Grupo de jovens ativistas pretende plantar 400 árvores na cidade de Lisboa para mitigar ilhas de calor

Para combater as ilhas de calor na cidade de Lisboa, um trio de estudantes do ensino secundário está a levar a cabo uma campanha de angariação de fundos para plantarem 400 árvores na cidade. Os autodenominados Lisbon Saplings dizem que se “fartaram de esperar” que alguém fizesse algo para repor as arvores que estão em falta para tornar a cidade num território mais ameno e com proteção climática para os transeuntes. É objetivo angariaram 5 mil euros para comprarem as plantas e o material necessário para as porem na terra.  

As alterações climáticas estão cada vez mais presentes no dia a dia de todos. Este ano, Portugal registou várias ondas de calor ao longo de 2026, incluindo um intenso episódio em julho com temperaturas superiores a 40°C e um novo alerta de subida expressiva de temperaturas em outubro.

A ciência diz, porém, que as árvores podem ser uma das infraestruturas mais eficazes no combate ao sobreaquecimento das cidades. A conclusão é de um estudo desenvolvido por investigadores das universidades do Porto e de Coimbra, que analisou o comportamento térmico de diferentes zonas urbanas de Coimbra e identificou diferenças extremas entre áreas verdes e superfícies impermeabilizadas.

Segundo os investigadores, pequenas intervenções urbanas, como ruas arborizadas ou jardins de proximidade, podem ter impacto direto no conforto térmico das cidades, reduzindo o efeito das chamadas ilhas de calor urbanas.

De acordo com José Miguel Lameiras, professor da FCUP e um dos autores da investigação, espécies associadas a ambientes ribeirinhos, como choupos, salgueiros e freixos, demonstram um elevado potencial de arrefecimento.

Os investigadores defendem que estas conclusões deverão ser aplicadas noutras cidades portuguesas, sobretudo num contexto de alterações climáticas e episódios de calor extremo cada vez mais frequentes: “As cidades com maior cobertura arbórea apresentam menor vulnerabilidade”, concluiu a equipa.

Passar da teoria à prática

Três estudantes do ensino secundário de Lisboa chegaram à mesma conclusão. E resolveram agir por conta própria. Estão a angariar fundos para plantarem 400 árvores na cidade.

Rueben Kadosh, de 17 anos e aluno da St. Julian’s School, em Carcavelos, assume que eles e mais dois amigos “se cansaram de esperar” que alguém fizesse algo para reverter as ilhas de calor registadas na cidade de Lisboa. “Andem pelas ruas em agosto e não há onde parar. O chão fica quente até muito depois de escurecer. Há caldeiras ao longo das ruas, quadrados de terra que alguém abriu há anos com a ideia de plantar algo. Continuam vazias”, descreve, acrescentando que Lisboa tem apenas 16,8% de cobertura arbórea, enquanto a média europeia é de 30%. “Nota-se bem essa diferença quando se vai para casa às quatro da tarde”, sublinha o jovem ativista.

Juntamente com dois colegas da mesma escola, Rueben Kadosh criou o Lisbon Saplings, uma iniciativa de estudantes que pretende plantar quatro centenas de árvores em Lisboa. “Estamos a angariar fundos para árvores, materiais de plantação e cuidados posteriores, e planeamos começar a plantar em janeiro”. O estudante justifica que a angariação de fundos tem de ser feita o mais rapidamente possível, pois a “as árvores jovens só podem ser plantadas entre outubro e fevereiro”, uma vez que “é quando as raízes se instalam antes do calor chegar”.

“Temos de comprar as árvores, tratar das licenças e reunir as ferramentas antes dessa janela abrir”. Quando reunirem os 5 mil euros necessários para o seu projeto, o trio de amigos vai levar a cabo a compra 400 árvores autóctones de um viveiro português, juntando a compra de composto e tutores, dois verões de rega, ferramentas, licenças e o seguro.

Os Lisbon Saplings aproveitam para revelar que os dias de plantação “são abertos a todos” e pedem para que os voluntários tragam apenas luvas. “Nós trazemos o resto”, prometendo publicar as datas das intervenções no grupo, assim que as licenças estiverem prontas.

Os interessados poderão fazer o seu donativo através da GoFundMe, uma plataforma online de crowdfunding (financiamento coletivo) baseada em doações que permite a particulares, grupos ou instituições criarem campanhas para arrecadar dinheiro.

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