24 quilómetros quadrados, cuja resiliência “é superiormente acautelada pelos agentes de proteção civil, incansáveis no apoio à população”, a posição estratégica da Amadora faz com que seja procurada por muitos, e para isso “muito contribui a cobertura da rede de autocarros da Carris Metropolitana, bem como as 3 estações de comboio e as 3 estações de metro”.
Mas o autarca quer ir mais longe, revelando que “já estamos em diálogo com o senhor ministro da Habitação e das Infraestruturas para que a linha azul do metropolitano se estenda até ao Hospital Amadora-Sintra”.
Para Vítor Ferreira, a mobilidade coletiva “é um projeto de presente e de futuro”, sendo, por isso, que a Amadora vai celebrar, em breve, um protocolo de cooperação para os estudos com vista ao projeto intermunicipal de BRT/Metrobus, que vai criar uma solução de mobilidade entre os municípios da Amadora, Lisboa e Oeiras.
Requalificação da Sorefame
Lamentando o abandono da Sorefame, a icónica empresa de metalomecânica portuguesa, “um espaço enorme, que faz parte da memória de tanta gente desta cidade, e que há demasiados anos vive fechado sobre si mesmo”, Vítor Ferreira reconhece que “custa ver um lugar com tanto potencial, no coração da nossa cidade, parado no tempo, enquanto a Amadora à sua volta continua a crescer”.
Mas aproveitou para revelar que a CMA pretende “devolver esse espaço à cidade. Estamos, em conjunto com o Governo, a estudar uma solução que dê à Sorefame e também à Quinta do Estado o futuro que elas — e a Amadora — merecem. É tempo de voltarem a estar ao serviço da nossa cidade”, sublinhou.
Cultura como prioridade
Segundo Vítor Ferreira, a cultura é outra das prioridades do Executivo. “Através de uma programação eclética e democratizada, o Município transporta a sua narrativa para além das fronteiras geográficas, valorizando o talento nacional e acolhendo nomes de relevo. Só este mês teremos concertos de diversos artistas, aos quais juntamos as exposições que celebram o centenário do nascimento do Mestre Artur Bual, a Festa do Livro e a terceira edição do festival gastronómico ‘É um Encontro’”.
Em outubro, merece ainda destaque a 37.ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada, que celebra o talento consagrado com uma exposição de originais de Morris, assinalando os 80 anos de Lucky Luke, e valoriza também os novos talentos portugueses, em especial da cidade da Amadora, para reforçar que a Amadora “é, e vai continuar a ser, a capital da nona arte”.
Depois de sublinhar que a Amadora “é, e vai continuar a ser, a casa do Quórum Ballet: ex-libris da dança na nossa cidade e que, há duas décadas, leva o nome da Amadora a todo o mundo”, o autarca revelou que a companhia terá a sua nova casa no novo mercado da Damaia.
Recados para a oposição
Após elogiar o papel primordial dos presidentes de junta de freguesia do concelho e os trabalhadores da Câmara, Vítor Ferreira passou alguns recados para a oposição, lembrando que os resultados das eleições de 2025 “transformaram o quadro de equilíbrio da governação municipal”.
O Executivo Municipal é agora composto por mais forças políticas, com visões e projetos diferentes, “todas em prol da nossa cidade”, mas “o futuro da Amadora e dos amadorenses é muito mais importante do que um exercício de esgrima política baseado no tacticismo”.
O autarca assumiu “contar com as ideias e os projetos de todos para construir uma Amadora melhor”. Não obstante, fez um pedido à oposição. “Quero deixar aqui o apelo que, em tempos, já fez o atual primeiro-ministro: Deixem-nos trabalhar. A Amadora não pode parar”.
As celebrações do 47º Aniversário da Amadoraestenderem-se ao longo do dia, destacando-se iniciativas de promoção da gastronomia e da literatura, mas também os concertos que encerram as comemorações, com destaque para as atuações de Rui Veloso e Sara Correia.








