Já abriu a nova ponte pedonal Aquário Vasco da Gama em Algés. Este projeto de 2,5 milhões de euros visa melhorar a mobilidade, ligando o Jardim de Algés à zona ribeirinha. A infraestrutura, liga a Alameda Hermano Patrone ao Passeio Marítimo de Algés e pretende facilitar o acesso aos espaços à beira rio, ultrapassando os obstáculos à circulação pedonal na área: a linha de caminho de ferro e a Avenida Marginal.
Isaltino Morais aproveitou a inauguração para anunciar a futura construção de mais duas passagens áreas para a zona de Algés, estando prevista a construção de um “boulevard” com 25 metros de largura.
Desenhada pelo arquiteto Gonçalo Byrne, a nova infraestrutura estabelece uma ligação vital entre a zona urbana do Dafundo e a frente ribeirinha, superando as barreiras da Avenida Marginal e da linha ferroviária.
Na cerimónia de inauguração, que contou a presença do Executivo Municipal e dos presidentes das Uniões e freguesias do concelho, Isaltino Morais começou por referir que não lhe “apetecia fazer discurso algum”, porque o “discurso está ali”, disse apontado para a estrutura, que considerou “uma passagem lindíssima”, sublinhando que existem obras “muito necessárias” que não precisam de grandes justificações, uma vez que todos reconhecem a sua utilidade.
Isaltino Morais destacou a importância da obra para a população, considerando que se trata de uma intervenção cuja utilidade era muito reivindicada pelos munícipes da zona, esclarecendo que a ponte “não é para o NOS Alive”, como muitos dizem, mas sim para que a população possa usufruir da zona ribeirinha e passe a contar com uma nova passagem segura e direta para o lado ribeirinho.
Explicações sobre as razões dos atrasos nas obras públicas
Para justificar o atraso na conclusão da passagem pedonal, o presidente do Município lembrou as “complicações” com os concursos públicos, que sucessivamente “ficaram desertos”, até que “houve um empreiteiro que pegou na obra” e, finalmente, pôde ser inaugurada. Isto para explicar que muitas obras públicas sofrem atrasos consideráveis e “aumentos dos custos” para que os construtores mostrem interesse em levar a cabo a execução dos projetos.
“O orçamento para esta passagem rondava uma verba de um milhão de euros. Com o decurso dos anos, acabou por implicar um investimento de 2,5 milhões de euros”, explicou, esclarecendo que, ao longo de todo o processo, houve “muita especulação” sobre os desenvolvimentos da obra. “Em março, pôs-se o tabuleiro. Mas as pessoas pensavam que a obra já estava terminada. Recebi muitas mensagens, nas redes sociais, de pessoas que queriam saber os motivos da não abertura ao público da obra. Mas, na verdade, a obra ainda não esteva pronta porque não tinha os elevadores, nem tinha os acabamentos prontos”, justificou.
O presidente salientou ainda que a infraestrutura ganha particular relevância numa altura em que cada vez mais pessoas procuram usufruir dos espaços públicos e da frente ribeirinha, referindo esta zona de Algés tem vindo a tornar-se “cada vez mais agradável” e deverá continuar a beneficiar de melhorias, tendo em conta os projetos previstos para a requalificação da área até à Cruz Quebrada, nomeadamente a recuperação do molhe “que está partido desde as cheias de 1983” e “nunca houve nenhum Governo que o recuperasse”, atirou.
Irónico, Isaltino Morais recordou ainda que toda a aquela zona sofreu danos consideráveis durante as tempestades mais recentes, mas o Estado pediu para que fosse a Câmara “a fazer as obras, o que é um atestado de confiança à Câmara de Oeiras, mas não nos deram o dinheiro, tivemos nós de pagar as obras”.
O presidente da Câmara de Oeiras declarou ainda que o Município vai investir mais de 7 milhões de euros no encerramento do molhe da Cruz Quebrada, uma infraestrutura essencial para deter a força das marés, que têm causado a erosão de toda aquela zona ribeirinha. Isaltino Morais revelou que a obra arrancará em 2028.
E aproveitou para anunciar a construção de “mais duas passagens” para esta zona, designadamente para a Quinta dos Cedros e para o centro de Algés, onde está prevista a construção de um “boulevard com 25 metros de largura” que vai atravessar a Marginal e a linha férrea. “Estamos ainda a fazer os estudos de projeto e a analisar os pormenores para a obra arrancar”.
Importância do trabalho de equipa
Num apontamento histórico sobre a área onde foi edificada a nova ponte pedonal, o arquiteto Gonçalo Byrne, a quem Isaltino Morais elogiou o trabalho, lembrou que toda esta zona “era água”, havendo na encosta o Convento de São José de Ribamar, lembrando ainda “a praia de Algés, que era muito frequentada nos anos de 1950” e também a existência de aterro industrial nas imediações do local.
O arquiteto sublinhou o “trabalho de equipa”, entre os arquitetos e engenheiros civis, necessário para pôr a obra em pé, lembrando que a edificação da infraestrutura “imponha” a obrigatoriedade de respeitar a catenária dos comboios, tendo um arco de cerca 70 metros para o efeito, o maior das obras deste género em Portugal.
A estrutura, composta por um troço horizontal de 68 metros, é suportada por duas vigas metálicas e inclui escadas e elevadores, garantindo acessibilidade a todos os utilizadores, incluindo aqueles com mobilidade reduzida. Este novo acesso pedonal não só facilitará o trânsito diário dos moradores de Algés, Dafundo e Cruz Quebrada, como também aliviará o congestionamento em eventos de grande envergadura, como o festival NOS Alive.
Além de promover uma circulação mais fluida e segura, o projeto visa reduzir a pressão sobre as travessias existentes nas imediações das estações de Algés e Cruz Quebrada. Em eventos especiais, a câmara municipal poderá controlar o acesso à passagem por motivos de segurança, priorizando pessoas com mobilidade reduzida.
O arquiteto explicou ainda que, numa fase posterior, a passagem deverá também estabelecer ligação à Rua Mestre de Aviz, alargando as possibilidades de circulação pedonal e ciclo-viável na zona.
O nome de batismo da ponte Aquário Vasco da Gama foi escolhido na sequência de um desafio lançado pelo Município de Oeiras nas redes sociais, que convidou os munícipes a apresentar propostas para a nova passagem. A designação vencedora presta tributo ao aquário do concelho de Oeiras, reconhecido pelo seu contributo para a divulgação do conhecimento sobre a vida aquática e para a sensibilização da população para a preservação dos ecossistemas marinhos.
Este equipamento, localizado no Dafundo, é um dos aquários públicos mais antigos do mundo. Foi inaugurado a 20 de maio de 1898, e tem como particularidades o facto de apresentar o combinar o conceito de aquário com um museu, ao contrário dos grandes aquários modernos, uma vez que junta a exibição de animais vivos com um valioso museu de ciências naturais. Conta com a coleção oceanográfica D. Carlos I, pioneiro da oceanografia em Portugal, doado em 1935, que inclui milhares de exemplares de fauna marinha. Entre os espécimes históricos e raros que podem ser observados, destaca-se a exibição de uma lula gigante preservada com mais de 8 metros de comprimento, peixes abissais (como o peixe-pescador) e uma reconhecida coleção de taxidermia e moluscos.
A inauguração deste equipamento municipal contou com a presença das chamadas forças vivas do concelho, mas também de muitos moradores, que quiseram participar num ato que assumiu forte simbolismo para a população: a inauguração da ligação pedestre do território com a sua frente ribeirinha, de quem estavam “separados” pela Avenida Marginal e a linha de comboio.



